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Completo Spawn com Painço e Bulk - MDK

Diário de cultivo completo.
Espero que esse tópico seja útil no futuro, pois não encontrei no CM nenhum tópido de spawn a base exclusivamente de painço. Essa é uma história de erros e acertos, mas acho que ao fim teremos algum resultado conclusivo sobre o melhor método.

Vamos ao início: sabendo como o milho era problemático e chato, procurei pela minha cidade, em muitos locais, o maldito centeio em grãos, em vão. Um dia, no chat, o @Cosmik me falou que o painço era uma boa alternativa e eu decidi tentar. Painço é bem barato, paguei 2 reais em cada saco de 500g, comprei na sessão de comida para pássaros. Procurei algum guia gringo e não achei nada específico. Vi um usuário no shoomery citando que não fervia, apenas deixava de molho por 24h e depois levava à PP. Por outro lado, Cosmik me sugeriu apenas ferver. Resolvi fazer um pacote de cada maneira, embora com tropeços no caminho, vamos lá:

- Na madrugada do dia 13/11 fiz 4 potes, 2 de painço fervido por 15 minutos (alguns poucos grãos eclodiram) e 2 de painço que ficou de molho em água mineral por 24 horas. Escorri ambos por 30 minutos. Sobrou um pouquinho dos dois. Fechei todos com papel alumínio e fita isolante e fiz 4 furos cobertos com micropore para o vapor. Eu precisei lacrar porque eles teriam que ficar de lado.

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- Coloquei dois potes do painço que fervi na PP. Tiveram que ir "deitados", sobre o suporte metálico e mais um pano de prato . Depois de uma hora abri a panela e o vidro grande havia quebrado o fundo (choque térmico porque usei água pra cessar a pressão). O pote que não quebrou ficou com o lacre de alumínio todo estufado porque os grãos incharam. Eu errei o nível da água e na parte que ficou pra baixo o grão umedeceu (foto dos dois lados) e cozinhou.

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- Peguei o conteúdo do vidro que rachou e enchi um vidro, dessa vez deixando espaço. O resto misturei com o restinho de painço que tinha sobrado e fui distribuindo por outros potes. Abri os outros postes prontos e também liberei um pouco de espaço pra não incharem as tampas.

- Fui colocando os copos na PP por uma hora, foram mais 3 levas. Lembrando de não deixar o nível da água alto.

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- No outro dia à noite (14/11) inoculei todos na minha pseudo-glovebox com um seringa que fiz há um tempo, de MDK, inoculei dois furos em cada pote, 0,5ml.

- Um dia depois (15/11) já vi micélio em um copo. Dia 16 já tinha micélio visível em três.

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Atualizarei conforme for obtendo resultados.
 
Última edição por um moderador:
Esse não parece nem um pouco com xixi de micélio, é branco e depois se torna um amarelo que parece pó de giz.

Pois é... É assim que a monilia aparece... Primeiro branco, e depois vai escurecendo até chegar num tom alaranjado. Mas do branco até o laranja escuro tem varias tonalidades que passa pelo amarelo tambem.

"Monilia é um género de fungos ascomicetes anemófilos que se apresentam numa forma semelhante à do algodão, primeiramente de cor predominantemente branca, podendo tornar-se alaranjado" Fonte: Wikipedia
 
Uma coisa que li um dia num artigo sobre cultivo de cogumelos comestiveis, foi que um contaminante muito comum nos cultivos de cogumelos com grãos é a monilia... Bem, esse é o fungo que causa a Candidíase.

Não me recordo de menções de Monilia como contaminante de cultivos de cogumelos.

Não seria algo relacionado a esse trecho abaixo?

No The Mushroom Cultivator há referência a uma forma incompleta (haplóide) de Neurospora. Seria o gênero Monilia. Essa nomenclatura alternativa também é citada no texto sobre segurança de Neurospora (4). O nome Monilia caiu em desuso para essas formas incompletas.
Além de ser usado para a forma incompleta de Neurospora o nome Monilia foi ou é usado como nome comum ou científico para outros fungos, sem relação nenhuma com Neurospora, inclusive alguns patógenos vegetais e a candidíase humana.


Mas se você tiver fontes sobre Monilia como contaminante de cultivos de cogumelos envie, por favor.


Edit: uma rápida pesquisa indicou que hoje o causador da candidíase está no gênero Candida
mesmo, e que Monilia é um nome em desuso para o mesmo, assim como Mycotorula,Torulopsis e Oidium.
 
Última edição:
Onde eu vi foi num artigo que tratava sobre cultivo de cogumelos comestíveis, não vi aqui no Forum não...

Mas se você tiver fontes sobre Monilia como contaminante de cultivos de cogumelos envie, por favor.

Pois é, eu antes de escrever o primeiro comentário estava procurando. Seria muito melhor falar e já citar o link da onde eu vi. Mas não achei, porem ainda não me dei por vencido. Se eu encontrar posto aqui, mas já tem um tempo em que li sobre isso então tenho uma lembrança vaga.
 
nao é esse o das toxinas que podem causar arritmia?

Mesmo que fosse. Toxinas dos contaminantes não passam para os cogumelos. O pessoal dos comestíveis, por exemplo, vende tudo que esteja dentro dos padrões, pouco importa se o cultivo contaminou ou não.

Você só não pode comer os contaminantes, ou ficar respirando-os ...
 
Uma coisa que li um dia num artigo sobre cultivo de cogumelos comestiveis, foi que um contaminante muito comum nos cultivos de cogumelos com grãos é a monilia... Bem, esse é o fungo que causa a Candidíase. E ele aparece no cultivo com essa coloração amarelada, as vezes parecido com xixi de micélio.
O causador da Candidiase são cepas patologicas de Candida albicans, apesar desse fungo ser uma levedura a cepa patologica é capaz de formar hifas.
 
Atualizações:
O pote grande com a cinturinha contaminou com um pot-pourri de amiguinhos: bactéria e aquele bolor amarelo.
Sobraram, portanto 4 potes. Dois colonizaram há um bom tempo e decidi os aprisionar em saquinhos e guardar na parte de baixo da geladeira, enquanto o resto, ou pelo menos mais um pote coloniza, o que felizmente, será em breve.
Estes são os ainda em processo:
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esses vidros são de 500ml,? potes ou vidros grandes sempre levam mais tempo pra colonizar, o que sempre abre mais chances pra contaminantes. Uma época eu tinha esse hábito de usar vidros grandes, 1L, 800ml, nunca dava muito certo. O bom é dividir em vários potes pequenos. Vai ter a mesma qtde de substrato, e melhores chances na corrida.
 
esses vidros são de 500ml,? potes ou vidros grandes sempre levam mais tempo pra colonizar, o que sempre abre mais chances pra contaminantes. Uma época eu tinha esse hábito de usar vidros grandes, 1L, 800ml, nunca dava muito certo. O bom é dividir em vários potes pequenos. Vai ter a mesma qtde de substrato, e melhores chances na corrida.
Só o grandão é de 500ml, talvez até mais. Um dos que contaminou também. O resto é bem menor. Realmente, vou nas próximas usar só esses potes longos e esguios que colonizam rapidamente. O principal problema do tempo destes dois últimos potes é que eles ficaram muito cheio e não tive como agitar depois da inoculação pra acelerar. Se não fosse isso já teriam colonizado, mas vivendo e aprendendo, estou satisfeita para uma primeira tentativa de spawn e ainda por cima com um grão que eu tive que descobrir como trabalhar.
 
Finalmente atualizando este diário. Dia 06/01 eu preparei meu substrato composto de: 57% pó de coco, 14% vermiculita, 28% húmus. Pasteurizei duas vezes, no dia 06 e dia 07, descompactando e misturando novamente entre uma seção e outra. O método que utilizei, se não me engano, foi retirado de um diário do @Lwalker, e creditado ao @Cosmik. Utilizei um fronha velha e limpa, e compactei o substrato o máximo que pude, encaixando um termômetro culinário no meio. No início coloquei direto sobre o suporte de cozimento a vapor, mas depois ao concluir que muita água subia assim, e com medo de ficar encharcado, coloquei um plástico de polipropileno tapando as saídas de umidade. Pensando agora percebo que meu medo provavelmente foi infundado, acho que teria ficado úmido na medida certa. Enfim, como vi que o calor tinha dificuldade em se instalar na região superior porque a perda de calor era muito excessiva, adaptei uma modo de manter o sistema mais fechado, o que ajudou a otimizar a pasteurização.

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Dia 09/01 montei 5 bulks: 4 em quentinhas de alumínio e um em um pote de sorvete. A proporção spawn x casing ficou 1:2,5, por aí. E aí vem a cagada: eu coloquei a parte de papel para baixo e a parte metálica para cima, e não me toquei. Fiz em cada tampa 3 furos cobertos com micropore e embalei com plástico PVC fazendo um furinho sobre cada furo da tampa, de forma que houvesse troca gasosa. Mesma coisa com o pote de sorvete. Hoje, 23/01 fui abrir os bulks e estavam sem nenhuma contaminação, mas o papel tinha grudado no micélio e este tinha digerido bastante celulose, formando umas bolhinhas gelatinosas cheias de água. Tive que pegar uma faca e raspar os restos de papel. (n)

Ficaram assim:
IMG_6966.JPG

E aqui o pote sortudo:
IMG_6973.JPG :contente:

O plano agora é fazer um casing nas quentinhas e dar uns dois dias pro micélio cicatrizar antes de aniversariar e aniversariar hoje só o pote de sorvete.

Abraços, cogumeleiros! E lembrem-se: alumínio pra baixo. :LOL:
 
Finalmente atualizando este diário. Dia 06/01 eu preparei meu substrato composto de: 57% pó de coco, 14% vermiculita, 28% húmus. Pasteurizei duas vezes, no dia 06 e dia 07, descompactando e misturando novamente entre uma seção e outra. O método que utilizei, se não me engano, foi retirado de um diário do @Lwalker, e creditado ao @Cosmik. Utilizei um fronha velha e limpa, e compactei o substrato o máximo que pude, encaixando um termômetro culinário no meio. No início coloquei direto sobre o suporte de cozimento a vapor, mas depois ao concluir que muita água subia assim, e com medo de ficar encharcado, coloquei um plástico de polipropileno tapando as saídas de umidade. Pensando agora percebo que meu medo provavelmente foi infundado, acho que teria ficado úmido na medida certa. Enfim, como vi que o calor tinha dificuldade em se instalar na região superior porque a perda de calor era muito excessiva, adaptei uma modo de manter o sistema mais fechado, o que ajudou a otimizar a pasteurização.
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Dia 09/01 montei 5 bulks: 4 em quentinhas de alumínio e um em um pote de sorvete. A proporção spawn x casing ficou 1:2,5, por aí. E aí vem a cagada: eu coloquei a parte de papel para baixo e a parte metálica para cima, e não me toquei. Fiz em cada tampa 3 furos cobertos com micropore e embalei com plástico PVC fazendo um furinho sobre cada furo da tampa, de forma que houvesse troca gasosa. Mesma coisa com o pote de sorvete. Hoje, 23/01 fui abrir os bulks e estavam sem nenhuma contaminação, mas o papel tinha grudado no micélio e este tinha digerido bastante celulose, formando umas bolhinhas gelatinosas cheias de água. Tive que pegar uma faca e raspar os restos de papel. (n)
Ficaram assim:
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E aqui o pote sortudo:
View attachment 87549 :contente:
O plano agora é fazer um casing nas quentinhas e dar uns dois dias pro micélio cicatrizar antes de aniversariar e aniversariar hoje só o pote de sorvete.
Abraços, cogumeleiros! E lembrem-se: alumínio pra baixo. :LOL:

Show esse pote de sorvete, que micélio!!! Tem noção de quanto tempo leva pra colonizar um pote desse? Estou com um desse incubando com 33 dias.
 
Última edição:
Tem noção de quanto tempo leva pra colonizar um pote desse?

Obrigada! É um bulk, e demorou 15 dias pra chegar nesse estado, certamente podia ter deixado menos. 33 dias?:eek: Você está fazendo um bolo desse tamanho ou um bulk? Desculpe a demora em responder. :)

Bom, há umas 24 horas observei pins, mas só agora tive tempo de fotografar e postar. O que posso relatar de antemão é que os bulks do terrário com borbulhador estão se desenvolvendo muito mais rápido e possuem muito mais pins, ou seja, a troca de ar faz muita diferença nesse quesito.

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(terrário com borbulhador)

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(terrário sem borbulhador)
 
Obrigada! É um bulk, e demorou 15 dias pra chegar nesse estado, certamente podia ter deixado menos. 33 dias?:eek: Você está fazendo um bolo desse tamanho ou um bulk? Desculpe a demora em responder. :)

Bom, há umas 24 horas observei pins, mas só agora tive tempo de fotografar e postar. O que posso relatar de antemão é que os bulks do terrário com borbulhador estão se desenvolvendo muito mais rápido e possuem muito mais pins, ou seja, a troca de ar faz muita diferença nesse quesito.
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Sim é um "bolo" fiz com o 'restinho' de milho que sobrou. Com 38 dias hj. Vi aqui no CM que o micélio pode durar de 2 a 3 meses, porém vai enfraquecendo...
 
Sim é um "bolo" fiz com o 'restinho' de milho que sobrou.
Fez um bolo com milho? Com o milho já colonizado? Seria um bulk ou um bolo? O que misturou com esse milho?

Passaram 24 horas e as crianças estão a todo vapor. Vai aí um pouco de pin porn pra quem curtir. :D
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