Quais melhores métodos para curar depressão e ansiedade ?

milton.pimentel

Esporo
Membro Novo
Meus Caros, tenho problemas de depressão e ansiedade, acho que desde sempre. Certas alturas da minha vida mais evidentes, e sinto que este estado depressivo me corrompe minhas relações quer familiares quer com relacionamentos amorosos, quer com amigos.

Eu já tive uma experiência com cogumelos, consumi 3 gr de cogumelos e foi realmente profundo. A viagem começou numa badtrip, em que eu estava na praia com dois amigos e as caras deles se transformaram em figuras assustadoras e o céu estava todo arder. Estive quase por duas horas assim, até que desisti e só pensava que daqui a umas horas ia passar aquele sentimento ruim. No entanto, no que estava a ser a pior experiência da minha vida se tornou na melhor experiência.

Essa experiência acho que me mudou, a minha forma de pensar, e de olhar para a natureza e o mundo. Acredito que os cogumelos podem realmente fazer parte da minha cura. Mas eu não quero só isso, quero-me tornar numa pessoa melhor, mais confiante, mais calorosa, mais sorridente, com mais energia e mais alegria.

Eu vou ter em breve cogumelos, e queria saber como e em que quantidades devo tomar.

Dúvidas:
1. Devo tomar uma quantidade significativa, ou fazer um tratamento de microdoses?
2. Se tomar numa quantidade significativa, quantas gr me aconselham?
3. Posso fazer sessões de audio de auto-hipnose com cogumelos, ou será desaconselhado por mexer muito com o nosso inconsciente?
4. Tenho lido umas teorias sobre sons “ binaural beats”, será que são uma boa opção para ouvir quando estiver na viagem?
5. Quando estiver na viagem devo me focar em pensamentos positivos, ou focar nos meus problemas ou no que eu acho que são os meus problemas?


Agradeço a vossa ajuda, eu quero realmente fazer as coisas direitas. Se calhar tou a pedir de mais aos cogumelos, mas a minha primeira e única experiência foi tão marcante que acredito que este é o caminho.
 

Priscillocibina

Hifa
Membro Ativo
Olá!
Muitas pessoas que conheço, inclusive minha mãe, tem tomado microdoses 1x a cada 3 dias (conforme a indicação do James Fadiman), (0,1g) e tem tido resultados muito bons para tratar depressão e ansiedade.
Acho que as micros ajudam na concentração para auto-hipnose.

Sobre macrodoses, experimente tomar uma quantidade entre 0,8g e 1g de cogumelos de veez em quando... é uma quantidade que acho ótima pois vc não sai tanto da realidade material e do pensamento racional, e ao mesmo tempo tem uma consciência muito ampliada sobre os próprios processos e sobre o dia a dia de maneira geral.

Sobre se deve focar em coisas boas ou em problemas... normalmente os conteúdos da psique que precisam ser trabalhados emergem naturalmente com o uso de psicodélicos... mas pode ser uma boa focar em uma determinada questão que vc acha que possa ser o problema (principalmente em quantidades menores, como as de 1g)

Abraço!
 

sankhara

Cogumelo maduro
Membro Ativo
Olá Milton,

Desculpa a minha observação.

Começas o Post com a seguinte pergunta:
"Quais melhores métodos para curar depressão e ansiedade ?"

E depois as perguntas que fazes têm a ver com o consumo de cogumelos.


Consegues ser um pouco mais explícito?

Queres que te ajudemos com formas de curar a depressão e ansiedade ou estás á procura de o fazer usando cogumelos?

Abraço
 

milton.pimentel

Esporo
Membro Novo
Olá Milton,

Desculpa a minha observação.

Começas o Post com a seguinte pergunta:
"Quais melhores métodos para curar depressão e ansiedade ?"

E depois as perguntas que fazes têm a ver com o consumo de cogumelos.


Consegues ser um pouco mais explícito?

Queres que te ajudemos com formas de curar a depressão e ansiedade ou estás á procura de o fazer usando cogumelos?

Abraço
Olá, sim eu queria curar-me usando cogumelos. Porque tenho lido muito artigo a favor. Mas queria seguir um método, tratamento.

Obrigado

Olá!
Muitas pessoas que conheço, inclusive minha mãe, tem tomado microdoses 1x a cada 3 dias (conforme a indicação do James Fadiman), (0,1g) e tem tido resultados muito bons para tratar depressão e ansiedade.
Acho que as micros ajudam na concentração para auto-hipnose.

Sobre macrodoses, experimente tomar uma quantidade entre 0,8g e 1g de cogumelos de veez em quando... é uma quantidade que acho ótima pois vc não sai tanto da realidade material e do pensamento racional, e ao mesmo tempo tem uma consciência muito ampliada sobre os próprios processos e sobre o dia a dia de maneira geral.

Sobre se deve focar em coisas boas ou em problemas... normalmente os conteúdos da psique que precisam ser trabalhados emergem naturalmente com o uso de psicodélicos... mas pode ser uma boa focar em uma determinada questão que vc acha que possa ser o problema (principalmente em quantidades menores, como as de 1g)

Abraço!
Olá
Eu vi umas coisas sobre os estudos de Robin C. Harris, e suponho que os tratamentos que ele estuda e que tem tido sucesso é com macrodoses altas. Acho que não tou enganado. É de facto a viagem entusiasma-me, mas tenho receio também. Mas é a minha dúvida, encontrar o melhor método.
Eu não estou desesperado, nem quero ter pressa. Só estou numa fase de procurar o melhor para mim.
Obrigado
 
Editado por um moderador:

sankhara

Cogumelo maduro
Membro Ativo
Desculpa Milton. Porque não tentas tratamentos conservadores com a ajuda de um profissional? Porque pensas qeu terás melhores resultados com algo que é ainda experimental como o uso de psicadélicos?
Abraço
 

Didgeridoo

Hifa
Membro Novo
@milton.pimentel do meu ponto de vista a questão de microdose ou dose completa é bem pessoal. Porque você não experimenta?

Não sofro de depressão nem ansiedade, mas já tive experiência com microdoses (0,1g) até doses altas (6g).
A dose completa requer um preparo interno maior, então se você estiver passando por um momento mais intenso, fica mais difícil fazer esse preparo e a experiência pode acabar não trazendo a ajuda que você necessita.
As microdoses são mais fáceis de serem ministradas e você percebe sutilmente alguma diferença, pode te trazer ânimo, melhora no humor. Eu ficaria com as microdoses de início, até sentir que está preparado para uma experiência de dose completa, aumentando a dosagem até chegar na sua ideal.

Como @sankhara disse, você pode se beneficiar muito com a ajuda de um profissional, existem diversas abordagens que se adaptam melhor a cada um, de acordo com sua individualidade. Tenho certeza que você consegue encontrar alguém que consiga te entender e ajudar.

Vale lembrar também que a alimentação é um fator importantíssimo quando falamos de ansiedade, depressão e as experiências psicodélicas. Utilize probióticos (vegetais fermentados, kombucha), se for carnista diminua o consumo de animais (energia pesada), aqui podemos dar diversas dicas interessantes, pesquise e faça o que deixar sua consciência e seu corpo limpos, assim abre caminho para a medicina dos cogumelos atuar com total eficácia.

Boa sorte! (y)
 

morpheu

Primórdia
Membro Ativo
Percebo que cada vez mais os alucinógenos estão sendo usados como muleta, escapismo e fuga, principalmente agora com essa modinha das microdoses.

O argumento de quem defende o uso de alucinógenos para tratar depressão e ansiedade é que os alucinógenos não causam dependência, não têm efeitos colaterais e não fazem mal à saúde como os remédios psiquiátricos. Mas o que os defensores dos alucinógenos esquecem é que, em primeiro lugar, o próprio ato de tentar acabar com o sofrimento só gera ainda mais sofrimento, pouco importa qual meio se utilize para isso, se são alucinógenos, microdose de droga, remédios psiquiátricos, álcool, maconha, sexo, religião, entretenimento, ou outras formas de fuga; em segundo lugar, que nenhuma coisa, nenhuma pessoa, nenhuma circunstância, nenhuma religião, nenhum deus, nenhuma substância química, absolutamente nada é capaz de fazer alguém feliz (o problema é que nós só percebemos e aceitamos esse fato depois de ter quebrado a cara vezes sem conta). Se você acha que precisa de uma droga pra ser “feliz”, então também encare o fato de que sem a droga você será infeliz. Se você investe sua “felicidade” em algo limitado, transitório, fugaz e impermanente como uma droga, a sua “felicidade” também será limitada, transitória, fugaz e impermanente. E mesmo que você passe o resto da sua vida usando droga para anestesiar o seu sofrimento, lembre-se que, quando a morte chegar, você não poderá levar a droga junto com você.

Além do mais, se essas matérias e artigos que associam cogumelos à cura de depressão fossem realistas em vez de tendenciosos, eles não falariam que cogumelos ajudam a tratar e curar a depressão, mas sim que cogumelos fazem pessoas que antes sabiam que eram infelizes passarem a se enganar achando que são felizes. Verdadeira felicidade não depende de nada nem de ninguém.
 

Ecuador

Artífice esporulante
Administrador
Belo incentivo, @morpheu.

Nem sei o que pensar. Se o seu sofrimento o leva a querer desestimular outros a deixarem de sofrer, ou se você não tem mesmo noção do sofrimento alheio.

A capacidade de acabar com o sofrimento, de uma vez por todas, só está em nós, realmente. Ninguém vai acabar com o sofrimento, de verdade, recorrendo a fatores externos. Entretanto, quando a pessoa está em uma onda brava de sofrimento, nada como um alívio que a permita pensar melhor. E nisso os psicodélicos, assim como outro métodos, podem sim ajudar.

Não quer dizer que esses métodos vão curar alguém. Certos processos podem mesmo atravessar toda a vida. Mas isso também pode ser visto como um aprendizado.


Se decidir ir pelo caminho dos cogumelos, @milton.pimentel, vá com cuidado. Há alguns relatos sugestivos pelo fórum, mas é algo bem experimental, conforme já escreveram antes no tópico.
 

morpheu

Primórdia
Membro Ativo
Se o seu sofrimento o leva a querer desestimular outros a deixarem de sofrer
Não tem como uma pessoa deixar de sofrer. Isso é uma contradição lógica. Estimular o outro a deixar de sofrer é querer que ele se iluda e quebre a cara.

Entretanto, quando a pessoa está em uma onda brava de sofrimento, nada como um alívio que a permita pensar melhor.
Onda de sofrimento essa que a pessoa mesma criou. Plantou vai ter que colher. Mas como nós plantamos sofrimento e não queremos colher sofrimento, nós precisamos recorrer aos cogumelos para nos eximir de colher os frutos de nossas ações. Nós mesmos criamos o nosso sofrimento, mas queremos que uma droga o resolva.

E é engraçado que, se uma pessoa busca alívio para o sofrimento no álcool ou em drogas pesadas, nós dizemos que ela está fugindo da “realidade”; se uma pessoa busca alívio para o sofrimento se suicidando, nós dizemos que ela foi fraca e covarde; mas se uma pessoa vai fazer terapia, vai tomar antidepressivos, vai usar cogumelos, aí nós não dizemos que ela está fugindo da “realidade” e que ela é fraca e covarde, nós dizemos que ela está buscando tratamento e ajuda. Nós aprovamos algumas formas de fuga e desaprovamos outras, mas o que nós não percebemos é que todas as formas de fuga, embora superficialmente pareçam diferentes, no fundo são iguais. A diferença básica entre elas é que algumas, como álcool e drogas pesadas, deixam bem explícito logo de cara que não resolvem e só pioram o problema, enquanto outras, como terapia e alucinógenos, podem dar a impressão de que estão resolvendo alguma coisa e provocando alguma melhora. Mas esse aparente bem-estar provocado pelos alucinógenos uma hora vai chegar ao fim, da mesma forma que o aparente bem-estar de encher a cara (a “felicidade” causada pelos cogumelos pode até ser mais duradoura, mas ainda assim tem vida curta [dizem que a “felicidade” dos alucinógenos pode durar vários dias depois da viagem, mas mesmo assim ela é efêmera, e muitas vezes basta acontecer uma pequena tragediazinha num desses dias após a experiência para que se perceba como essa “felicidade” pós-lombra é frágil e facilmente perturbada]). Alguém poderia dizer que os alucinógenos não são escapismo porque a própria experiência alucinógena pode ser extremamente desagradável; mas, de qualquer forma, o usuário só aceita correr o risco de passar por uma bad trip porque ele espera que, quando a viagem passar, ele não vai mais ter depressão e ansiedade, por exemplo; ou seja, ele aceita passar por umas horinhas de sofrimento, mas só porque ele tem a esperança de que essas horinhas de sofrimento vão acabar com um outro sofrimento dele; continua sendo fuga, da mesma forma que uma pessoa que se embriaga para esquecer os problemas sabe muito bem que, quando a bebedeira passar, a ressaca vai fazê-la sentir-se bem mal, mas nem por isso ela deixa de usar o álcool como um escapismo. Também poderiam dizer que os alucinógenos não são fuga porque eles vão direto à causa do problema, mas isso não é verdade, as pessoas apenas se enganam achando que os alucinógenos vão até a raiz do problema.

Aliás, engano é o que não falta entre os usuários de alucinógenos. Por exemplo, muitos deles (e não só usuários de alucinógenos, mas espiritualistas em geral) se dizem livres do ego (para usar a palavra que eles tanto gostam de usar), quando as suas atitudes revelam exatamente o contrário (por exemplo, tem uns que pregam que somos todos um e que estão libertos do ego, mas basta alguém falar algo de que eles discordam para eles já ficarem com raiva do coleguinha). Acaba sendo um discursinho que fica só da boca pra fora, um discursinho mais vazio e falso que propaganda política. A propósito, muitos deles nem sequer sabem exatamente o que quer dizer a palavra “ego”, só ficam repetindo essa palavra a torto e a direito para pagar de entendidos e porque veem que ela é bastante usada pelos usuários de alucinógenos e espiritualistas. Tem uns que acham que ego é o lado ruim da pessoa; tem outros que acham que é sinônimo de egoísmo, arrogância e sensação de superioridade; tem outros que falam mal do ego, mas enaltecem a alma e o espírito (eles não percebem que “ego” e “alma” ou “espírito” são palavras diferentes que indicam o mesmo fenômeno, isto é, individualidade, subjetividade, “eu”).

De resto, de nada adianta buscar um alívio do sofrimento, porque cada situação de que nós fugimos e a que opomos resistência acabará voltando para nós. Podem demorar meses, anos, décadas, séculos, milênios, mas uma hora ela volta, e vai continuar voltando eternamente até que nós tenhamos aceitado-a e aprendido com ela o que temos que aprender. Mas como nós não estamos dispostos a aprender com o sofrimento o que ele tem para nos ensinar, nós vamos usar cogumelos para afastar o sofrimento o mais rápido possível sem nem sequer tê-lo compreendido para que assim nós possamos continuar vivendo estagnados na nossa ignorância habitual.
 

Priscillocibina

Hifa
Membro Ativo
As drogas nao sao todas iguais, seus efeitos fisicos, psiquicos, sociais sao muito diferentes. Nao da pra colocar alcool e cogumelo no msm saco e equipara-las reduzindo-as à mesma classe de "droga", embora ambas, assim como qlq outra coisa (tipo corrida e trabalho) possam ser usadas de maneira abusiva, ou "escapista", ainda q esse abuso possa ser visto como uma tentativa de automedicacao por parte do sujeito. "Psicodelicos" é toda uma classe de drogas muuuuito diferente do alcool, cocaina, opioides, etc.

Considerando isso, a palavra "psicodélico" significa manifestaçao da mente, principalmente da mente inconsciente. Um uso com set, setting e substância adequados tem um potencial terapeutico enorme por permitir que conteudos dolorosos mantidos inconscientes possam emergir, facilitando trabalha-los.

A diferença entre o uso de psicodelicos pra tratar depressão, do uso de antidepressivos existentes no mercado, é justamente pq o psicodélico permite uma vivencia (normalmente dolorosa) daquilo que a pessoa precisa trabalhar dentro de si para curar-se ou melhorar (potencializam uma possibilidade terapeutica); enquanto os medicamentos atuais simplesmente mascaram os sintomas, podendo ser util (facilitando uma terapia) ou nao para as pessoas em sofrimento (alem de terem muitos efeitos colarerais).

Ja fizeram bastante experimentos cientificos bem controlados, principalmente com macrodoses, no qual a pessoa é acompanhada por 2 terapeutas durante toda a viagem. Claro que faltam estudos na area e eles deveriam ser feitos pois sao muito promissores... apenas nao o sao pq psicodelicos ainda sao tabu na academia (se ja é tabu em um forum como esse, imagina fora...) Vale a pena ler algo do que ja foi feito antes de afirmar qlq certeza. A MAPS se reune a cada dois anos para divulgar pesquisas cientificas com diversos psicodelicos, tem mts apresentacoes no youtube.

Se alguem acha q terapia é escapismo... aposto q nunca tentou (ou n aguentou) 1 mes de terapia. Terapia é um movimento muito sadio que uma pessoa faz em direçao à saude mental e evoluçao pessoal, e é dificil e doloroso demais... exige coragem, respeito próprio e muita determinaçao pra mudança. Os psicodelicos podem facilitar e ate agilizar muito um processo terapeutico.

Um dos figuroes pesquisadores de psicodelicos (q n me recordo o nome agora) disse algo do tipo: os psicodelicos estao para a psicologia e psiquiatria assim como o telescopio esta para a astronomia. Creio q nao poderia haver analogia melhor.

Isso nao quer dizer que é ideal pra todo mundo, mas pode ser muito bom pra muita gente, entao vale a pena deixar as preconcepcoes de lado e informar-se.

O desconhecimento dá margem para muitos preconceitos serem tomados como verdades. É importante termos cuidado com o que achamos que sabemos, pois corremos o risco de perpetuar uma visao distorcida sobre a realidade (perpetuando assim uma realidade de fato)
 

Ecuador

Artífice esporulante
Administrador
Não tem como uma pessoa deixar de sofrer.

Não mesmo? Em que nível?

Se alguém pegar a sua mão e começar a martelar você vai querer que ele pare, e consequentemente deixar de sofrer, ou não? E ele pode parar, ou não?

Se alguém tem uma pneumonia deve se deitar e esperar melhorar ou um desfecho fatal, ou ir para um hospital tomar antibiótico? O que você faria nessa situação?

No fundo o desejo de todos os seres é não sofrer nunca. E tem quem diga que é alcançável. Você parece pensar que não, mas é a sua opinião. Aceitar as situações é diferente de simplesmente aceitar o sofrimento. Aceitar não impede de agirmos de modo construtivo em relação à situação, inclusive para diminuir o sofrimento. Se você sofre e se afunda no sofrimento pode estar é criando um padrão que vai se repetir, eternamente, como você mesmo disse.

Mesmo o plantou vai ter que colher não é consenso. De novo, há opiniões diferentes. Há quem acredite em transcender tudo isso.

É claro que todas as causas externas de felicidade, ou de melhora do sofrimento, são temporárias. E se confiarmos nelas como recurso último vamos nos decepcionar. Mas não é essa a ideia. Assim como eu como um prato de comida quando estou com fome, mesmo sabendo que terei fome de novo amanhã, alguém pode usar cogumelos ou remédios para tratar alguma condição. A questão toda é a perspectiva e como vamos considerar cada recurso que temos.
 

morpheu

Primórdia
Membro Ativo
Se alguém pegar a sua mão e começar a martelar você vai querer que ele pare, e consequentemente deixar de sofrer, ou não? E ele pode parar, ou não?
Poder parar de martelar, ele pode. Mas quem disse que isso faria o sofrimento acabar? No máximo ia acabar com a dor da mão. O simples fato de estar vivo já é extremo sofrimento.

Se alguém tem uma pneumonia deve se deitar e esperar melhorar ou um desfecho fatal, ou ir para um hospital tomar antibiótico?
Se puder ir para um hospital tomar antibiótico, que vá. Mas, se não puder, então só lhe restará aceitar a pneumonia, pois vai ser ainda pior se ele não aceitar. É como dizem as pessoas, aceita que dói menos.

E aceitar o sofrimento não tem nada a ver com não lidar mais com os problemas da vida na medida do possível. Pode-se muito bem lidar com os problemas sem no entanto ficar se preocupando com eles e dando-lhes uma importância que eles definitivamente não têm. É possível viver como se a vida fosse um jogo como The Sims: se o seu personagem fica doente, você o leva ao médico, mas você não fica se angustiando por causa da sua doença. Com a vida é a mesma coisa, você pode tentar melhorar as situações, mas, caso não seja possível melhorá-las, você pode muito bem não se importar com isso e não deixar que isso lhe tire a paz.

Mas com os assim chamados problemas psicológicos é bem diferente, porque todos eles são causados única e exclusivamente por nós mesmos. Não sou eu quem cria as marteladas que eu levo na mão nem a pneumonia que se instala no meu corpo, mas sou eu sim quem cria, por exemplo, a minha depressão e a minha ansiedade, à medida que eu resisto àquilo que é (pois sofrimento não é nada além do que a resistência àquilo que é) e dou às coisas uma importância que elas não têm (embora, é claro, sempre joguemos a culpa pelos nossos sofrimentos em algum outro qualquer, como quando dizemos, para citar um exemplo, que certos casos de depressão são causados por um desequilíbrio químico cerebral [eu só queria saber se quem faz esse tipo de afirmação já vasculhou o cérebro de alguém depressivo com um microscópio e de fato encontrou lá esse tal desequilíbrio químico, ou se está apenas repetindo e acreditando no que lhe contaram {poderia vir um cientista aqui e falar que ele já fez sim certos exames que mostram que o cérebro de pessoas com depressão apresenta diferenças frente ao cérebro de pessoas “normais”, mas isso não prova absolutamente nada: o fato de que um exame mostra que o cérebro de um depressivo está de modo X e que o cérebro de um não depressivo está de modo Y não prova de forma alguma que o modo X do cérebro é que é a causa da depressão; isso é apenas mais um dos achismos não questionados da ciência}]).

E não se resolve um problema psicológico da mesma maneira que se resolve um problema fisiológico, porque, dado que somente eu sou o responsável pela minha depressão e pela minha ansiedade, somente eu posso resolvê-las. Um médico pode sim tratar e curar uma pneumonia, mas nenhum psicólogo ou psiquiatra pode acabar com o sofrimento do seu paciente (no máximo o paciente pode se iludir achando que o problema está sendo resolvido).

No fundo o desejo de todos os seres é não sofrer nunca.
Por isso que todo mundo vive em constante frustração: eles desejam algo impossível.

E olha só que contradição, ninguém quer sofrer, mas diariamente fazemos de tudo para criar montanhas e mais montanhas de sofrimento para nós mesmos. Isso acontece porque no fundo nós queremos sofrer sim, sem sofrimento nós não nos sentimos vivos, nós nos alimentamos e dependemos dele. Quando não temos mais nenhum problema para nos atormentar, nós mesmos vamos lá e criamos um.

E tem quem diga que é alcançável.
Quem diz isso?

Aceitar as situações é diferente de simplesmente aceitar o sofrimento.
Na verdade sofrimento não é nada mais do que resistência às coisas como elas são. Nós só sofremos porque não aceitamos as situações do modo como se apresentam. E quando nós resistimos, tentamos fugir e lutamos contra o sofrimento, isso só gera mais sofrimento (embora possa parecer que não), visto que é apenas mais resistência àquilo que é.

O problema é que nós queremos opor resistência aos fatos e ao mesmo tempo não sofrer, como se isso fosse possível. O sofrimento é a forma que a vida tem para nos dizer que estamos negando aquilo que é e desejando aquilo que deveria ser, e, portanto, ele é um grande professor, mas sofrer só não é o suficiente, porque sofrer todo mundo sofre; para que se adquira a sabedoria que o sofrimento tem para nos oferecer, é preciso aceitá-lo, o que pouquíssimas pessoas fazem (a grande maioria quer permanecer na sua zona de conforto e no seu condicionamento habitual e por isso vai correndo pra debaixo da saia dos terapeutas, remédios, alucinógenos, religiões e outras formas de fuga).

Se você sofre e se afunda no sofrimento pode estar é criando um padrão que vai se repetir, eternamente
Se eu estou sofrendo, em vez de tentar fugir do sofrimento, o melhor a se fazer é compreender o sofrimento no qual eu já estou, o que não quer dizer criar ainda mais sofrimento para mim mesmo.

O problema é que nós queremos superar o sofrimento sem nem sequer tê-lo entendido em sua profundidade e totalidade.

Mesmo o plantou vai ter que colher não é consenso. De novo, há opiniões diferentes. Há quem acredite em transcender tudo isso.
Quem acredita nisso? E pelo menos você reconhece que é apenas uma crença.

Lugar de crença é na lata de lixo.

É claro que todas as causas externas de felicidade, ou de melhora do sofrimento, são temporárias.
E pra que se esforçar e perder tempo correndo atrás de ninharias efêmeras? Que valor pode ter uma felicidade temporária? A gente se contenta com cada mixaria...

Se hoje eu não consigo enfrentar sozinho o meu sofrimento, não vai ser amanhã que eu vou conseguir. Se a cada vez que surgir uma depressão e um problema, eu tiver que recorrer a um cogumelo ou a um remédio, então eu vou ter que ficar o restante da eternidade só usando cogumelo e remédio (ou seja, vou me tornar um escravo da droga), pois sempre haverá uma depressão e um problema novos. Não tem essa de “vou usar cogumelo só dessa vez para ter um alívio temporário, na semana que vem eu me responsabilizo pela minha felicidade”, não adianta deixar para o futuro, é agora ou nunca.

Assim como eu como um prato de comida quando estou com fome, mesmo sabendo que terei fome de novo amanhã, alguém pode usar cogumelos ou remédios para tratar alguma condição.
Há uma diferença bem grande entre comer um prato de comida e tentar tratar depressão e ansiedade usando remédio e cogumelo. Eu não me alimento esperando que a comida vá acabar com o meu sofrimento e me fazer feliz, mas sim por uma questão de sobrevivência e por uma necessidade fisiológica. Quando eu uso alucinógenos ou medicamentos com o objetivo de ser feliz e de eliminar o sofrimento, eu vou quebrar a cara, posto que a busca pela felicidade já é a própria infelicidade e a tentativa de eliminar o sofrimento só o reforça ainda mais.

De resto, uma felicidade ilusória é um perigo ainda maior do que uma depressão, e toda felicidade gerada por um fármaco ou por um cogumelo será sempre ilusória, pois, por mais que eu use fármacos e cogumelos, eu vou continuar acreditando, sentindo e pensando ser um indivíduo, e nenhum indivíduo pode jamais ser feliz. Para que haja felicidade o indivíduo deve desaparecer completamente.

As drogas nao sao todas iguais, seus efeitos fisicos, psiquicos, sociais sao muito diferentes. Nao da pra colocar alcool e cogumelo no msm saco e equipara-las reduzindo-as à mesma classe de "droga", embora ambas, assim como qlq outra coisa (tipo corrida e trabalho) possam ser usadas de maneira abusiva, ou "escapista"
As drogas podem ser diferentes, mas todas elas podem igualmente ser usadas como escapismo, como você mesma acabou dizendo. A diferença é que quem usa álcool, cocaína e opioides, por exemplo, busca uma fuga extremamente efêmera, enquanto quem usa alucinógenos para tratar depressão e ansiedade busca uma fuga mais duradoura ou até mesmo permanente (como se isso fosse possível).

Um uso com set, setting e substância adequados tem um potencial terapeutico enorme por permitir que conteudos dolorosos mantidos inconscientes possam emergir, facilitando trabalha-los.
Trabalhar conteúdos dolorosos inconscientes é o que realmente importa, ou é apenas distração?

De que adianta trabalhar um conteúdo inconsciente doloroso, se isso não vai me fazer feliz nem fazer com que eu deixe de me enganar e de continuar vivendo no completo desconhecimento de mim mesmo?

Se alguem acha q terapia é escapismo
Posto que uma pessoa faz terapia para escapar do sofrimento que ela mesma criou, é sim escapismo.

aposto q nunca tentou (ou n aguentou) 1 mes de terapia. Terapia é um movimento muito sadio que uma pessoa faz em direçao à saude mental
Não existe saúde mental. A própria mente é uma doença.

e evoluçao pessoal
“Evolução pessoal” já parte de um pressuposto falso, isto é, de que existe uma pessoa para evoluir. De qualquer maneira, uma pessoa pode mudar o quanto quiser, mas nenhuma mudança pessoal vai tirá-la da infelicidade, mediocridade e autoengano que lhes são inerentes.

e é dificil e doloroso demais
Se eu usar álcool, cocaína ou heroína para fugir do sofrimento, quando o efeito passar eu também sentirei bastante dor, e nem por isso eu deixei de usar essas substâncias como escapismo.

Um dos figuroes pesquisadores de psicodelicos (q n me recordo o nome agora) disse algo do tipo: os psicodelicos estao para a psicologia e psiquiatria assim como o telescopio esta para a astronomia.
Psicologia e psiquiatria são um verdadeiro fiasco. E não poderia ser diferente, visto que elas acreditam que mente existe e que é possível, através de determinados métodos e técnicas, “corrigir” a mente de pessoas doentes e infelizes para que elas se tornem saudáveis e felizes. Nunca houve, na Terra, absurdo maior.

O fato de usarem alucinógenos para fomentar esse tipo de mentira deixa bem claro que tipo de “aprendizado” é esse que os alucinógenos dão.
 

Priscillocibina

Hifa
Membro Ativo
Ate concordo com muitas das coisas que vc disse, @morpheu, mas vc esta fazendo muitas generalizacoes. Nao vou fazer isso ponto por ponto mas levanto algumas questões :

- o potencial terapeutico dos psicodelicos vem mais da ampliaçao da consciencia do que da anestesia dos indiviudos (como no caso de drogas alienantes e da medicacao usual antidepressiva, ou de comportamentos viciosos). Ou seja, ninguem esta esperando viver em um oasis psicodelico onde tudo é perfeito e bom , onde nao há sofrimento ou defeito em nada ... muito pelo contrario, a expansao da consciencia esta conectada com saber lidar com a vida, com nós mesmos, com nossa sombra, com as relações, que sao suscetiveis sim a conflitos (é natural e pode ser construtivo se soubermos lidar) , tristezas e contratempos com os quais precisamos aprender a lidar sem apego, deixando sentir e deixando passar. É um aprendizado, ninguem nasceu perfeito e ninguem vai morrer perfeito... nao da pra tudo ser bom o tempo todo assim como nao da pra ser dia o tempo todo, a natureza funciona em ciclos.

- Nao sei qual a ideia que vc tem de terapia, mas ela é toda voltada para o empoderamento do individuo, para que ele se entenda, tenha cada vez mais auto-consicencia e assuma auto-responsabilidade e as rédeas da propria vida.

Maturidade emocional é o foco, não ausência de sofrimento. O sofrimento é inerente à vida, a maneira como lidamos com isso é que faz diferença.

Se alguma terapia prometer "parar de sofrer" ou "corrigir a mente" de alguem pode denunciar pro Conselho Federal de Psicologia que é charlatanismo. Psicologa/o serio jamais prometeria isso.

Neste ponto, acho que é uma critica valida porque o que a industria farmaceutica, uma parte consideravel dos profissionais da saude (principalmente na area da psiquiatria), e uma grande parte da nossa cultura ocidental realmente nao sabe lidar com o sofrimento e recorrem ao medicamento (e drogas) de maneira escapista e potencialmente perversa.
Mas digo outra vez, nao generalize sem saber de fato sobre o que esta falando. Muita gente dentro da psicologia e psiquiatria sao bastante serios na pratica, teoria e experimentaçao. E as pessoas mais serias que tenho visto sao as que estao estudando cientificamente os psicodélicos.

- A gente cria sofrimentos sim, de maneira inconsciente na maioria das vezes. E enquanto as origens do sofrimento ou o proprio sofrimento sao inconscientes, eles te dominam.
Por isso é preciso tomar consciência, e é preciso ajuda (de psicologos, amigos, medicinas, familia, ou de quem ou o que mais puder ajudar cada pessoa) pra gente expandir a consciencia sobre nos mesmos. Nós seres humanos funcionamos em rede, somos gregários por natureza e pela fragilidade da nossa natureza. Ninguém evolui sozinho ou toma consciencia de si sozinho. Apenas tomamos consciencia de nós na relação com o outro.

- curiosidade: vc ja comeu cogumelos magicos? (Se for ofensivo ou se vc se sentir exposto, por favor me desculpe e ignore... nao insistirei em saber)
 

Ecuador

Artífice esporulante
Administrador
Poder parar de martelar, ele pode. Mas quem disse que isso faria o sofrimento acabar? No máximo ia acabar com a dor da mão. O simples fato de estar vivo já é extremo sofrimento.

O que o milton quer saber é tratar a depressão que ele sente. É tão difícil entender isso. Precisa de tanto texto?

Quanto ao sofrimento da vida, aí é um tema mais complexo.

Você parece considerar que a depressão dos outros, talvez a sua própria, é puramente psicológica. Se esse é o caso, considere que pode não ser assim, e que há como tratar. Embora isso, é claro, não vá acabar com o sofrimento em geral. Mas pode acabar com alguma situação debilitante, e dar à pessoa melhores condições para pensar no que fazer.



Quem diz isso?
Procure que você vai achar. Se vai acreditar ou não é outra história.


E pra que se esforçar e perder tempo correndo atrás de ninharias efêmeras? Que valor pode ter uma felicidade temporária? A gente se contenta com cada mixaria...

Se hoje eu não consigo enfrentar sozinho o meu sofrimento, não vai ser amanhã que eu vou conseguir. Se a cada vez que surgir uma depressão e um problema, eu tiver que recorrer a um cogumelo ou a um remédio, então eu vou ter que ficar o restante da eternidade só usando cogumelo e remédio

É simples. Alguns sofrimentos podem simplesmente paralisar a pessoa.

E acho essa abordagem de enfrentar sozinho a depressão, sem pedir a ajuda, sem pensar nas ferramentas que podem ser usadas, francamente perigosa.

Depressão em si é sofrimento, mas não é todo o sofrimento. Nem se resolvendo a depressão você vai deixar de sofrer. Euforia é sofrimento tanto quanto depressão. Mesmo o equilíbrio convive com o sofrimento.


Há uma diferença bem grande entre comer um prato de comida e tentar tratar depressão e ansiedade usando remédio e cogumelo. Eu não me alimento esperando que a comida vá acabar com o meu sofrimento e me fazer feliz, mas sim por uma questão de sobrevivência e por uma necessidade fisiológica.
Não vejo assim. A pessoa usa cogumelo e remédio não para acabar com o sofrimento, mas para tratar depressão e ansiedade. Não é diícil entender. Assim como outro come para deixar temporariamente de sentir fome.

Se, no caso pouco frequente, mas que acontece, da depressão ser causada pro um fator conhecido, como deficiência de B12, o certo é tomar B12 e se recuperar. Se você não conhece o fator causal, mas tem um recurso que pode ajudar, vai deixar de usar por quê? Não se preocupe, mesmo que a depressão amenize ou cesse totalmente, vai restar sofrimento para você lidar com.


E não se iluda pensando que vai simplesmente desaparecer com o indivíduo, e junto com o sofrimento. Isso é tão escapismo quanto projetar uma fonte externa de felicidade em uma droga.
 

morpheu

Primórdia
Membro Ativo
- o potencial terapeutico dos psicodelicos vem mais da ampliaçao da consciencia do que da anestesia dos indiviudos (como no caso de drogas alienantes e da medicacao usual antidepressiva, ou de comportamentos viciosos). Ou seja, ninguem esta esperando viver em um oasis psicodelico onde tudo é perfeito e bom , onde nao há sofrimento ou defeito em nada ... muito pelo contrario, a expansao da consciencia esta conectada com saber lidar com a vida, com nós mesmos, com nossa sombra, com as relações, que sao suscetiveis sim a conflitos (é natural e pode ser construtivo se soubermos lidar) , tristezas e contratempos com os quais precisamos aprender a lidar sem apego, deixando sentir e deixando passar.
Justamente por que se usa alucinógenos como uma forma de terapia é que esse uso está condenado ao fracasso. Afinal de contas, por que diabos uma pessoa faz terapia? É porque ela espera que a terapia a faça feliz e a torne uma pessoa melhor, certo? E é precisamente aí que mora o equívoco, porque é uma tentativa de melhorar e fazer feliz algo que nem sequer existe e que é pela sua própria natureza infeliz e medíocre, tanto é que uma pessoa pode passar toda a sua vida fazendo terapia e/ou usando alucinógenos, que ao final da vida ela ainda vai sentir que ainda há muito conteúdo inconsciente para trabalhar e que ela ainda não está satisfeita e feliz o suficiente.

Dizem que os alucinógenos podem desencadear mudanças de vida radicais e profundas, mas isso é pura propaganda enganosa que os usuários fazem, pois basta ler os seus relatos para perceber que de radicais e profundas essas mudanças não têm nada. Na verdade elas são, das duas, uma:

- ou extremamente superficiais (por exemplo: “os alucinógenos me curaram da depressão”, “eles me curaram da ansiedade”, “eu me curei de um trauma”, “eu parei de beber”, “eu parei de fumar”, “eu me curei da dependência química”, “eu me tornei menos materialista”, “eu passei a valorizar as coisas simples da vida”, “eu parei de comer carne”, “eu parei de comer porcarias”, “eu me tornei mais saudável”, “eu passei a valorizar a natureza”, “eu parei de assistir televisão” etc.);

- ou são mudanças pra pior (por exemplo: alguns se tornam religiosos; outros transformam o alucinógeno num objeto de endeusamento e idolatria; outros começam a achar que estão despertos e iluminados [ou sabem que não estão, mas dizem que sim só pra fazer pose]; outros começam a acreditar em duendes, gnomos, espíritos, entidades, entre outras baboseiras do tipo; etc.).

Todas essas mudanças são superficiais porque são mudanças num nível meramente pessoal. A única mudança realmente profunda e radical é conhecer a si mesmo, e não apenas conhecer a si mesmo, mas viver continuamente nesse estado. De que adianta eu me curar de uma depressão e de uma ansiedade, se eu continuo vivendo pensando ser um indivíduo e se em breve o sofrimento vai aparecer novamente (ou sob a forma de uma nova depressão e ansiedade, ou sob qualquer outra forma)? De que adianta eu ir morar na natureza e só comer orgânicos, se eu continuo enganado sobre quem eu realmente sou? Que valor podem ter mudanças como essas?

Outra propaganda enganosa que se faz dos alucinógenos é dizer que eles vão direto à causa do problema psicológico. Se eles realmente fossem até a causa, então ninguém mais precisaria usar alucinógenos novamente com o objetivo de resolver um problema, porque a causa de um problema é a causa de todos os problemas (isto é, todos os problemas têm a mesma causa). Se hoje eu saio por aí alardeando que eu tinha um problema X que foi curado por um alucinógeno que me mostrou a raiz do problema X, e mês que vem quando me surge um problema Y eu tenho que usar novamente um alucinógeno para descobrir qual a raiz do problema Y, isso significa que o alucinógeno não me mostrou realmente a raiz do problema X e que ele ficou pelo meio do caminho (ou, se eu realmente descubro que todos os problemas têm a mesma causa e mesmo assim acho que preciso de um alucinógeno para resolver um determinado problema em particular, isso quer dizer que eu estou com muita vontade de continuar me enganando mesmo sabendo disso).

Aliás, muitas das pessoas que dizem que os alucinógenos têm um grande poder de cura são as mesmas que ficam tomando repetidamente alucinógenos de tempos em tempos para resolver novos problemas que surgem. Eu gostaria de saber que tipo de “cura” é essa que nunca se finaliza e precisa ficar continuamente se renovando. Será que é cura mesmo, ou é no máximo um paliativo meia boca?

- Nao sei qual a ideia que vc tem de terapia, mas ela é toda voltada para o empoderamento do individuo
Pois o indivíduo é algo que deve ser enfraquecido, isso sim, e tornar-se cada vez mais impotente até sucumbir de vez.

para que ele se entenda
A única forma de se entender o indivíduo que se acredita ser é sabendo quem realmente se é, e ninguém descobre quem realmente é tentando entender o indivíduo que se acredita ser. Quando eu faço terapia, eu não estou entendendo a mim mesmo, porque eu não sou um indivíduo, e o objeto de estudo da terapia é o indivíduo; e nem mesmo entender o indivíduo que eu penso ser eu estou entendendo quando eu faço terapia, uma vez que os métodos que a terapia utiliza partem do ponto de vista do próprio indivíduo e, portanto, estão fadados a ser enganosos e deficientes.

tenha cada vez mais auto-consicencia e assuma auto-responsabilidade e as rédeas da propria vida.
O que exatamente você quer dizer com “assumir as rédeas da própria vida”?

Se alguma terapia prometer "parar de sofrer" ou "corrigir a mente" de alguem pode denunciar pro Conselho Federal de Psicologia que é charlatanismo. Psicologa/o serio jamais prometeria isso.
Pode não prometer, mas é esse o objetivo e o que ela tenta fazer. E é óbvio que mesmo essa tentativa está fadada ao fracasso, já que a psicologia e a psiquiatria partem do pressuposto de que existe um indivíduo, ou uma mente (a propósito, é de “mente” que vem a palavra “mentira” [o verbo latino “mentiri”, que quer dizer “mentir”, vem do substantivo latino “mens”, que quer dizer “mente”; ou seja, a mente mente]), e que é possível que esse indivíduo seja feliz e saudável. Ou seja, toda a psicologia e a psiquiatria estão fundamentadas num engano, têm mentiras como pressupostos não questionados.

A prova viva de que a psicologia e a psiquiatria são um fiasco é o fato de que elas não conseguiram tornar a humanidade nem um pouco mais saudável e feliz (pelo contrário, a humanidade só vai de mal a pior). Ou elas mascaram o problema, ou nem sequer mascarar o problema elas conseguem. Em alguns casos a pessoa pode até ter alguma leve melhora, mas essa leve melhora não é o suficiente para torná-la sã e feliz e depois de um tempo novos problemas surgem e ela precisa voltar à terapia. Qualquer mudança provocada por uma terapia será sempre num nível meramente pessoal, e, portanto, será superficial e insignificante. Há casos também em que a pessoa sente que não se enquadra no padrão da sociedade e vai ao terapeuta porque quer ser igual a todo mundo (geralmente os pais, quando veem que seus filhos não são do jeito que queriam que eles fossem ou igual a todas as outras crianças, os levam à terapia esperando que isso corrija esse “defeito” da criança).

Uma pessoa só faz terapia porque ela espera de algum modo tornar o indivíduo que ela pensa ser feliz, melhor e sadio; ou seja, ela está investindo sua felicidade em algo limitado e que dentro de pouco tempo chegará ao fim, portanto sua “felicidade” só poderá ser limitada e finita. Os próprios psicólogos e psiquiatras acreditam também ser um indivíduo, portanto eles não são menos insanos e infelizes do que seus pacientes. Afinal de contas, psicologia e psiquiatria se resumem a isso: loucos tratando loucos, cegos guiando cegos. Mas nós gostamos de nos iludir e acreditar que ir para a faculdade e conseguir um diploma acadêmico torna alguém apto a ajudar os outros a serem felizes e sãos.

Muita gente dentro da psicologia e psiquiatria sao bastante serios na pratica, teoria e experimentaçao. E as pessoas mais serias que tenho visto sao as que estao estudando cientificamente os psicodélicos.
Mesmo os melhores psicólogos e psiquiatras (ou seriam os menos piores?), por mais que estejam bem-intencionados, ainda assim são péssimos, já que eles já partem do pressuposto de que de fato existe um indivíduo e que é possível que esse suposto indivíduo seja feliz e são, e isso é tentar enxugar gelo, porque nem sequer existe um indivíduo, pra começo de conversa, e muito menos esse indivíduo algum dia vai conseguir ser feliz e são.

Por isso é preciso tomar consciência, e é preciso ajuda (de psicologos, amigos, medicinas, familia, ou de quem ou o que mais puder ajudar cada pessoa) pra gente expandir a consciencia sobre nos mesmos.
Se você for depender da ajuda dos outros para “expandir a consciência sobre si mesma”, então se prepare para quebrar a cara e talvez até mesmo contrair a “consciência sobre si mesma” (e provavelmente nem se dar conta disso).

- curiosidade: vc ja comeu cogumelos magicos?
Já comi algumas poucas vezes, todas elas apenas doses de 1 grama secos, nunca mais do que isso. Por que a pergunta?

Mas pode acabar com alguma situação debilitante, e dar à pessoa melhores condições para pensar no que fazer.
Melhores condições para pensar no que fazer ou para voltar para a sua zona de conforto e se enganar achando que é feliz?

Procure que você vai achar. Se vai acreditar ou não é outra história.
E por que você mesmo não pode me dizer?

De qualquer forma, quando você fica falando que não sei quem disse não sei o quê, você não está se responsabilizando pelo que você fala, você está meramente me informando o que os outros pensam ou deixam de pensar... “Fulano disse isso”, “sicrano disse aquilo”... Que importância tem o que os outros dizem, pensam e acreditam? O que você fez foi basicamente pegar o que eu disse e comparar com o que fulano disse para ver se o que eu disse coincidia ou não com o que fulano disse, como se fulano fosse parâmetro para alguma coisa. O que importa é o que fulano disse, ou o que importa é a verdade?

No mais, se eu for acreditar em algo só porque alguém disse aquilo, então eu vou ter que acreditar em todo tipo de besteira e absurdo possíveis. Crença é algo típico de quem tem preguiça de descobrir as coisas por si mesmo e pela sua própria experiência direta, e aí precisa se limitar a acreditar e repetir o que os outros falam; eu pensei que os cogumelos e demais alucinógenos pelo menos conseguissem fazer o usuário perceber o quanto toda crença é inútil, mas parece que nem disso eles são capazes.

Aliás, eu não fui pesquisar quem foi que disse aquilo, mas algo me diz que sua resposta seria: os budistas. Mas isso é só uma crença minha e eu posso estar enganado.

É simples. Alguns sofrimentos podem simplesmente paralisar a pessoa.
Deixe que paralise, oras. A pessoa é algo que deve sucumbir. Mas você parece achar que o indivíduo deve ser salvo.

É engraçado como os usuários de alucinógenos e espiritualistas falam tanto sobre “evolução”, mas eles esquecem que para haver evolução alguém tem que perecer. Os seres vivos que não se adaptam ao meio ambiente morrem para que o terreno fique limpo para que os que se adaptam ao meio ambiente possam se propagar e perpetuar. Se nós tivéssemos salvado os seres menos adaptados, não haveria evolução e tudo ficaria estagnado, e é precisamente isso que nós fazemos em relação a nós mesmos. Em vez de nós deixarmos que o ser humano sucumba de uma vez por todas para que a verdade surja, nós fazemos de tudo para salvá-lo, conservá-lo e perpetuá-lo, como se algo tão doentio como o ser humano fosse digno de permanecer. O que é a tentativa de se curar uma depressão e uma ansiedade, senão o indivíduo tentando a todo custo salvar e conservar a si mesmo para não dar lugar a algo melhor do que ele?

A pessoa usa cogumelo e remédio não para acabar com o sofrimento, mas para tratar depressão e ansiedade.
Você está trocando seis por meia dúzia. Alguém só quer acabar com a depressão e a ansiedade porque depressão e ansiedade são formas particulares de sofrimento. Em última instância o que se quer é acabar com o sofrimento que é causado pela depressão e ansiedade.

E se eu fujo de uma depressão e de uma ansiedade hoje, em algum ponto futuro elas voltarão. Nada vai embora enquanto não tiver nos ensinado o que precisamos aprender. E para que deixar para amanhã o problema que se pode enfrentar hoje?

Se, no caso pouco frequente, mas que acontece, da depressão ser causada pro um fator conhecido, como deficiência de B12, o certo é tomar B12 e se recuperar.
Como você sabe que deficiência de vitamina B12 causa depressão?

De qualquer forma, mesmo supondo que deficiência de vitamina B12 realmente cause depressão, essa deficiência só fará uma pessoa infeliz à medida que ela acreditar ser o corpo. Se ela não se identificar mais com o corpo, ela pode muito bem morar num lugar onde não haja nenhuma fonte de vitamina B12 que isso não lhe tirará a felicidade.

Se você não conhece o fator causal, mas tem um recurso que pode ajudar, vai deixar de usar por quê? Não se preocupe, mesmo que a depressão amenize ou cesse totalmente, vai restar sofrimento para você lidar com.
A vida dá a cada um a quantidade de sofrimento que cada um precisa (ou, dizendo de outro modo, cada um tem a quantidade de sofrimento que criou para si mesmo).

Se uma pessoa tem uma depressão, isso significa que é de uma depressão que ela precisa para aprender o que necessita aprender naquele momento. E em vez de tentar deixar o fardo mais leve, por que não ficar mais forte? Quem só carrega fardos leves ou mesmo fardo nenhum jamais deixará de ser fraco. É carregando fardos pesados que se adquire força.

Se uma pessoa não consegue enfrentar sozinha a sua depressão, também não conseguirá enfrentar sozinha o sofrimento que vai restar caso a sua depressão amenize ou cesse.

E não se iluda pensando que vai simplesmente desaparecer com o indivíduo, e junto com o sofrimento.
Não entendi. O que não vai desaparecer com o indivíduo e o sofrimento?
 

Ecuador

Artífice esporulante
Administrador
E por que você mesmo não pode me dizer?

Porquê acho que não vai adiantar nada se você não encontrar pessoalmente alguém em quem você confie.

Suas mensagens são sempre tentando negar a possibilidade de não sofrer / ser feliz. Vai adiantar eu te falar isso ou aquilo, ou só vai ser a deixa para mais um textão cheio de sentimentos desesperançosos?

Se você realmente acha que não há o que fazer, então, para você, nesse momento, não há.
 

sankhara

Cogumelo maduro
Membro Ativo
Porquê acho que não vai adiantar nada se você não encontrar pessoalmente alguém em quem você confie.

Suas mensagens são sempre tentando negar a possibilidade de não sofrer / ser feliz. Vai adiantar eu te falar isso ou aquilo, ou só vai ser a deixa para mais um textão cheio de sentimentos desesperançosos?

Se você realmente acha que não há o que fazer, então, para você, nesse momento, não há.
Li ontem o texto e fiquei justamente com essa sensação. Uma debitação enorme de emoções... O jeito mesmo é deixar a poeira assentar, só aí dá para ver as coisas com clareza.... e também discutir sobre elas.
 

morpheu

Primórdia
Membro Ativo
Porquê acho que não vai adiantar nada se você não encontrar pessoalmente alguém em quem você confie.
Alguém em quem eu confie para quê? Em quem eu confie que é feliz? Então quer dizer que eu tenho que acreditar em algo só porque alguém que eu conheço pessoalmente disse aquilo? Eu posso conhecer pessoalmente gente que acredita que Deus existe, que Diabo existe, que Céu existe, que Inferno existe, que Papai Noel existe, que coelhinho da Páscoa existe, que círculo quadrado existe, e, de acordo com o seu raciocínio, eu vou ter que acreditar em todas essas bobeiras só porque eu conheço pessoalmente quem diz essas bobeiras, é isso mesmo ou eu estou entendendo errado?

Conheço muitas pessoas que se dizem felizes, mas basta ficar cinco minutos perto delas para perceber que se tem uma coisa que elas não têm é justamente a felicidade que elas afirmam ter: elas se autointitulam felizes mas tomam antidepressivos, estão sempre reclamando, se irritam por qualquer coisinha, choram por qualquer coisinha, estão sempre falando da vida dos outros, e por aí vai... Tem umas também que dizem que são felizes porque têm isso e aquilo: “eu sou feliz porque passei no vestibular”, “eu sou feliz porque tenho a profissão que sempre quis ter”, “eu sou feliz porque tenho Deus”, “eu sou feliz porque tenho uma família que me ama”, “eu sou feliz porque encontrei meu par ideal”, “eu sou feliz porque realizei meus sonhos”, “eu sou feliz porque tenho um carro”, enfim, o que elas não percebem é que falar que são felizes porque têm isso e aquilo é na verdade uma forma disfarçada e maquiada de dizer “eu sou infeliz”.

Aliás, você usa tanto palavras como “acreditar” e “confiar” num sentido positivo que suas postagens estão parecendo mais uma pregação evangélica.

Mas como o ser humano não suporta a dúvida, a incerteza e o questionamento, ele precisa acreditar e se agarrar à primeira besteira que ouve o outro falando para que assim se sinta mais seguro e confortável, não importa o quão estúpida é a coisa que o outro falou. Como nós estamos perdidos e não sabemos para onde ir, nós pegamos na mão de um cego e deixamos ele nos guiar.

Se uma pessoa diz que é feliz, o que lhe garante que ela não está, consciente ou inconscientemente, mentindo?

Suas mensagens são sempre tentando negar a possibilidade de não sofrer / ser feliz.
Eu nunca disse que é impossível ser feliz, só o que eu digo é que é impossível um indivíduo ser feliz, e isso é um fato. Uma vez que todo indivíduo é um pequeno fragmento em meio a infinitos outros fragmentos, ele sempre se sentirá insuficiente e incompleto, e com razão, porque de fato um fragmento nunca é algo suficiente e completo (se fosse, já não seria mais um fragmento). E é para tentar suprir essa sensação de insuficiência e incompletude que o indivíduo está sempre tentando obter outros fragmentos, porque ele tem a ilusão de que a posse de alguma coisa ou pessoa vai lhe tirar essa carência; mas a obtenção de outros fragmentos não faz com que o indivíduo deixe de ser um fragmento, e, portanto, a sensação de insuficiência continua, e onde há sensação de insuficiência jamais pode haver felicidade. Por isso apenas o todo pode ser feliz, porque apenas o todo é suficiente e completo (mas o todo não é o conjunto de todos os fragmentos, o todo é nada).

Dizendo de outro modo, é impossível haver felicidade quando nós nos identificamos com aquilo que nós não somos; desse modo, enquanto nós acharmos que somos um indivíduo, nós necessariamente seremos infelizes (o que não quer dizer que devemos passar a acreditar que não somos um indivíduo, porque isso seria apenas uma outra crença, e acreditar nisso não faria com que deixássemos de continuar tendo a sensação de ser um indivíduo).

Por acaso você acha que é possível um indivíduo ser feliz?

Pelo que entendi você parece acreditar que a crença na possibilidade de ser feliz já é o suficiente para tornar alguém feliz, mas isso no máximo vai fazer alguém se enganar achando que é feliz, o que é algo ainda pior do que saber que é infeliz. Afinal de contas, toda crença é falsa, porque toda crença é sempre uma imagem mental que o indivíduo tem a respeito de algo que ele não conhece.

Vai adiantar eu te falar isso ou aquilo, ou só vai ser a deixa para mais um textão cheio de sentimentos desesperançosos?
Meus textos apenas constatam fatos. Se eles são desesperançosos é porque de fato não tem saída. Mas há quem goste de se enganar com a esperança de que ainda há escapatória.

Li ontem o texto e fiquei justamente com essa sensação. Uma debitação enorme de emoções...
O que seria uma debitação de emoções?
 

Helye

Hifa
Membro Ativo
Tipo assim morpheu, quantas vezes você sente sede no dia? Várias vezes né? Toda vez que você sente sede você bebê água, mesmo sabendo que ela vai voltar, isso é um ato de necessidades básica para sobreviver?
Sim!
O mesmo acontece com a depressão, quando uma pessoa está em um estado de tristeza profunda ou até mesmo numa depressão, essa pessoa sente sede de algo que acabe com o sofrimento dela para que ela possa sobrevive mais tranquila, individual que a tristeza volte ou não, essa pessoa quer um alívio.
Como meu pai dizia "o melhor tempero para a comida é a fome", realmente, quando a pessoa está com fome, qualquer comida fica gostosa, o mesmo é com a depressão, quando a pessoa está depressiva, qualquer método é válido para melhora, mesmo que por um instante.
 
Superior