Para a realização do procedimento são necessários alguns conhecimentos básicos que já foram largamente descritos aqui no fórum.

Materiais:

  1. Pote de sorvete;
  2. Seringa com esporos;
  3. Frasco com fonte de carboidratos a escolha (milho, arroz, trigo, centeio etc.);
  4. Materiais para substrato nitrogenado a escolha (esterco, café, pó de coco etc.);
  5. Prego e martelo ou máquina de solda pra furar o pote de sorvete;
  6. Saco plástico para assar alimentos em forno (facilmente encontrado em supermercados);
  7. Fita durex e/ou micropore e/ou fita isolante.

A Lógica


Os potes de sorvete, pelo menos os das melhores marcas, são de polipropileno, ou seja, resistentes à pressão, assim como o saco plástico de forno. Em vez de fazer o bulk em quatro etapas - uma para a produção de inóculo (spawn), outra para a produção do substrato nitrogenado, outra para a mistura de ambos e outra para a colocação da camada de casing - faz-se em duas etapas segundo o procedimento abaixo. Não há a separação entre o substrato inóculo (spawn) e o substrato inoculado (bulk), eles são misturados antes mesmo da inoculação.

O Procedimento


1. No pote de sorvete são feitos dois furos, um em cada lado, que servirão de orifícios para a inoculação.

2. Adiciona-se o substrato nitrogenado já umedecido até cerca de 3/4 da altura do pote.

3. Próximo aos buracos adiciona-se uma linha com 2-3 cm de altura de fonte de carboidratos (grãos). Para cada pote de sorvete, usa-se um frasco com grãos (fig. 1). Dependendo do grão utilizado, é necessário tratá-lo antes. Se for milho, por exemplo, ele deve ter sido deixado de molho e/ou fervido para reter umidade em seu interior.

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4. Cobre-se o pote com o saco plástico deixando uma sobra dos lados e fecha-se o pote com a tampa que vem nele. Atenção: os buracos não devem ser obstruídos para permitir a saída do vapor. (fig. 2)

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5. O pote é posto na panela de pressão e todo o substrato é esterilizado por 1 hora.

6. Após o resfriamento, abre-se a panela de pressão e com um rápido movimento aperta-se o plástico contra o pote para tapar os buracos de inoculação. Passa-se uma fita durex ou fita isolante em torno do saco para prendê-lo ao pote.

7. Faz-se a inoculação através dos buracos feitos no pote. Como o saco foi colado ao pote, será necessário furar ele também. Assim, logo após a inoculação, cola-se uma fita durex ou micropore para tapar o buraco feito pela agulha. É recomendável que se faça movimentos laterais com a seringa a fim de acertar a maior parte possível da linha de grãos. Aproximadamente 2 cc por furo é suficiente. Nesta etapa pode-se retirar a tampa a fim de ver melhor o esguicho da seringa. (fig. 3)

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8. O pote é deixado no escuro para incubação. Leva de três semanas a um mês e meio para que o substrato esteja em boas condições de frutificação. A tampa poderá ser retirada de vez em quando para observar a colonização. A função do saco plástico é a de proteger o substrato de contaminação enquanto se observa a colonização através dele.

9. Quando a colonização do substrato se completa, abre-se o pote em condições assépticas, retira-se o saco plástico e adiciona-se a camada de casing de preferência fechando tudo logo em seguida.

10. Quando os sinais de colonização da camada de casing estiverem no ponto, coloca-se o pote dentro de um balde ou um saco grande que servirá de estufa. Retira-se a tampa e depois o saco, deixando o pote aberto. Fecha-se a estufa que deverá será abanada de 2 a 3 vezes ao dia. Em poucos dias, pins surgirão.

Observações:


1. Além dos grãos próximos aos furos, pode-se misturar alguns grãos no substrato nitrogenado.

2. Não é aconselhável agitar o pote após a inoculação. É melhor deixar que o micélio siga o fluxo que seguiria num cultivo bulk normal, ou seja, que colonize antes os grãos para depois colonizar o substrato nitrogenado.

3. Pode-se usar qualquer pote além do de sorvete, desde que seja resistente à pressão.

4. O único cuidado que se deve ter na frutificação é promover a troca de ar, nada mais.

5. Diferentemente da colonização em grãos, a colonização de substratos nitrogenados exige mais tempo de maturação, portanto não se deve considerar totalmente apto o substrato que tem toda a superfície colonizada. Quanto mais tempo levar a incubação (não mais que dois meses) mais a rede micelial estará apta a transportar nutrientes e desenvolver cogumelos grandes e densos. O método de linha de grãos é proposital quanto a demora na colonização.

Algumas fotos:
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#1 Pote lacrado com o saco
#2 Visão de cima do pote
#3 Quinto flush de PESA
#4 Idem
#5 Estufa com balde e saco plástico
#6 Fruto grande
#7 Quarto flush de TAZ