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Lucidez, o choque do retorno e a inteligência da natureza

psic_one

Hifa
Membro Ativo
05/07/2023
140
8
-E aí, pessoal. Abri esse tópico porque queria relatar uma confusão que tenho sentido após minhas trips. E trocar alguns insights, me ajudaria muito! (Antes de tudo, acredito que cada trip tem suas particularidades, não acho que todas as trips, de todo mundo, são iguais. Pelos relatos, sabemos disseo, porém, há alguns aspectos que são semelhantes e comuns nas trips. E queria entende essa segunda parte. Vejo o ego mais como uma lanterna, que possui uma luz que ilumina os fenômenos, e a experiência que temos com o fenômenos depende para onde e como essa lanterna é direcionada. Cada um carrega seu conteúdo próprio, sua história e etc, então, acho que isso influencia diretamente na experiência.)

- O choque com condicionamentos;

Durante a experiência, parece que os condicionamentos são percebidos diferentemente. Não é uma distanciamento, mas parece que, por exemplo, a fome começa de um jeito diferente, mais suavemente. Não é algo só funcional comer, parece que está ligado a algo mais primordial. E assim com o sexo também.O retorno, de voltar a ficar muito "apegado" à esses condicionamentos, é bem incomodo. Acho que tem o fator moralista aí, que eu esteja julgado demais a experiência que não é a trip, essa do cotidiado.


- A natureza como um ser inteligente

Outra coisa; li vários relatos de encontros com seres de outras dimensões, algumas vezes com formas que traziam sabedoria, e outras em bads com formas de aliens e figuras assustadoras. Sinceramente, eu não tento tanto procurar uma forma. Porém, dá pra sentir que a natureza é uma inteligência e que estamos ligados a ela. Se vejo o céu, ele fica mais brilhante, as nuvens mais vivas — não só no aspecto visual das cores, mas como um ser vivo, animado. Se possui alguma entidade ou força que dá vida a esse ser, eu já não sei. Ainda desconfio um pouco, mantenho o pé atrás. Porém, na trip, quanto mais silêncio eu faço e mais foco na minha respiração, e nessa sensação do universo expandindo, dá mais a impressão forte de estar conectado a essa inteligência.


Como vocês lidam com essa percepção de que tudo é vivo com esse condicionamento, do cotidiano? Como vocês equilibram as coisas?
E essa questão da natureza ser mesmo inteligente a relação que vocês tem, com a trip?
 
Última edição:
Sinto conforto em ouvir você relatando as mesmas coisas e dúvidas q tive. Eu infelizmente não tenho uma resposta incontestável sobre isso, ainda que eu entenda em superfície, creio que nós nunca vamos entender completamente.

Creio que nós somos condicionados a tudo pela nossa estrutura cerebral (ela em si é o ego), todas suas ações, vontades, necessidades, são condicionadas pelo seu próprio corpo, que foi literalmente "feito pela mãe natureza". Inclusive seus pensamentos, as conclusões que você chega, as linhas de raciocínio que você toma, são condicionadas a utilizar os mesmos sistemas que nos ajudavam a sobreviver desde a antiguidade.

Sobre a vontade primordial que você citou, eu sei exatamente do que você está falando, e é realmente algo inefável, acho até estranho a palavra "primordial" conseguir passar tão bem essa idéia. Eu sempre interpretei isso como um abraço da própria natureza durante a criação.

Essa sensação primordial, engloba tudo aquilo que é vital para nós, comer, beber, fazer sexo, amar, chorar, e pra falar a verdade, ela engloba tudo, mas parece precisar de gatilhos específicos para ser ativada.

Pasmem, você é literalmente resultado de milhões e milhões de anos de evolução, cada parte do que você define ser você, é uma parte que a natureza demorou uma eternidade pra construir, e creio que essas "estruturas", tenham as mesmas marcas da natureza, e por conta de alguma coisa q eu não faço idéia do que seja, nosso cérebro imediatamente gera uma conexão profunda com a "nossa mãe" (As estruturas que me refiro são como nossas veias que se parecem com os tecidos vasculares das plantas, nós somos um ecossistema funcionando, somos literalmente uma pequena expressão/reflexo da natureza.)

(Talvez a natureza e o universo não sejam duas coisas diferentes?)

Creio que todos nós já sentimentos aquela sensação única de conexão com a natureza, como se ela literalmente tivesse falando conosco, há aqueles que interpretam isso de forma espiritual, outros que é fruto do cérebro, eu não, eu realmente amo a idéia de dizer que "eu não faço a menor idéia do que tá rolando aqui".

Pode pensar com lógica o quanto quiser, tentar utilizar um cérebro que foi feito pra sobreviver, numa tentativa de tentar entender a origem última da realidade, é uma bela gambiarra. Fora que você estaria tentando usar a ferramenta pra medir a própria ferramenta.

Tentar definir a si mesmo é como tentar morder o seu próprio dente.
Alan Watts
Como vocês lidam com essa percepção de que tudo é vivo com esse condicionamento, do cotidiano? Como vocês equilibram as coisas?
E essa questão da natureza ser mesmo inteligente a relação que vocês tem, com a trip?
Creio que a melhor forma de viver condicionando a idéia de que tudo é vivo de certa maneira, é simplesmente viver sem ficar pensando tanto nisso.


Eu simplesmente vivo, se eu ficar pensando mt sobre esse tipo de coisa, fico maluco, então eu simplesmente coloco isso como uma base pra construir minha vida, tento tratar as coisas com o máximo de carinho que o condicionamento do dia a dia me permite.

Sobre a natureza ser inteligente, eu diria que ela tem todas as respostas que precisamos, mas como eu disse, nós viemos dela, e voltaremos pra ela, essas respostas já são nossas, n precisa ficar procurando.

Se ela é/tem uma Consciência? Quem vai saber? A vida é cheia de mistérios grandes demais pra nós humanos.


Espero ter ajudado um pouco irmão, se quiser conversar sobre mais alguma coisa, fica a vontade pra dizer, lamento se eu tiver fugido do assunto que vc queria abordar, tô escrevendo isso cheio de sono.
Tmj irmão.
 
Última edição:
As orientações do @LMyco parecem pertinentes, no entando eu não ignoraria o intuito de aprofundamento do @psic_one nessa temática.

Na cosmologia de Carlos Castaneda, a consciência humana é dividida em 3 Atenções (Primeira, Segunda e Terceira Atenção), que representam diferentes níveis de percepção, realidades e capacidades do ser humano.
Esta divisão dita como percebemos o mundo cotidiano e como podemos acessar reinos desconhecidos de energia através do xamanismo.

- Primeira Atenção (A Atenção do Tonal)
Definição: É a consciência do mundo cotidiano, da nossa realidade física e social.
Função: Serve para nos situarmos no mundo material, categorizar objetos e interagir em sociedade.
Mecanismo: É gerada e mantida pelo "anel do poder" da nossa fixação diária, onde o casulo de energia humana filtra o fluxo do universo para criar uma realidade sólida e inteligível.
Associação: Está diretamente ligada ao Tonal, que representa o conhecido, a ordem, a razão e o ego.

- A Segunda Atenção (A Atenção do Nagual)
Definição: É a consciência do mundo extrafísico, dos corpos energéticos e das realidades alternativas.
Função: Permite perceber a energia diretamente como ela flui no universo, sem os filtros da razão humana.
Acesso: Alcançada através de estados alterados de consciência, como o sonhar consciente (projeção astral/sonhos lúcidos) e o "espreitar" (stalking).
Associação: Está ligada ao Nagual, o desconhecido, o mistério e a energia pura. É o reino onde operam os feiticeiros e onde o corpo físico pode se transformar em corpo de energia.

- A Terceira Atenção (A Consciência Total)
Definição: É o estado de iluminação absoluta ou consciência cósmica, onde a primeira e a segunda atenção se fundem.
Função: Permite que o indivíduo acenda todas as emanações de energia dentro do seu casulo simultaneamente.
Resultado: Em vez de morrer de forma convencional, o praticante consome seu corpo físico com o fogo interior e entra na liberdade total, movendo-se conscientemente através do universo infinito.

Segundo a cosmologia de Carlos Castaneda e do feiticeiro Dom Juan Matus, o Nagual e o Tonal não estão separados; o Tonal flutua como uma pequena ilha dentro do infinito oceano do Nagual. O ser humano é, na verdade, a "totalidade de si mesmo" e um canal de passagem fluida entre ambos os domínios.
A dinâmica entre os dois ocorre da seguinte maneira:
O Tonal é a nossa mente, o mundo da razão, da linguagem e do inventário do cotidiano. Ele é tudo o que podemos nomear, organizar e perceber com a nossa atenção normal;
O Nagual é o incognoscível, o espírito puro, a energia informe que não pode ser descrita por palavras;
A Passagem: Para o Nagual (o desconhecido) se manifestar no mundo físico, o praticante deve "encolher" o Tonal. Isso exige poder pessoal e a interrupção do diálogo interno (silêncio interior), permitindo que a percepção pura tome as rédeas sem que o corpo se desintegre.
O objetivo final da feitiçaria, segundo os ensinamentos, é aprender a mover-se livremente entre o Tonal e o Nagual sem perder o equilíbrio, unindo os dois mundos conscientemente.

Segundo Castaneda, existem algumas técnicas para equilibrar as coisas:

Os Passes Mágicos, ou Tensegridade, são posturas e movimentos corporais criados por xamãs do México Antigo e sistematizados por Carlos Castaneda. Eles servem para redistribuir a energia interna e romper barreiras de percepção, permitindo que a consciência acesse estados não ordinários, conhecidos como o Nagual.

A palavra "Tensegridade" vem da arquitetura e une tensão e integridade. Castaneda desenvolveu esses exercícios ao longo de 10 anos a partir de ensinamentos de seu mestre, Don Juan Matus. A premissa central é que a vida moderna estagna nossa energia vital. Os movimentos funcionam como chaves físicas que destravam bloqueios nos tendões e órgãos, gerando a vitalidade necessária para perceber e navegar realidades além do mundo cotidiano (o Nagual).

O principal guia prático do autor para essas sequências é o livro "Passes Mágicos" (Passes Mágicos: A Sabedoria Prática dos Xamãs do Antigo México).
A obra: Contém a história filosófica e os fundamentos da prática. Traz descrições detalhadas de dezenas de movimentos. Inclui mais de 450 ilustrações para guiar o praticante na execução exata das posturas. É amplamente comercializado em livrarias, disponível também em pdf.

A prática da Tensegridade não se limita apenas ao livro; ela envolve dedicação corporal diária, que lembra muito a filosofia do Yoga ou as artes marciais:
Respiração e Foco: Muitos movimentos são combinados com respirações profundas para redistribuir a energia, o que auxilia em práticas como a Recapitulação (revisão consciente da própria vida).
Material Complementar: Além da obra de Castaneda, existem materiais analíticos que contextualizam a relação dessa prática somática com a expansão da consciência.
 
Fala, nobre @psic_one! Olha, se entendi bem a proposta:

Como vocês lidam com essa percepção de que tudo é vivo com esse condicionamento, do cotidiano? Como vocês equilibram as coisas?
O que você chama de tudo vivo, talvez seja o que eu percebo como a unidade fundamental de todas as coisas, que somos um/uma/ume, a partir da minha experiência com 14 gramas (Aprendiz de Feiticeiro - 1ª Dose Heroica, 14g secas (xp 89)), ou talvez seja uma percepção diferente, que eu ainda não tive, de que tudo seja efetivamente vivo em um grau orgânico; pois, do ponto de vista da Vibração Fundamental que são todas as coisas, tudo é de fato vivo no sentido que tudo é uma única vibração, que engloba vida etc.

Meu equilíbrio entre as percepções profundas do lado de lá, e os condicionamentos pragmáticos do lado de cá, pode ser colocado de duas formas:
1 - existe consequências morais, éticas, comportamentais, que você pode aplicar com os insights do Estado Extraordinário de Consciência. Então, uma Iluminação pode fazer a pessoa retornar e ter mais amor, mais disposição pra perdoar, mais sensação de unidade, um monte de coisa. E esse é um aspecto.
2 - contudo, a gente deve sempre lembrar da figura do Dedinho Mindinho na Quina do Sofá (que faz parte da lore aqui do fórum), em que, apesar de que tudo é um/uma/ume e que o Universo é puro prazer até quando há dor, o fato é de que, no dia a dia, no condicionamento, vivemos com um corpo sob uma ilusão de separação que para ele é de fato a realidade última. Portanto, o equilíbrio vem em viver plenamente essa vida limitada, com aspecto de morta do Universo (ou de ilusão de separação pra mim), dentro de como ela é. Vencemos condicionamentos mentais não-essenciais plantados por limitações culturais, ok; mas há condicionamentos fisiológicos que são invencíveis e devem ser respeitados. Iremos comer, iremos dormir, iremos sofrer, iremos viver. Então, não se perder na Iluminação, não supor que a realidade (da ilusão da separação) não seja 100% real e capaz de fazer o ego acabar neste corpo mediante a morte, nem se cobrar demais pra viver conforme a idealização de sábios do passado (os quais decerto jamais foram perfeitos como deles se diz) etc.

O Universo é todo vida, mas quando meu dedinho mindinho bate no sofá, isso é irrelevante, eu preciso reagir com a dor, tirar o pé do impacto, cuidar dele. Tudo com coisas que parecem mortas, porque de fato, pra Consciência Ordinária, estão sem vida.


E essa questão da natureza ser mesmo inteligente a relação que vocês tem, com a trip?
Eu tenho pouca relação com a natureza ao longo da minha vida e das minhas percepções. A primeira vez que um espírito ou energia da natureza veio falar comigo, foi justamente naquela exp de 14 gramas, para defender a vida dos animais e de certa forma me propor deixar de comer animais. Algo que me chocou muito, porque eu nunca dei bola pra esse lance de não comer carne, e nunca fez sentido. Mas, após alcançar a Iluminação, estar diante de Deus-Deusa e rejeitar fazer perguntas a Ela/Ele/Elx... e vir então uma forma humana espiritual falar em nome de todos os animais da Terra... me faz pensar que de fato não comer animais nos faz melhores, não energeticamente, mas amorosamente, caridosamente. É de fato mais uma sensibilidade a se ter, a de não comer animais se for possível se alimentar de outra forma, para que eles também tenham a liberdade de viver e, nos tempos atuais, parem de ser torturados para produção de carne em massa.

Mas é só isso mesmo até o momento. Nunca fui defensor da natureza. Sempre entendi que pra ela, não importa o que fizermos, vida que segue - somos nós mesmos que no fim nos mataremos, enquanto a natureza segue em sua eterna mudança.
 
Eu passei quase um ano inteiro usando todas as segundas e o que mais me veio foi essa mensagem EQUILÍBRIO. É praticamente a base de tudo na vida bem dizer, pois temos nossas sombras e nossa luz e temos que estar no centro, impossível esconder nossas sombras debaixo do tapete...
 
Fala, nobre @psic_one! Olha, se entendi bem a proposta:


O que você chama de tudo vivo, talvez seja o que eu percebo como a unidade fundamental de todas as coisas, que somos um/uma/ume, a partir da minha experiência com 14 gramas (Aprendiz de Feiticeiro - 1ª Dose Heroica, 14g secas (xp 89)), ou talvez seja uma percepção diferente, que eu ainda não tive, de que tudo seja efetivamente vivo em um grau orgânico; pois, do ponto de vista da Vibração Fundamental que são todas as coisas, tudo é de fato vivo no sentido que tudo é uma única vibração, que engloba vida etc.

Meu equilíbrio entre as percepções profundas do lado de lá, e os condicionamentos pragmáticos do lado de cá, pode ser colocado de duas formas:
1 - existe consequências morais, éticas, comportamentais, que você pode aplicar com os insights do Estado Extraordinário de Consciência. Então, uma Iluminação pode fazer a pessoa retornar e ter mais amor, mais disposição pra perdoar, mais sensação de unidade, um monte de coisa. E esse é um aspecto.
2 - contudo, a gente deve sempre lembrar da figura do Dedinho Mindinho na Quina do Sofá (que faz parte da lore aqui do fórum), em que, apesar de que tudo é um/uma/ume e que o Universo é puro prazer até quando há dor, o fato é de que, no dia a dia, no condicionamento, vivemos com um corpo sob uma ilusão de separação que para ele é de fato a realidade última. Portanto, o equilíbrio vem em viver plenamente essa vida limitada, com aspecto de morta do Universo (ou de ilusão de separação pra mim), dentro de como ela é. Vencemos condicionamentos mentais não-essenciais plantados por limitações culturais, ok; mas há condicionamentos fisiológicos que são invencíveis e devem ser respeitados. Iremos comer, iremos dormir, iremos sofrer, iremos viver. Então, não se perder na Iluminação, não supor que a realidade (da ilusão da separação) não seja 100% real e capaz de fazer o ego acabar neste corpo mediante a morte, nem se cobrar demais pra viver conforme a idealização de sábios do passado (os quais decerto jamais foram perfeitos como deles se diz) etc.

O Universo é todo vida, mas quando meu dedinho mindinho bate no sofá, isso é irrelevante, eu preciso reagir com a dor, tirar o pé do impacto, cuidar dele. Tudo com coisas que parecem mortas, porque de fato, pra Consciência Ordinária, estão sem vida.



Eu tenho pouca relação com a natureza ao longo da minha vida e das minhas percepções. A primeira vez que um espírito ou energia da natureza veio falar comigo, foi justamente naquela exp de 14 gramas, para defender a vida dos animais e de certa forma me propor deixar de comer animais. Algo que me chocou muito, porque eu nunca dei bola pra esse lance de não comer carne, e nunca fez sentido. Mas, após alcançar a Iluminação, estar diante de Deus-Deusa e rejeitar fazer perguntas a Ela/Ele/Elx... e vir então uma forma humana espiritual falar em nome de todos os animais da Terra... me faz pensar que de fato não comer animais nos faz melhores, não energeticamente, mas amorosamente, caridosamente. É de fato mais uma sensibilidade a se ter, a de não comer animais se for possível se alimentar de outra forma, para que eles também tenham a liberdade de viver e, nos tempos atuais, parem de ser torturados para produção de carne em massa.

Mas é só isso mesmo até o momento. Nunca fui defensor da natureza. Sempre entendi que pra ela, não importa o que fizermos, vida que segue - somos nós mesmos que no fim nos mataremos, enquanto a natureza segue em sua eterna mudança.
Achei teu comentário muito foda. Vou reler com mais calma para comentar depois...
 
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