Cronologia dos métodos de cultivo

T

Tiger

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Em desde já peço desculpa se postei no sitio errado e se assim for peço que movam este post Para o sitio certo...
Achei interessante esta informaçao que encontrei ( em ingles) no site da erowid que gala sobre a historia cronologica do cultivo do genero psilocybe, fala sobre as primeiras tecnicas no seculo XVlll ate aos dias de hoje achei interessante e util e deixo aqui o link...

https://www.erowid.org/plants/mushrooms/mushrooms_article10.shtml
 
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Obrigado Ecuador,visto ser um usuario novo fiquei na duvida onde colocar...
 
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Isso seria otimo malahov, EU falo,escrevo e leio bem ingles mas sei que muita gente tem dificuldade e o tradutor do google nao é uma Grande Ajuda...
 

Malahov

Cogumelo maduro
Membro Ativo
Publico aqui o primeiro trecho já traduzido. Qualquer erro, me avisem, vou postando outros trechos em breve.
PARTE 1

Cultivo de Cogumelos
De Falconer a Fanaticus e Além
por Yachaj, tradução por Malahov
versão1.1 - 21 de fevereiro de 2013
Publicado originalmente em "The Entheogen Review"

O primeiro cultivo de sucesso de cogumelos psilocibinos do México foi realizado pelos micologistas franceses Roger Heim e Roger Cailleux em Paris durante o fim da década de 50. Os primeiros métodos de cultivo domésticos para xamãs de porão vieram à luz nos anos 70. Mas os avanços reais só recentemente se tornaram acessíveis ao público.

As raízes das técnicas de cultivo psilocibinos originaram-se na França do século 18, quando cogumelos Agaricus (botão branco) foram cultivados pela primeira vez; o Rei Luis XIV (1643-1715) pode estar entre os primeiros cultivadores europeus de cogumelos. O spawn do cogumelo era obtido desenterrando-se micélio de campos onde agaricus cresciam e cavalos eram presentes. O micélio era então transferido para cavernas especiais próximo a Paris, reservadas para este tipo único de agricultura. Da França, os jardineiros da Inglaterra descobriram que cogumelos eram um cultivo fácil de produzir, exigindo pouco trabalho, investimento e espaço. O cultivo inglês de cogumelos cresceu em popularidade, devido a mais experimentação com spawn e publicidade em jornais e revistas. No final do século 19, a produção de cogumelos atravessou o Atlântico até os Estados Unidos, onde jardineiros caseiros curiosos do leste tentaram sua sorte em produzir este cultivo único. Então, em 1891, o primeiro livro sobre cultivo de cogumelos foi publicado, e este lançou uma nova luz sobre a teoria de cultivar em composto de estrume de cavalo. William Falconer, um cultivador de cogumelo e pesquisador de Long Island, concordou com as recomendações de jornalistas agrícolas e compilou suas teorias em Cogumelos: Como Cultivá-los; Um Tratado sobre Cultura de Cogumelos para Lucro e Prazer (Mushrooms: How to Grow Them, disponível em Archive.org).

Os métodos primitivos de encontrar, desenterrar e perpetuar o micélio selvagem eram incertos e não confiáveis. O primeiro spawn manufaturado combinava uma mistura de estrume de cavalo e vaca comprimidos na forma de tijolos - a fonte original sendo o micélio selvagem. Porém, os tijolos não eram esterilizados e podiam abrigar patógenos e fungos daninhos. Curiosamente, o psilocibino Panaeolus subbalteatus costumava ser um cogumelo daninho comum quando este método clássico era utilizado. Em poucas ocasiões pessoas ingeriram porções de Agaricus e P. subbalteatus misturados, e experimentaram as primeiras (e involuntárias) "viagens" da história ocidental (Gartz, 1993). Por isso, o livro de Falconer está ainda entre as publicações mais informativas para cultivadores domésticos de cogumelos psilocibinos potentes como Panaeolus cyanescens e P. tropicalis. Ele descreve o cultivos de cogumelos em porões e estufas em composto de estrume de cavalo em mais detalhes do que qualquer outro autor. Apresentado como "método do Sr. Jardineiro", Falconer até dedica um capítulo inteiro aos efeitos de aumento da produção da utilização de casing - uma camada superior de solo colocada no canteiro do cogumelo, feito de greda (uma mistura de argila, areia, lodo e matéria orgânica). Esta descoberta importante foi logo esquecida e apenas oitenta anos depois redescoberta.

As técnicas para cultivo de cogumelos psilocibinos nos anos 50 eram largamente baseadas nos métodos descritos no livro de Falconer. Por exemplo, em 1965 os primeiros 100 gramas de Psilocybe mexicana cultivados foram produzidos com sucesso em composto por Roger Heim. Os detalhes dos métodos de Heim e seu colaborador Roger Cailleux, não foram publicados em inglês até 1977, no livro, agora difícil de se obter, Cultivo de Cogumelo Mágico (Magic Mushroom Cultivation) lançado pelo falecido Dr. Stephen Pollock, que escreveu:

Spawn de P. mexicana foi germinado em frascos sob condições estéreis em palha compostada que foi bem lavada. Palha não lavada foi colocada em potes cerâmicos e esterilizada. Os potes de composto foram inoculados com spawn dos frascos e colocados na estufa. Depois de cerca de duas semanas o composto estava bem tomado pelo micélio e foi coberto com uma fina camada de material de casing. O material de casing consistiu em uma mistura não especificada de várias areias e terras calcárias. A temperatura de estufa oscilou entre cerca de 19° a 25° centígrados. Em três a seis semanas depois do casing, cogumelos surgiram. Descobriu-se que spawn não podia ser produzido facilmente nos frascos a menos que o composto fosse bem lavado antes da esterilização. Em comparação, observou-se que composto não lavado foi superior para a obtenção dos frutos do cogumelo. Detritos de milho compostados (folhas e caules) funcionaram quase tão bem quanto palha compostada para frutificar P. mexicana em potes de barro.​

Psilocybe mexicana
não foi a única espécie testada. Pollock continuou:

Psilocybe caerulescens foi cultivado se uma maneira similar mas não produziu frutos em palha compostada. Detritos de milho compostados serviram como um meio apropriado, porém, para frutificar Psilocybe saerulescens em cultivo de estufa. Colheitas menos abundantes de Psilocybe caerulescens foram obtidas usando uma mistura de compostos de palha e detritos de milho. Psilocybe semperviva frutificou facilmente em palha compostada, mas rendeu flushes mais exuberantes no composto de detritos de milho. Psilocybe mixaeensis produziu cogumelos em vários meios compostados, como palha de trigo, detritos de milho e estrume de cavalo. Strains mexicanas de Psilocybe yungensis foram frutificadas depois de cinco ou mais meses de cultura em um meio de musgo em frascos de vidro. Psilocybe zapotecorum, uma espécie frutificada pela primeira vez em um meio de musgo, foi cultivada em compostos tanto de palha quanto em estrume de cavalo em potes cerâmicos vitrificados, desenhados para reter água. O composto carregado de micélio foi coberto com areia calcária e então submerso em água. Magníficos cogumelos Psilocybe zapotecorum surgiram através da água! Este interessante fenômeno está em manter a natureza ecológica "subaquática" da espécie. Psilocybe cubensis foi frutificado em estrume de cavalo composto com casing em potes cerâmicos. Alguns espécimes atingiram vinte centímetros (quase oito polegadas) de diâmetro do píleo.​
 
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PARTE 2

LITERATURA UNDERGROUND


Nas duas décadas entre a pesquisa de Heim e Cailleux e o livro de Pollock, poucas descobertas originais foram publicadas. Folhetos underground e panfletos começaram a circular, alguns descrevendo o cultivo de cogumelos psilocibinos. Notável entre estes estava O Guia Psicodélico Para Preparação da Eucaristia (The Psychedelic Guide to Preparation of the Eucharist), livro de 1968 que descrevia o cultivo de Psilocybe cubensis em ágar, cultura líquida, grão de centeio sem casing, e composto, e P. mexicana em meio de ágar com batata dextrose e levedo (PDY) e cultura líquida. Este folheto também detalhava a síntese de psilocina e outros psicodélicos. Uma técnica idêntica apareceu ao mesmo tempo em outro folheto, intitulado O Livro Estimulante (The Turn On Book). Em 1970, um pequeno folheto intitulado A Chave Para o Cogumelo Psilocibino Mexicano (A Key to the American Psilocybin Mushroom) foi publicado por Leonard Enos. Este continha informação mais detalhada sobre técnicas de cultivo de tecidos, emprestadas de literatura popular e científica. Contudo, as técnicas de cultivo exigiam muitos aditivos ao ágar e eram complicadas demais; por isso, este panfleto pouco estimulou o cultivo de cogumelos psilocibinos. Outro panfleto, Guia de Campo Para Cogumelos Psilocibinos (Field Guide to the Psilocybin Mushroom), apareceu em 1972, e foi vendido através de anúncios em jornais de contracultura e pelas prosperas “head shops” da época. Este panfleto aconselhava cultivar P. cubensis em composto ao estilo de Falconer, mas partindo de pedaços de chapéus de cogumelos frescos ao invés de coletar micélio.

EXPERIMENTOS OUTDOOR

Em 1972, estudantes da Universidade de Washington em Seattle descobriram um cogumelo que começou a frutificar abundantemente em composto vegetal e gramados do campus da universidade. Este evento provocou o desenvolvimento de técnicas de cultivo outdoor para cogumelos psilocibinos. De acordo com Jonathan Ott, que escreveu sobre este fenômeno em seus livros Plantas Alucinógenas da América do Norte (Hallucinogenic Plants of North America, 1976) e Teonanácatl: Cogumelos Alucinógenos da América do Norte (Teonanácatl: Hallucinogenic Mushrooms of North America, 1978), os cogumelos normalmente eram encontrados no composto vegetal de casca de cedro que os jardineiros espalhavam pela áreas ajardinadas do campus. Estudantes intrépidos experimentadores rapidamente perceberam que estes cogumelos eram psicodélicos, e seu uso como droga recreativa se tornou muito popular. Um artigo no jornal estudantil foi publicado alertando que os cogumelos eram perigosos (apesar do fato de que nenhuma enfermidade decorrente do uso foi reportada), e os jardineiros foram instruídos a destruir qualquer espécime e colocar fungicidas no composto vegetal. Em 1974 eles frutificaram abundantemente em Olympia e Tumwater, Washington, e novamente no campus da Universidade de Washington. Um número crescente de estudantes aprendeu que o velho método francês de coletar micélio e transplantá-lo em um novo substrato funcionava muito bem com cogumelos deste grupo, que mais tarde foram identificados como pertencentes aos “chapéus caramelo” (caramel caps). De fato, como o pioneiro Paul Stamets explica em sua bíblia dos cultivadores, Cultivando Cogumelos Gourmet e Medicinais (Growing Gourmet and Medicinal Mushrooms), “eles são comuns em áreas urbanas e suburbanas e são raros em ambientes naturais. Locais ideais para coletar este cogumelo são em propriedades ajardinadas de instalações do governo: tribunais, bibliotecas, companhias de utilidade pública, e até delegacias de polícia”.

A principal dificuldade dos cogumelos Psilocibinos “chapéu caramelo” como P. azurescens, P. bohemica, e P. cyanescens, era que apenas podiam ser colhidos uma estação do ano em climas frios (e eles eram quase impossíveis se frutificar em condições mais controladas). Então em seu livro de 1977, Pollock escreveu predominantemente sobre cogumelos que podiam ser cultivados por todo o ano, como Panaeolus cambodginiensis, P. cyanescens, P. subbalteatus, Psilocybe argentipes, P. baeocystis, P. caerulescens, P. coprophila, P. cubensis, P. fasciata, P. semilanceata, P. subaeruginascens, P. subaeruginosa, P. subcaerulipes, e P. zapotecorum. A maioria das espécies testadas produzia menos biomassa, tinha menos potência e frutificava muito mais tarde que o P. cubensis. Strains mexicanas de P. Yungensis, por exemplo, frutificavam após cinco ou mais meses de cultura em meio de musgo em frascos de vidro. “Tal intervalo era impraticável para os cultivadores de cogumelos,” escreveu Pollock na introdução de Cultivo de Cogumelos Mágicos, “portanto, focarei em principalmente no cultivo de espécies que podem ser cultivadas facilmente e relativamente rápido”. O resto de seu livro é quase exclusivamente dedicado a técnicas de cultivo do potente Panaeolus cyanescens e o robusto Psilocybe cubensis.


MAIS EXPERIMENTOS COM COMPOSTOS


As técnicas de larga escala que Pollock descreveu ainda não eram muito diferentes daquelas apresentadas no livro de Falconer. Produção de composto industrial para cultivo de cogumelos comumente usava cerca de 95% de palha e 5% de estrume de cavalo como composto inicial. De acordo com Pollock, uma excelente receita de composto do Pacífico Noroeste é feita com um carregamento da carroceria de uma pick-up de estrume de vaca fresco disponível em fazendas leiteiras, 2-5 fardos de palha de trigo bem umedecida, 25 libras (11,3kg) de sulfato de cálcio hidratado para horticultura, 5 libras (2,25kg) de óleo/farinha de semente de algodão e composto inicial comercial. Em seus experimentos com compostos Pollock testou vários tipos de palha: trigo (Triticum aestivum), aveia (Avena sativa), cevada (Hordeum vulgare), peripomonga (Sorghum halepense), rabo-de-gato (Phleum pratense), alfafa (Medicago sativa) and trevo (Trifolium species), assim como esterco de gado, ovelhas, cavalos e aves domésticas. Todos se provaram úteis em algum nível, mas estrume de cavalo e palha de trigo foram os melhores. Pollock escreve:

Para cultivo outdoor, camas de composto de pelo menos um pé (30 cm) de altura e vários pés de largura devem ser feitas. As camas são inoculadas com Spawn e mantidas úmidas por rega usando uma mangueira com ponteira de pulverização ou ligando um sistema de irrigação de jardim. É necessário regar pelo menos uma vez ao dia em climas quentes e secos mas não é necessário regar em climas úmidos. Spawn de vidros de conserva e outros recipientes é quebrado e colocado a cerca de seis polegadas (15 cm) da superfície da cama de composto. Dois quartos (1,9L) é o bastante para um cama de seis pés (1,8m) de largura mas pode-se utilizar mais para reduzir as chances de ser tomado por cogumelos “daninhos”. Cultivo em composto outdoor funciona especialmente bem com cogumelos coprófagos como Psilocybe cubensis, Psilocybe coprophila, e muitas espécies de Panaeolus. Há outros cogumelos mágicos que podem ser cultivados dessa forma, mas nenhum frutifica tão facilmente como as espécies habitantes de esterco. De fato, camas de estrume fresco de cavalo podem ser usadas para cultivar cogumelos coprófagos outdoor, especialmente espécies de Panaeolus. Normalmente demora de um mês a seis semanas para que os cogumelos surjam e os flushes podem continuar por mais de dois meses, mas a frutificação depende grandemente da chuva. A chuva é o que é necessário para um cultivo de cogumelos outdoor de sucesso. Sem a chuva adequada, frutos podem ser induzidos a surgir ao regar frequentemente com regadores ou uma mangueira instalada ao local e conectada a um regador. Camas de composto inoculadas com micélio de Panaeolus não devem ter casing e este não é necessário em camas de composto quando cultivar Psilocybe cubensis (Pollock, 1977).​

Embora Panaeolus cyanescens esteja entre os mais potentes dentre os psilocibinos fáceis de cultivar (Stijve, 1992), este não se tornou a espécie mais popular em cultivos domésticos. A principal razão é que este cogumelo até então só foi cultivado em esterco. Este pode ser um substrato maravilhoso para aqueles que vivem no campo, mas para xamãs de porão em áreas urbanas ele tem suas desvantagens. Na maioria das grandes cidades, esterco de cavalo orgânico e fresco não está disponível. Outro problema é que o uso de esterco como meio torna o cultivador impopular entre seus colegas de quarto, considerando o modo que ele precisa ser preparado ̶ enchendo um grande saco plástico de assar peru com esterco e então adicionando um quarto (900 ml) de água para umedecer e cozinhando no forno a 200°F (93°C) por três horas. (O autor deste artigo foi forçado a morar sozinho por causa de seu hobby).

Felizmente, em 1960 o micologista Dr. Leon R. Kneebone publicou uma adaptação em pequena escala do atual método industrial de cultivar cogumelos Agaricus para utilização com Psilocybe cubensis (Kneebone, 1960). Para entender o contexto de sua descoberta nós temos que retornar ao início do século 20, quando o livro de Falconer era o único disponível sobre este assunto, e o risco de cogumelos “daninhos” Panaeolus subbalteatus ainda era severo, e a busca por um método melhor tinha apenas começado.
 
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PARTE 3
O SPAWN DE SINDEN

Em 1903, depois de muita experimentação, os cientistas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos produziram o perfeito, puro e virgem Spawn de Agaricus. Em 1915, Spawn de cultura puro foi produzido em esterco de cavalo compostado em garrafas. O desenvolvimento de Spawn de esterco de cavalo esterilizado, porém, não eliminou o problema de se obter Spawn confiável, produtivo e não contaminado. Em 1930, a Faculdade do Estado da Pensilvânia contratou Dr. James W. Sinden para trabalhar n

os problemas da produção de cogumelos. Durante uma das suas primeiras séries de experimentos ele descobriu o meio no qual o micélio iria crescer mais vigorosamente e que proveria um produto mais uniforme: grão (especialmente trigo), que era colocado em frascos com uma pequena quantidade de água e esterilizado com calor. Ao introduzir o micélio, ele descobriu que crescia muito vigorosamente e de uma maneira completamente diferente de nada antes visto. Dessa maneira o Spawn de grãos nasceu [U.S. Patente No. 1,869,517; ver http://www.archpatent.com/patents/1869517]e pouco mudou desde então.

A descoberta importante de Kneebone foi que o Psilocybe cubensis não necessita de composto, e pode ser frutificado no Spawn de Sinden (meio de grãos puro). Pollock seguiu o caminho de Knessbone adiante e testou grãos/sementes de aveia em flocos (Avena sativa), cânhamo (Cannabis sativa), grãos de café (Coffea arabica), soja (Glycine max), azevém (Lolium perenne), arroz integral (Oryza sativa), centeio (Secale cereale), sorgo (Sorghum vulgare), painço (Panicum miliaceum), alpiste (Phalaris canariensis), trigo (Triticum aestivum) and milho (Zea mays). Pollock logo se concentrou nos grãos de arroz integral, mais baratos e disponíveis. Ele descobriu que o meio de arroz integral era muito seletivo para P. cubensis (nenhum outro cogumelo podia frutificar nele). De fato, a qualidade seletiva do arroz integral protege os psilonautas novatos de cultivar acidentalmente cogumelos tóxicos. Mas há outras razões para considerar o arroz integral esplêndido. Nos anos 80, o micologista alemão Dr. Jochen Gartz, chegou a registrar uma patente (No. 88-09773, Akad. Wiss. DDR) de arroz integral depois de sua descoberta de que este meio suportava o cultivo de P. cubensis de uma potência sem precedentes – 1% do seu peso seco em psilocibina/psilocina (quase igual ao Panaeolus cyanescens), a maior potência natural já registrada para este cogumelo.

O MEIO DE ARROZ INTEGRAL

Para cultivadores atuais é difícil imaginar quanto trabalho deve ter dado testar tantos cogumelos e tantos substratos diferentes antes fosse encontrara uma alternativa ao composto que atendesse a todas as demandas (especialmente quando temos em mente que as técnicas de cultivo estavam dando seus primeiros passos). Muitos experimentos resultaram apenas em grandes surtos de mofos verdes. Apesar disso Pollock chegou a uma conclusão. Considerando que P. cubensis era o psilocibino a se escolher, ele apontou o arroz integral como o substrato mais facilmente encontrado, mais econômico e portanto o mais conveniente para os cultivadores domésticos. A descoberta de Gartz de que P. cubensis altamente potente podia ser cultivado em arroz integral também foi um grande bônus. “Entretanto”, escreveu Gartz, “parece improvável que o cultivo de cogumelos Psilocybe cubensis por leigos aumentará significantemente a popularidade dos cogumelos ou aumentar sua área de distribuição tão cedo” (Gartz, 1996).

A CAMADA DE CASING

Gartz estava certo. A solução para o problema do composto veio com o dobro do preço. O primeiro problema é que a produção de substratos de grão puro eram imprevisíveis. Uma resposta não encontrada até 1971, quando o micologista James P. San Antonio tentou o casing de greda de Falconer em um spawn de grãos de Sinden para produzir Agaricus brunnescens, com resultados fabulosos. Ele demonstrou que cobrir o micélio (ou estado vegetativo) deste cogumelo com cerca de meia polegada de um solo levemente alcalino poderia aumentar bastante a produção, levando a frutificar repetidamente com flushes aparecendo periodicamente.

Em http://groups.yahoo.com/group/Diggers350/message/316há um post no qual Dennis McKenna alega ter sido o primeiro a testar a descoberta de San Antonio e Psilocybe cubensis. Ele escreve:

Basicamente, eu desenvolvi a tecnologia de cultivar cubensis em centeio esterilizado em vidros de conserva. Na verdade, tudo o que eu fiz foi adaptar a tecnologia desenvolvida por J.P. San Antonio. [...] Eu apenas adaptei o método para cubensis e funcionou. Seu dinheiro dos impostos aplicados! Foi Terence quem viu as possibilidades de empreendedorismo no método e ajudou a aumentar a escala da operação [...].​

Em Pharmacothen (1993), Jonathan Ott observou que os vidros de conserva (vidros americanos para compotas caseiras de um quarto) de substrato de grãos permeados por micélio eram vendido por cerca de $10 cada. Dennis e Terence McKenna trabalharam juntos para escrever um livro sobre o método, com ilustrações de Kathleen Harrison e fotografias de Jeremy Bigwood. O livro, Psilocibina: Guia de Cultivo de Cogumelos Mágicos – Um Manual para Entusiastas da Psilocibina (Psilocybin: Magic Mushroom Grower’s Guide – A Handbook for Psilocybin Enthusiasts, 1976), se tornou o único livro contracultural best seller sobre drogas já publicado. A mistura de casing que os autores recomendavam era feita de 3,5 litros de vermiculita fina, 4 litros de areia fina lavada, 2,5 litros de turfa de musgo e 2 litros de pó de conchas.

Logo antes da publicação de seu próprio livro, Pollock encontrou um atalho para a mistura usando terra para vasos que vem prémisturada com bastante vermiculita, turfa de musgo e areia. Em 1983 o substrato foi simplificado mais ainda quando o micologista Edmond Badham descobriu que arroz integral úmido com uma camada de casing de vermiculita era suficiente – os resultados de seus experimentos foram publicados no jornal Mycologia e em sua tese, Estudos Culturais sobre Cogumelos Psilocybe cubensis (Cultural Studies on the Mushroom Psilocybe cubensis, Badham 1982, 1983).

O segundo problema em usar Spawn de grãos como substrato de frutificação – especialmente por leigos – é que é extremamente sensível a contaminações. Sem técnicas sofisticadas a maioria das tentativas são prejudicadas pela presença de bactérias e bolores. Para muitos cultivadores isso significava que teriam eu investir em equipamentos laboratoriais, um investimento que eles conseguiriam recuperar apenas com a produção comercial em larga escala.

De acordo com Peter Stafford, autor da Enciclopédia dos Psicodélicos (Psychedelics Encyclopedia), isto não é o que os autores de Psilocibina tinham em mente. Stafford escreve:

[Com a publicação de seu livros eles] esperavam que os usuários cultivando estes cogumelos em suas casas se tornariam independentes do mercado ilícito, que naquele tempo estava produzindo e vendendo muitos produtos falsos. Além disso, eles esperavam que esta técnica se tornasse uma parte permanente da subcultura, imune a vigilância e cruzadas antidrogas. Até certo ponto estes objetivos foram atingidos. Porém, os autores não perceberam que surgiriam tantos grandes cultivadores quantos emergiram.​

A técnica deles era ainda tão complicada que apenas uma pequena porcentagem de usuários sequer tentaram. Uma grande panela de pressão era necessária, e muitos não conseguiam compreender como crescer esporos e os requisitos de esterilização para inocular os vidros de centeio.

A razão pela qual tal equipamento era necessário era que os McKenna fundamentalmente reproduziram a patente de Sinden de 1932. Os esporos de cogumelo primeiro eram germinados em ágar, e o micélio resultante era transferido para os vidros de grãos. Para agilizar a colonização do substrato os grãos tinham que ser misturados a cada alguns dias chacoalhando-se os frascos. Porque os grãos de arroz integral são muito grudentos para serem chacoalhados, os autores recomendam os menos produtivos (e em ambientes urbanos frequentemente difíceis de encontrar), grãos de centeio. Finalmente os grãos colonizados tinham que ser cobertos com uma mistura de casing. No laboratório todos esses passos são realizados num ambiente de trabalho estéril. O xamã de porão padrão não possui um ambiente destes, e infelizmente tudo o que os McKenna ofereciam como solução era uma glovebox mal projetada.

O passo mais sensível a contaminações sempre foi a transferência de um pedaço de ágar colonizado para dentro de um vidro aberto com grãos estéreis. Contudo, os McKenna mencionaram um método alternativo. Na primeira edição de seu manual, escreveram:

Esterilize um pouco de água, pegue cerca de 10 ml com uma seringa esterilizada e injete na superfície de uma cultura micelial em ágar (culturas em tubos de ensaio são ideais para isso). Lacre novamente a cultura e agite em círculos vigorosamente até que fragmentos de micélio suspensos na água se tornem visíveis. Então pegue a suspensão de micélio-água com a seringa, e injete 1 ou 2 ml em cada frasco. Crescimento micelial deve se tornar visível em um ou mais pontos do vidro em 3-4 dias após inoculação.​

Eles também descreveram inoculações de esporo líquido do ágar:

[Os esporos] podem ser raspados em 10 ml de água esterilizada, então diluídos em 100 ml adicionando água estéril, pegar 2-3 m da solução de esporos diluídos em uma seringa, e inocular em pontos da placa petri deixando uma gota da solução em dois ou três pontos separados do ágar.​

Estranhamente, eles nunca reuniram estas técnicas e estas ideias foram abandonadas inteiramente em edições posteriores do manual.


Esta é a técnica de bolo de arroz de 1977 (desenho de Pollock), o predecessor do PF TEK. Um método mais low-tech (que exige pouca tecnologia) de se produzir Spawn de Sinden é desconhecido no momento.
Se o meio de ágar de McAlpines é usado para germinar os esporos e crescer micélio, e arroz integral parbolizado e peroxidado é usado como substrato. Todos os passos podem ser feitos sem conta-gotas/seringa/pipeta e sem uma barreira para contaminantes feita de vermiculita seca em um ambiente de ar parado não estéril. Veja os manuais de Wayne em www.mycomasters.com se deseja saber por que apenas arroz integral parbolizado e peroxidado pode ser utilizado.
Infelizmente o micélio precisa de muito mais tempo para colonizar arroz integral quando ele cresce em ágar em comparação com inoculação líquida como na PF TEK. Mas quando finalmente está colonizado, a técnica do CountZero pode ser utilizada (tanto na cultura de ágar quanto no spawn de Sinden colonizado) para inocular grande quantidade de recipientes de substrato PF cobertos com uma barreira anticontaminantes usando seringa ou pipeta. Em minha experiência inóculos líquidos sem uma barreira anticontaminantes em um ambiente não estéril são muito sensíveis a contaminação.
Note também que o casing de vermiculita úmida está ausente nesta configuração; embora não seja necessário, realmente promove a frutificação quando é adicionado.
 

Anexos

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A-ha! O resto da tradução vai sair sim! :D Este texto é bastante interessante e sobretudo me fez aprender muita coisa, aqui vão outras partes:

PARTE 4

AS NOVAS TÉCNICAS EMERGEM


(Visão geral da PF TEK por Hans Vogt, 1996.)

O crédito por combinar estas técnicas vai para o autor de uma publicação de setembro de 1991 intitulada Técnica “Psylocybe Fanaticus” (ou PF TEK). Este manual descreveu, pela primeira vez, o método de injetar uma solução de esporos diretamente no substrato de frutificação feito de arroz integral e vermiculita. O toque de gênio nesta técnica era o uso de uma camada de cobertura de vermiculita como barreira contra contaminações durante a inoculação e colonização do substrato. A glovebox já não era mais necessária. Uma agulha de seringa poderia facilmente penetrar a camada e ser retirada sem expor substrato estéril ao ar não-estéril. Contaminantes transportados pelo ar que se aproximassem não conseguiriam germinar na camada de casing nem alcançar o substrato úmido. Ao mesmo tempo o micélio abaixo da camada podia desenvolver-se porque a entrada de ar filtrado continuava possível. Ao escolher frascos de meio pint (290ml) ao invés de frascos de um litro, as chacoalhadas frequentes (e portanto a escolha de grãos não grudentos como o centeio) se tornou desnecessária. E ao invés de frascos de conserva com gargalo o autor recomendava frascos de conserva retos ou levemente afilados, dos quais se podia remover o substrato. Esta ideia simples permitiu a colheita de cogumelos que cresciam nas laterais do substrato sem precisar quebrar o frasco.
Para completer, Psylocybe Fanaticus substituiu o úmido grão inteiro de arroz por uma uma mistura aerada de pó de arroz integral, vermiculita e água. Para a própria surpresa de PF, esta mistura agia como um substrato de frutificação e camada de casing ao mesmo tempo: os cogumelos frutificavam por todo o bolo de substrato, fazendo com que um casing a parte fosse quase supérfluo. O micélio de Psylocybe cubensis também colonizava este substrato muito mais rápido do que arroz integral puro. O mais importante era que este “Substrato PF”, como ficou conhecido, não precisava de uma panela de pressão para ser esterilizado – uma hora de fervura era suficiente (ao menos ao nível do mar). A combinação de inoculação líquida com Substratos PF tornou as três partes mais problemáticas do método McKennas – glovebox, transferências de ágar e panela de pressão – obsoletas.


A barreira contra contaminantes de vermiculita em ação. É uma invenção original do PF: a agulha consegue penetrá-la sem expor o substrato ao ar contaminado. Isto permite a respiração do micélio, dobra a camada de casing (umedecendo a camada quando o substrato é colonizado) e é reutilizável. Em minha opinião, nenhum filtro-disco consegue competir em ser tão simples e efetivo.

Outras inovações do PF foram o “Terrário de Câmara Dupla” – um ambiente de cultivo projetado para criar a atmosfera de neblina na qual os cogumelos preferem crescer, mas que ao mesmo tempo protegia bolos de ensoparem com água borrifada, e seu método de desidratação fria a seco – cogumelos eram primeiro pré-secos em uma peneira e então colocados em um saco Ziploc aberto que era colocado em um frasco de vidro com uma camada de uma polegada de cloreto de cálcio no fundo. O frasco era fechado e colocado na geladeira por uma semana. O cloreto de cálcio era secado colocando o frasco, sem a tampa, em um forno.
Desde sua primeira publicação, a PF TEK foi um sucesso instantâneo. Com a internet tornando-se cada vez mais acessível, muitas técnicas de cultivo baseadas na PF TEK foram publicadas online (veja
www.erowid.org/plants/mushrooms/mushrooms_cultivation.shtml). Juntas, as técnicas foram baixadas mais de um milhão de vezes, o que faz a PF TEK a técnica de cultivo de um organismo mais bem distribuída de todos os tempos.
Em 1996 a popularização da PF TEK acelerou tremendamente, quando o grupo de discussão na Internet alt.nature.mushrooms foi criado. O grupo de discussão logo se tornou o fã clube do Psylocybe Fanaticus. Em 1998 a maioria dos cultivadores de Psylocybe cubensis do grupo de discussão tinham se mudado para o recém-criado alt.drugs.mushrooms. Ao mesmo tempo, autoridades em Minnesota estavam começando a ver um aumento no número de iniciativas de cultivos de cogumelos. Já que é ilegal possuir qualquer material, composto, mix ou preparação que contenha qualquer quantidade de psilocibina e/ou psilocina – enquanto cogumelos em si não são especificamente citados – se tornou importante para autoridades e químicos forenses saberem em que estágio do desenvolvimento as substâncias psicoativas podiam ser identificadas. Já que muitos artigos são publicados sobre a produção de psilocibina por culturas miceliais em ágar e meio líquido, o Laboratório de ciências forenses do FBI primeiro analisou as seringas de esporos e depois a rede micelial no Substrato PF atrás de substâncias controladas (veja
www.fanaticus.com/forensic.htm). Psilocibina e psilocina não foram encontradas e repetidos testes confirmaram a ausência destes. Foi determinado que o estágio de nó hifal era o primeiro momento em que drogas poderiam ser detectadas. Em outras palavras: quando o Substrato PF é usado, os bolos colonizados não são ilegais até o estágio de formação de pins. (Esteja ciente de que tais bolos podem ser considerados ilegais quando são usados como “precursores” para produzir um cultivo contendo psilocina/psilocibina, o que certamente pode ser alegado se os bolos forem apreendidos ao lado de cogumelos colhidos!). Por que o Substrato PF não produz as drogas, e ágar e culturas líquidas as produzem ainda é uma questão sem resposta. Mas a vantagem para o xamã de porão é clara.

DEIXEM COM UM HIPPIE...

O melhor uso para estas descobertas foi feito em 1999 por um cultivador caseiro de apelido “Hippie”. Como sempre, inovações em simplificar uma tarefa são feitas por aqueles que odeiam porém têm que fazê-la. Hippie estava entre os cultivadores de cogumelo mais preguiçosos da última década. Ele implementou as descobertas do FBI (sem saber, já que ele ainda não tinha lido o artigo do FBI) na “mycro-tek”. Nas próprias palavras de Hippie:

Eu descobri que é possível conseguir colheitas decentes de cogumelos de alta potência sem terrário, sem perlita, sem borrifar, sem ventilação, nada. “O que é mycro-tek?”, você pergunta. É essencialmente PF TEK pela metade. Bolos são feitos e inoculados como na PF TEK. Ao invés de incubar/colonizar no escuro, os frascos são expostos a luz durante todo o processo de colonização. Isto estimula a pinagem in vitro, normalmente quando o fresco já está completamente colonizado. Não existe o “aniversário”. Ao invés de ser aniversariado, e frutificado em terrário úmidos, os bolos são deixados nos frascos, expostos à luz, e mantidos aquecidos. Os pins continuarão a crescer tomando o formato do frasco. O fruto consegue crescer até que os chapéus comecem a abrir ou até que apareça algum sinal de danos aos pins. Então a tampa é removida, o bolo sacudido para fora, pins/cogumelos colhidos e os bolos retornam para os frascos para flushes adicionais. [http://mycotopia.net/archives/discus/messages/5/11718.html]​


Este é um genótipo Slim Matías Romero (SMR) de Psilocybe cubensis cultivado com a “mycro-tek” do Hippie (PF TEK sem terrário). O SMR tem o clássico do PF, o Matías Romero (MR), como pai (veio de esporos do PF). É uma mutação que apareceu pela primeira vez em Janeiro de 1997 na Holanda. O SMR difere do MR em ter uma formato mais similar a Stropharia; ou seja, escamas no chapéu dos cogumelos maduros (não carecas como você espera que sejam os Psilocybe) e um anel persistente ao redor da estipe. Em 2001 o SMR provou ser excepcionalmente útil para a “mycro-tek”. A carne azula em segundos após ser machucada, a dose psicoativa mínima é cerca de 0,6g secos, facilmente produz carimbos de esporos muito escuros, e cerca de 1/6 do peso seco do arroz integral é convertido em cogumelos secos com chapéus não abertos em 2-3 meses. [...]

As observações de Hippie estavam corretas exceto por duas coisas: expor os frascos a luz do dia por “todo o processo de colonização” não é necessário, nem são necessário frascos de conserva. Em 1980, o já mencionado micologista Edmond R. Badham havia publicado um artigo sobre o efeito da luz na formação de cogumelos Psilocybe cubensis (Badham, 1980). Ele descobriu que um período de luz tão curto quanto 0,0025 segundos era suficiente para iniciar a pinagem, contanto que a luz tivesse um comprimento de onda de no máximo 460nm (luz azul do dia) e que o substrato estivesse completamente colonizado. Combinado com as observações de Hippie, isso significava que “cultivar na mochila” – assim como enviar frascos colonizados pelo correio – era possível. Combinado com a descoberta do FBI, isso significava que colonizar bolos de cogumelo era legal desde que se mantivesse os bolos em escuro total. Ambas ideias foram testadas com sucesso no verão de 2001. Também, os frascos de conserva que são recomendados na PF TEK podem ser substituídos por um copo de dose grande, como mostrado abaixo. Este copo não quebra durante o processo de esterilização, já que não é colocado diretamente no fundo da panela. A tampa metálica dos frascos de conserva pode ser substituída com segurança por papel alumínio. E se a camada superior de vermiculita seca tiver pelo menos dois dedos de profundidade não é necessário inocular o substrato através de 4 furos – a cobertura de papel alumínio pode ser levantada e recolocada após a inoculação. A agulha da seringa não precisa ser esterilizada a fogo para este passo – é suficiente limpá-la com um tecido embebido em álcool etílico.


O procedimento de inoculação. Quando o copo de dose tiver esfriado e a agulha estiver limpa com álcool, apenas levante o papel alumínio e injete. Coloque o alumínio de volta e escreva o genótipo, a data, e o peso total do frasco no alumínio.

Outra melhoria recente é o método de fornecer água ao micélio. Na PF TEK básica os bolos são protegidos contra rega direta ao ser colocado em um ambiente em que uma atmosfera de neblina pode ser replicada. Hippie descobriu que também é possível reidratar bolos ressecados ao mantê-los por 12-24 horas sob água, uma técnica que tem muitos paralelos com o métodos de reidratação para Leninula edodes como descrito em Cultivando Cogumelos Gourmet e Medicinais (Growing Gourmet and Medicinal Mushrooms) de Paul Stamets. Ainda outro método – e frequentemente mais fácil – é adicionar água à camada seca superior do bolo (Psylocibe Fanaticus recomenda duas destas camadas: uma no topo e uma no fundo do bolo). Para garantir que não se adicione muita água, os copos devem ser pesados imediatamente após a esterilização. Após cada colheita, água é adicionada à camada superior, mas apenas o suficiente para que o copo de substrato pese o mesmo peso do início. Também vale a pena mencionar um método simples de manter os copos frios depois de pinar – importante de se fazer porque psilocibina é mantida melhor a temperaturas de cerca de 20°C. Mesmo nos verões mais quentes o copo do substrato pode ser mantido frio quando é colocado em uma meia, mergulhado em água gelada, e pendurado em algum lugar. O frasco é então esfriado pela evaporação da água então é importante manter a meia molhada. Posterior refrigeração dos bolos a 4°C é útil – bolos colonizados exceto os com pins podem ser impedidos de frutificar por até 3 meses desta maneira, para frutificar apenas quando retornarem a temperatura ambiente.

Ao usar os métodos novos simplificados foi demonstrado que mais de 1/6 do peso seco do arroz integral na “fórmula de frutificação máxima” do Substrato PF (=2 partes de vermiculita de 0-3mm, 1 medida de arroz integral em pó e 1 medida de pagua) podem ser convertidos em cogumelos secos (jovens, com chapéus não abertos) em menos de dois meses. (para estes resultados, os genótipos utilizados foram aqueles distribuídos por Psylocibe Fanaticus sob os nomes “Matías Romero” e “Hawaiian”).

Todas as boas notícias recentes não podem mascarar o fato de que a PF TEK tem um ponto fraco: a produção de inoculante não contaminado ainda reque um cultivador habilidoso e um local de trabalho estéril. O método descrito em www.fanaticus.com/syringe.htm é o mais simples possível, mas mesmo assim não serve para “cultivadores de mochila”.

Para produzir esporo-água viáveis, esta necessidade de um ambiente estéril deve ser sempre verdadeira. Mas para micélio-água, novas técnicas recentemente se tornaram disponíveis. Como sempre, as “novas” técnicas vieram com uma história interessante, que neste caso remonta a quase meio século.
 

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PARTE 5
A DESCOBERTA DA SEMENTE DE ORQUÍDEA

Na década de 40, o cultivador de orquídeas K.L. McAlpine estava procurando por um método para limpar as sementes de orquídea antes de germiná-las em um meio de ágar estéril. Isto era necessário porque o ágar se contaminava facilmente pelas bactérias e bolores tipicamente encontrados em sementes sujas. Sementes rotineiramente eram limpas com hipoclorito de sódio, mas em muitos casos um pouco deste desinfetante acabava indo parar no ágar, o que acabava matando a planta depois de um tempo. McAlpine sentou-se e ponderou sobre que agente esterilizante (assim como os possíveis produtos de sua decomposição) poderia matar fungos indesejados sem afetar as sementes de orquídea nem as reações do meio. Além disso, sua concentração ativa não deveria ser crítica. “Tal substância,” mais tarde escreveu Alpine, “poderia ser adicionada diretamente ao meio de cultura e as sementes então germinadas com completa despreocupação com a esterilidade”.

McAlpine descobriu que pensamentos desejosos podem impor muito trabalho. Ele testou várias centenas de produtos químicos (cada um em 30 concentrações diferentes!), adicionados em seu meio ágar. Apenas um se mostrou útil: peróxido de hidrogênio (H2O2). No “The Orchid Review” de Janeiro de 1947 lê-se que ele misturou uma solução de peróxido de hidrogênio 30% para chegar em concentrações finais de 0.0003-0.3%. Dentro da variação de 0.009-0.18%, ele descobriu que o crescimento de fungos era inibido mas a germinação de sementes não era prejudicada. Concentrações mais altas matavam ambos, sementes e fungos, enquanto concentrações mais baixas não matavam os fungos. McAlpine escreveu:

O ágar não precisa nem mesmo de ser esterilizado no vapor para isto, apenas aquecido para dissolver os componentes. Enquanto ainda quente, o meio de ágar é colocado em pequenos frascos contendo peróxido de hidrogênio dissolvido em uma quantidade mínima de água. Os frascos usados para propósitos comparativos eram de 30ml, de vidro transparente e com tampas. Tão logo o ágar enrijecia, sementes secas de orquídea eram distribuídas uniformemente pela superfície. A tampa é então rosqueada e o frasco colocado em um local adequado para o desenvolvimento das sementes. Peróxido de hidrogênio não altera a reação do meio: é altamente fungistático (N.T.: substância que inibe o crescimento um fungo sem matá-lo) e não se decompõe em substâncias tóxicas. Este método, mais do que qualquer outro descrito anteriormente, provavelmente é o que mais se aproxima de duplicar o processo natural.​

McAlpine estava correto. Peróxido de hidrogênio (água com um átomo adicional de oxigênio), é uma substância química que é extremamente eficiente em destruir organismos unicelulares: o oxigênio extra é altamente reativo e fura a membrana celular. Já que o peróxido de hidrogênio é feito de (e se decompõe em) água e oxigênio é facilmente formado na natureza. Está entre as primeiras substâncias químicas das quais as formas de vida precisaram se defender. Já que organismos unicelulares (bactérias, leveduras, esporos) não têm mais de uma célula a perderem, eles são as principais vítimas desta substância, enquanto todos os organismos multicelulares (assim como uma colônia de organismos unicelulares) possuem enzimas peroxidase para se defenderem. Muitos destes organismos até mesmo produzem peróxido de hidrogênio como uma arma antibacteriana. Abelhas, por exemplo, produzem peróxido de hidrogênio para manter o néctar coletado e o mel (um meio perfeito para a maior parte dos bolores) estéril.

Infelizmente, o trabalho pioneiro de McAlpine não foi seguido, talvez porque o peróxido de hidrogênio era considerado um composto instável, até mesmo explosivo. De fato, o composto era assim na época de McAlpine. Mas desde 1950 novos métodos para manter o peróxido de hidrogênio estável foram implementados (um pouquinho de ácido fosfórico foi o truque). E também, peróxido 3%, que é muito mais seguro de se trabalhar, se tornou amplamente disponível. Mesmo assim, passaram-se quase quatro décadas até que o botânico Richard Snow redescobrisse o método de McAlpine e publicasse um comentário a respeito no Boletim da Sociedade Americana de Orquídeas (American Orchid Society Bulletin) de Fevereiro de 1985.

Snow testou as descobertas de McAlpine ao deliberadamente inocular um meio de cultura com um bolor, e descobriu que uma concentração de 0,1% de peróxido de hidrogênio matou o bolor, enquanto concentrações entre 0,01-0,05% prejudicou seu crescimento.

Nove anos mais tarde o artigo de Snow foi lido por Rush Wayne, um futuro cultivador de cogumelos que não era muito bom com tarefas domésticas, vivendo em uma casa empoeirada com uma geladeira cheia de coisinhas verdes e brancas felpudas. Por algum motivo Wayne decidiu não usar seu tempo para limpar tudo, mas para encontrar um meio de cultivar cogumelos apesar da carga de contaminantes. E como nós vimos anteriormente com Hippie, esta é a atitude perfeita para chegar a uma descoberta. Depois que Wayne leu sobre as concentrações de peróxido que não eram prejudiciais aos bolores, ele decidiu fazer alguns testes com micélio de cogumelo. Como Wayne escreveu na primeira edição de seu manual de 1996, “Growing Mushrooms with Hydrogen Peroxide”:

O que se seguiu foi um processo bastante complicado e não-linear de aprendizado sobre cultivar vários cogumelos, testar diferentes concentrações, aprender sobre diferentes meios de cultura e como eles interagiam com os cogumelos e com o peróxido, testar vários graus e técnicas de pasteurização e esterilização, voltando atrás com melhores medições de PH, experimentando com suplementos, procurando fontes de contaminação, aprimorando meus procedimentos, e sem parar, até que eu desenvolvi algumas diretrizes bem confiáveis. Tudo levou mais tempo do que eu poderia imaginar. Mas o desfecho disso foi que, sim, peróxido de hidrogênio pode ser usado para manter a cultura de cogumelos livre de contaminantes sem matar a cultura de micélio em si.​

Eventualmente Wayne criou uma coleção inteira de técnicas de cultivo de cogumelos, todas sem a necessidade de panela de pressão ou um ambiente de trabalho estéril. A maioria das técnicas são destinadas a cultivo indoor de cogumelos não-psilocibinos em substrato bulk de serragem e palha. Elas não são muito úteis para cultivo de Psylocibe cubensis em mochilas e copos de dose. Contudo, eu não deixaria de recomendar o que Wayne escreveu sobre este assunto (disponível via www.mycomasters.com) a todos que desejam utilizar técnicas com peróxido em suas rotinas de cultivo, já que peróxido é útil em ocasiões específicas. Se usado da maneira errada peróxido não vai proteger contra contaminação – ou até pior, funciona tão bem que matará tudo, inclusive o micélio de cogumelo.

É extraordinário que a única abordagem em que o peróxido se provou útil para a PF TEK, é aquela que não chegou a segunda edição do manual de Wayne. É a técnica de fazer inoculantes líquidos peroxidados. Na primeira edição, Wayne escreve:

“Isto é o que fiz: limpei meu liquidificador bem com sabão e água quente, enxaguei com água da torneira, então enxaguei o liquidificador e tampa com água fervente (use um par de luvas grossas de borracha para fazer esse tipo de coisa e você terá menos queimaduras). Em seguida eu encho quase todo o liquidificador com água fervente e deixo descansar por cerca de 10 minutos. Então eu esvazio o liquidificador e o deixo esfriar tampado. Agora o liquidificador está pronto para o uso. Com meus frascos de grão esterilizados prontos (previamente tratados com peróxido), eu adiciono ao liquidificador água estéril o bastante para cobrir as lâminas e um ou dois milímetros de peróxido de hidrogênio 3%. Então eu corto um anel de micélio da cultura em ágar com um bisturi flambado (deixando para trás as bordas exteriores e o centro da cultura) e cuidadosamente jogo este anel no liquidificador. Com duas ou três pulsações de um segundo, o ágar é cortado em pedaços pequenos. Neste ponto, o peróxido no liquidificados começa a borbulhar oxigênio rapidamente por causa das enzimas liberadas pela quebra de células, então eu imediatamente derramo a pasta resultante nos frascos de Spawn, tentando adicionar cerca de 15 a 20 ml por frasco. Finalmente eu selo os frascos e os agito para distribuir bem a pasta. O crescimento pode ser observado dos pedaços maiores de ágar em dois ou três dias.”​

Na segunda edição de 1999, Wayne mudou de ideia:

Por dois motivos. O primeiro é que qualquer método de inocular uma cultura líquida é provável que exija liquidificar o inóculo (ou de alguma outra forma quebrar o micélio), o que libera uma quantidade significativa de enzimas decompositoras de peróxido no meio de inoculação. O segundo motivo é que, mesmo assumindo que o primeiro problema poderia ser superado, eu ainda esperaria que a concentração de peróxido declinasse rapidamente em uma cultura líquida, já que o material fúngico intacto com suas enzimas internas decompositoras de peróxido circula pelo líquido. O declínio em peróxido poderia ser compensado por uma adição regular de peróxido “fresco”, mas isto exigiria um método de medir a concentração de peróxido em soluções muito diluídas.​

Mas em janeiro de 2001 uma técnica melhorada e simplificada de fazer micélio-água peroxidado apareceu no grupo de discussão alt.drugs.mushrooms, escrita por “CountZero”, que afirmou:

Você só precisa cortar um pedaço de micélio de um bolo que acabou de aniversariar e rapidamente coloca-lo em um frasco cheio de água destilada e alguns cacos de vidro que você deve ter esterilizado e deixado esfriar. Feche o frasco novamente e chacoalhe bastante para que o micélio quebre em pedaços (por causa do vidro). Adicione 1ml de peróxido de hidrogênio 3% e deixe descansar por um dia, chacoalhando ocasionalmente. Então sugue a água para seringas. Um pedaço de micélio pode te dar muitas seringas fortes, mas você terá que usá-las dentro de uma semana mais ou menos. Se usada imediatamente a germinação é massiva.​

Estranhamente, Wayne e CounZero estão ambos corretos: pastas peroxidadas só podem ser utilizadas em combinação com uma barreira contra contaminantes, como a camada superior de vermiculita seca da PF TEK. Pastas peroxidadas não podem ser despejadas sem um alto risco de contaminação, mas apenas transportadas por pipetas ou seringa. E um micélio-água não tem uma vida longa se comparado com um esporo-água. São estes os problemas que este artigo abordará agora, ao esboçar uma nova técnica simples adicional à PF TEK – um método original que permite cultivadores de mochila “copiarem” um bolo de substrato que acabou de ser colonizado. Em resumo, eu recomendo que siga o processo do CountZero, mas sem o vidro, a água pré-esterilizada ou um frasco extra. Funciona apenas com um bolo que acabou de colonizar e que ainda não foi retirado do frasco, e quando realizado em uma superfície limpa e em um ambiente sem correntes de ar.

Um pedaço de bolo de substrato dentro de uma seringa com o êmbolo equilibrado em cima, pronto para ser transformar em uma pasta de micélio.
 
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PARTE FINAL
É UM PEDAÇO DE BOLO... DENTRO DE UMA SERINGA

Primeiro, pegue um copo com um bolo de substrato – de preferência um que acabou de colonizar. Coloque-o em um ambiente livre de correntes de ar em uma superfície limpa (se você trabalha na cozinha, feche as janelas e portas). Coloque uma pequena panela de água para ferver. Encha uma seringa vazia com água fervente. Coloque uma faca afiada com a lâmina dentro da panela de água fervente e desligue o fogo. Coloque o copo de substrato de cabeça para baixo sobre um pedaço de papel sobre a superfície de trabalho. Após cerca de um minuto, esvazie a seringa na panela. Então tire o êmbolo da seringa, coloque-o na água quente, remova o vidro de cima do substrato e espete a seringa vazia, agulha para baixo, no topo do bolo. Tire a faca da água quente, corte fora um pequeno pedaço da aresta do bolo e coloque dentro do corpo da seringa. Remova a seringa do bolo e reinsira o êmbolo. Aponte a seringa para cima e esvazie o ar da seringa. Coloque o copo novamente sobre o bolo e guarde novamente esse “bolo mãe” na geladeira. Se tudo tiver dado certo agora você tem um pedaço de bolo limpo dentro de uma seringa limpa.

Agora sugue 1ml de agua fria e limpa (da torneira ou engarrafada) para dentro da seringa, 0,2ml de peróxido de hidrogênio 3% (de preferência de um frasco novo e lacrado) e um pouco do ar mais limpo que você tiver disponível (você pode puxar ar logo acima da chama de uma lamparina de álcool para garantir que esteja limpo). Chacoalhe a seringa vigorosamente, ejete o ar (com a seringa apontando para cima) e encha a seringa com água limpa e fria. Permita que o peróxido aja por cinco minutos e então inocule um novo copo de Substrato PF.


Um pedaço de bolo de substrato dentro de uma seringa com o êmbolo equilibrado em cima, pronto para ser transformar em uma pasta de micélio.

ALTERNATIVAS?

Existem dois esboços de alternativas à ideia de manter um “bolo mãe” na geladeira. Um é fazer a técnica de micélio-água peroxidado do CountZero e guardá-la. A outra é não usar um bolo mãe mas copiar cada bolo no momento em que é colonizado (fazendo cópias de cópias, de cópias). Embora ambas alternativas possam parecer atalhos, elas são na realidade becos sem saída.

A razão para não armazenar micélio-água foi menciona anteriormente por Wayne e CountZero. Se houver bastante peroxido na água ele irá dominar as enzimas peroxidase e matar o micélio com o passar do tempo. Por outro lado, se as enzimas peroxidase conseguirem destruir o peróxido, o micélio-água fica passível de contaminação. Mas mesmo que nenhuma contaminação ocorra, solução de micélio-água de Psylocibe cubensis não dura muito tempo se comparado a esporo-água. É muito melhor armazenar spawn sólido.

Fazer cópias de cópias também não é uma boa ideia, porque nenhum organismo vivo foi desenvolvido para uma quantidade ilimitada de divisões celulares. O micélio não é uma exceção. Eventualmente ele se tornará senescente (processo metabólico de envelhecimento celular) e perderá a habilidade de produzir cogumelos. A ideia de manter um bolo mãe para clonagem tem o objetivo de adiar este momento o máximo possível mantendo uma linhagem de células jovens.

Então eventualmente cada cultivador tem que germinar uma nova strain de esporos. Já que esporos são unicelulares não é possível fazer uma solução esporo-água peroxidada. Felizmente, até em um ambiente não-estéril é possível germinar esporos em um tubo de ensaio sem a adição de peróxido. Você só precisa de um isqueiro para isto. (Obtenha o segundo volume do manual de Wayne se quiser ler sobre este processo).

Com estas técnicas novas é finalmente possível cultivar cogumelos a partir de esporos ou micélio sem a necessidade de um espaço de trabalho estéril e sem a necessidade de comprar uma seringa de esporos. Contudo, estes métodos provavelmente não são reais substitutos para a seringa de esporos. Isto porque a germinação de esporos de cogumelos em um meio que não seja o substrato de frutificação (e a produção de uma pasta de micélio que possa ser injetada neste último) facilmente reque de uma a três semanas extras se comparado com uma simples inoculação com uma seringa de esporos. Mais importante é que as novas técnicas para fazer pastas de micélio ainda não são “à prova de idiotas” (=à prova de contaminações) como o método de seringa de esporos, contanto que a seringa de esporos seja obtida de um vendedor que garanta sua viabilidade. Além disso, considerando que vários vendedores agora fornecem seringas de esporos por U$10,00 ou menos, fica a questão se as técnicas requeridas para coletar esporos, germiná-lo sem tubos de ensaios e fazer uma solução de água-micélio peroxidada realmente valem a pena, já que estes passos levarão mais de uma hora para serem completados e para muitas pessoas uma hora de seu tempo vale mais de U$10,00. Especialmente se a seringa vier de um vendedor que garanta sua viabilidade, será difícil encontrar um método com melhor custo-benefício. Enquanto eu escrevia este artigo, Psylocibe Fanaticus oferecia a melhor garantia de viabilidade, afirmando: “Garantimos que as seringas são limpas, viáveis e autênticas, ou seu dinheiro será devolvido ou a seringa substituída até que sua satisfação seja atingida”.

O FUTURO

A combinação de seringa de esporos, substrato de arroz integral em pó/vermiculita, e a barreira de vermiculita seca contra contaminantes, combinados em um método para o “cultivo de mochila” pode muito bem ser a simplificação máxima para Psylocibe cubensis. O método do copo de dose grande se liga à PF TEK com os desenvolvimentos mais recentes para a produção em massa de outros cogumelos comestíveis. Na terceira edição da bíblia do cultivo de cogumelos “Growing Gourmet and Medicinal Mushrooms” (Ten Speed Press, 2000), o autor Paul Stamets explica:

O atalho final para cultivar cogumelos é via inoculação de massa/líquido diretamente nos substratos de frutificação (p.133). Cultura de garrafa é um meio eficiente para cultivar uma variedade de cogumelos comestíveis e medicinais em substratos esterilizados. Atualmente, cultivadores asiáticos adaptaram o cultivo em garrafas, originalmente projetado para facilitar a colheita de cogumelos Enoki (Flammulina velutipes), para o cultivo de muitos outros cogumelos comestíveis e medicinais, incluindo Juba-de-leão (Hericium erinaceus), Buna-shimeji (Hypsizygus tessulatus), Reishi (Ganoderma lucidum), Coguemlo Orelha de Madeira (Auricularia polytricha), e algumas variedade de cogumelos Ostra. A vantagem do cultivo em garrafas é que o processo pode ser altamente compartimentado e facilmente incorporado a muitos sistemas de produção em alta velocidade de outras indústrias. Com a evolução natural das técnicas, cultivadores asiáticos substituíram as garrafas por sacos cilíndricos de formato similar. Muitos cultivadores na Tailândia, Taiwan e Japão preferem este método híbrido. Inoculação líquida de meio estéril, suplementado, permite métodos de inoculação semelhantes a sistemas de alta-produção como os de fábricas de refrigerante. Com reengenharia, tal maquinário de produção linear de alta velocidade poderia ser aprimorado para cultivo em sacos e garrafas. (pp. 191-193)​

Métodos similares a PF TEK se tornaram populares em livros introdutórios sobre microbiologia e biotecnologia (ver "Carpogenesis and Basidiosporogenesis" de Suki C. Croan). Está agora estabelecido que Psylocibe cubensis é o principal candidato para a biossíntese fácil de psilocibina e psilocina. A versão da PF TEK com copo de dose grande é o método mais fácil para cultivadores profissionais e iniciantes e as variedades de P. cubensis “Matías Romero” e “Golden Teacher” são os cogumelos com melhor performance em pó de arroz integral e vermiculita (pelo menos no momento). Mas isso não significa que toda a inovação chegou ao fim da linha psilocibina – pelo menos duas novas direções estão sendo cogitadas. A primeira é a busca por outra, preferencialmente mais potente, espécie de cogumelo que possa ser frutificada em um meio de grãos. Na década de 80, Gartz reportou sucesso com P. bohemica, P.natalensis e Gymnopilus purpuratus. No fórum da internet www.shroomery.org há algumas belas fotos de outro pesquisador alemão chamado Electrolurch, que frutificou uma nova strain do majestoso P. zapotecorum que ele coletou no México. Todo mês “novas” espécies cultiváveis de Psilocybe são citadas neste e em outros fóruns similares, como www.theforestfloor.org, www.mycotopia.net, e alt.drugs.mushrooms.

A outra direção interessante é a formulação de um meio de crescimento que permita ao fungo psilocibino biossintetizar triptaminas que normalmente são criadas artificialmente em laboratório, como 4-hidroxi-DET, 4-hidroxi-DPT e seus fosforiloxis correspondentes. Outros componentes psicoativos interessantes que poderiam possivelmente ser biossintetizados desta forma são ergina, 4-hidroxi-aMT, baeocistina, norbaeocistina, ésteres não-fosforil de triptaminas alquila metiladas e triptaminas 5-substituinte alquila Para estes experimentos os psilocibinos formadores de esclerótias Conocybe cyanopus, Inocybe aeruginascens, Psilocybe mexicana, P. semilanceata e P. tampanensis assim como os não formadores de esclerótia como P. azurescens, Panaeolus cyanescens, P. tropicalis e Pluteus salicinus podem ser muito úteis. Contudo nenhuma dessas espécies possui no momento um método de cultivo in vitro não estéril, simples, bem estabelecido e de bom desempenho. “Biossíntese de grife” via cogumelos é um território em grande parte inexplorado.

Em resumo ainda há muito a ser descoberto pelo(a) xamã de porão que acabou de começar seu hobby. Muito do equipamento do século XX já não é mais necessário, então não conhecer técnicas laboratoriais não é mais uma desculpa. O único ingrediente necessário para avançar é uma mente curiosa, já que o momento de cultivo fácil e independência dos “traficantes de rua” definitivamente chegou.


Referências

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Badham, E.R. 1982. "Tropisms in the mushroom Psilocybe cubensis," Mycologia 74: 275-279.
Badham, E.R. 1983. Cultural Studies on the Mushroom Psilocybe cubensis, Ph.D. Dissertation. University Microfilms, Ann Arbor, Michigan.
Gartz, J. 1993. Narrenschwamme-Psychotrope Pilze in Europa.
Gartz, J. 1996. Magic Mushrooms Around the World--A Scientific Journey Across Cultures and Time--The Case for Challenging Research and Value Systems. LIS Publications.
Ott, J. 1976. Hallucinogenic Plants of North America. Wingbow Press.
Ott, J. 1978. Teonanácatl: Hallucinogenic Mushrooms of North America. Madrona Publishers, Inc.
Kneebone, L.R. l960. "Methods for the production of certain hallucinogenic agarics," Developments in Industrial Microbiology 1: 109.
Ott, J. 1996. Pharmacotheon: Entheogenic Drugs, their Plant Sources and History, second edition, densified. Natural Products Co.
Pollock, S.H. 1977. Magic Mushroom Cultivation. Herbal Medicine Research Foundation.
Stafford, P. 1993. Psychedelics Encyclopedia. Ronin Publishing, 3rd Edition.
Stijve, T. 1992. "Psilocin, Psilocybin, Serotonin, and Urea in Panaeolus cyanescens from Various Origin," Persoonia 15(1): 117-121.

Revisão Histórica

v1.1 - Feb 21, 2013 - Published on Erowid. Fixed minor typos, dead links replaced with current ones, missing references added.
v1.0 - Winter 2001 - Published in The Entheogen Review.
 

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