E-Book Wu Hsin

morpheu

Cogumelo maduro
Membro Ativo
Se queremos falar da não-dualidade, temos de falar de Wu Hsin. A sua simplicidade ilumina de tal forma o nosso caminho que não podemos ficar indiferentes à sua sabedoria.

“A procura termina quando o peixe compreende a inutilidade de procurar o oceano” --, diz Wu Hsin, cujo axioma sintetiza seu pensamento e filosofia.
Há poucos registros dos ensinamentos dele tanto em português, quanto em inglês. Na introdução do livro “The Lost Writings of Wu Hsin” (2011), o organizador Roy Melvin diz que o pensamento de Wu Hsin foi influenciado pelas escolas de Confúcio, Mozi e pelo Taoísmo, e ajudou a criar as fundações do que seria mais tarde o Zen Budismo na China e no Japão.

Acredita-se que Wu Hsin nasceu durante o Período dos Estados Combatentes (403-221 a.C.), data posterior à morte de Confúcio por mais de cem anos. Este foi um período em que a casa reinante de Zhou havia perdido muito de sua autoridade e poder e houve um aumento de violência entre os estados. Esta situação deu origem a centenas de escolas, ao florescimento de muitas escolas de pensamento, cada uma expondo as suas próprias concepções dos pré-requisitos para um retorno a um estado de harmonia. As duas escolas mais influentes foram a de Confúcio e a dos seguidores de Mozi ("Mestre Mo"), os mohistas.

Esta última criticava a natureza elitista e comportamentos extravagantes da cultura tradicional. O movimento relacionado com a filosofia Daodejing também foi emergente nesta altura. O estilo taoista da filosofia de Wu Hsin foi desenvolvida no contexto definido por estas três escolas e parece ser mais fortemente influenciada por esta última. Adicionalmente, ele contém claramente as sementes do que viria a ser o budismo Chan na China ou Zen no Japão.

Wu Hsin nasceu em uma aldeia chamada Meng, no estado de Song. O rio Pu, no qual Wu Hsin disse ter pescado, estava no estado de Chenwhich, o qual se tornou um território de Chu. Podemos dizer que Wu Hsin estava situado na zona de fronteira entre Chu e as planícies centrais, as planícies centradas em torno do Rio Amarelo, que eram a casa das culturas Shang e Zhou. Certamente, conforme se aprende mais sobre a cultura de Chu, mais se percebe ressonâncias profundas com a sensibilidade estética dos taoístas, e com o estilo de Wu Hsin em particular.

Se o datamento tradicional é confiável, Wu Hsin teria sido contemporâneo de Mencius, mas é difícil encontrar qualquer evidência de que havia alguma comunicação entre eles. O filósofo Gao Ming, embora não fosse um taoísta, era um amigo próximo e abundam histórias de suas rivalidades filosóficas.

Fonte do texto: QUEM É WU HSIN? - MESTRE DA NÃO-DUALIDADE.

No link a seguir há uma curta coletânea de textos dele, são apenas 29 páginas:


Se alguém quiser se aprofundar mais, o link a seguir possui 586 páginas (confesso que nem eu li esse, pois só fui descobrir hoje):

 

Anexos

Editado por um moderador:

morpheu

Cogumelo maduro
Membro Ativo
Muitas coisas me levam a crer que Wu Hsin na verdade nunca existiu e é apenas um personagem fictício criado por Roy Melvyn, pois, em primeiro lugar, muitos textos do Wu Hsin têm um linguajar demasiadamente contemporâneo (e ocidental, usando palavras como “Céu”, “inferno”, “útero”, entre inúmeras outras), não tendo cara de algo que foi escrito na China séculos antes de Cristo. E quanto a isso Roy Melvyn escreveu:

“A fonte do conteúdo são pergaminhos que passaram pelas minhas mãos no período em que vivi na China. A aparente contemporaneidade natural de alguns escritos é em parte devido à liberdade que tomei em alguns momentos na tradução.”

Fonte da citação: “Todo apego implica medo, a suposição equivocada que algo precisa ser segurado”: discursos do sábio chinês Wu Hsin – _ dharmalog

O problema é que não apenas algumas palavras usadas são muito modernas, como também o próprio estilo do ensinamento lembra muito a não dualidade contemporânea e alguns assuntos tratados são bem atuais (por exemplo, há um texto que fala sobre controlar e destruir a natureza, e eu imagino que na China de antes de Cristo se já existia essa mania do ser humano de querer controlar e com isso destruir a natureza, devia ser numa escala tão pequena que nem chegava a ser um problema).

Em segundo lugar, alguns textos são muito parecidos ou quase idênticos a trechos do livro “Eu sou aquilo”, de Nisargadatta Maharaj (curiosamente, o próprio Roy Melvyn já organizou e publicou um livro com ensinamentos do Nisargadatta Maharaj, intitulado “The essential Nisargadatta”). Aliás, não há apenas semelhanças com Nisargadatta como também com outros professores de não dualidade (e o que devemos levar em consideração é que o primeiro livro do Wu Hsin foi publicado muito recentemente, em 2012 se eu não me engano, enquanto "Eu sou aquilo", por exemplo, foi publicado em 1973).

Em terceiro lugar, pelo que eu pesquisei tudo o que se conhece de Wu Hsin vem do Roy Melvyn: a única biografia que achei do Wu Hsin é aquela escrita pelo Roy Melvyn e todos os ensinamentos do Wu Hsin, até onde eu sei, foram publicados pelo Roy Melvyn.
 
Última edição:
Superior