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Aqui discutimos micologia amadora e enteogenia.

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Sexo sob Psicodelia no Motel, e uma Linda Amizade (xp 96)

ExPoro

Enteogenista Apaixonado pela Vida
Cultivador confiável
14/04/2015
3,715
1
94
Data da experiência: 06/06/2026
Dosagem: chá de 20 gramas frescas de MDK

Breve contexto​

Reencontrei meses após minha separação uma mulher que já havia saído antes, em um contexto parecido, com LSD. Eu senti uma conexão muito legal com ela, na época tinha dado problema e o encontro foi interrompido. Ficamos sem falar por anos. A chamei de novo para sairmos, agora pra tomar cogumelo. Marcamos de ir num motel, e tomar cogumelo pra uma psicodelia com sexo.

Inicialmente, eu queria apenas colocar o relato dela, que eu pedi pra ela fazer, pra poder ter pelo menos uma experiência, entre as 100 que aqui estou pra terminar de relatar, em que outra pessoa relatasse por mim. Mas ela também pediu pra eu fazer meu relato, pra ela saber também mais o que se passou comigo. Então, primeiro o relato profundo dela, e então um relato analítico meu.

Algo que eu expresso antes que leiam, é que ela é como se fosse um ser que vive sob a força da enteogenia. Não precisa estar sob efeito pra alcançar pontos de raciocínio e percepção de um Estado Alterado de Consciência.

Relato Dela​


​
"Aceitei esse convite de uma forma muito espontânea. Era um reencontro com um velho amigo, alguém com quem eu já havia vivido uma experiência importante anos atrás. Na época, ela havia sido muito significativa para mim, embora não tivesse sido exatamente como eu esperava. Quando ele me convidou novamente, senti que era o momento certo. Eu estava vivendo uma fase da vida em que tudo parecia muito igual, muito previsível, e senti vontade de me abrir para algo novo.​
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Desde o início fui recebida com muito cuidado. Todo o ambiente havia sido preparado com atenção, respeito e intenção. Isso me trouxe uma sensação de segurança e acolhimento antes mesmo de iniciarmos.​
​
Antes da experiência, eu tinha criado muitas expectativas. Imaginava que estaria muito mais entregue ao momento, principalmente no aspecto emocional e sexual. Achei que estaria mais intensa, mais aberta às sensações, mais disposta a explorar tudo o que pudesse surgir. Mas, quando o momento chegou, percebi que não era esse o lugar em que eu estava. Curiosamente, isso não gerou frustração durante a experiência. Apenas me mostrou que minhas expectativas pertenciam à minha imaginação, enquanto a experiência real tinha outro caminho para me apresentar.​
​
Após ingerirmos os cogumelos, comecei a perceber mudanças sutis no meu corpo. Havia uma sensação de maior relaxamento, uma leve alteração na percepção e uma harmonia diferente na forma como eu sentia meu próprio estado. Ao mesmo tempo, minha consciência permaneceu muito lúcida. Eu sabia exatamente onde estava, conseguia organizar meus pensamentos e conversar normalmente.​
​
Sempre me considerei uma pessoa bastante observadora e sensível às emoções, aos comportamentos e às dinâmicas entre as pessoas. Durante a experiência, senti que essa percepção ficou ainda mais aguçada. Em vez de mergulhar profundamente dentro de mim, minha atenção naturalmente se voltou para quem estava ao meu lado.​
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Percebi que meu amigo parecia viver uma experiência muito mais intensa do que a minha. Enquanto eu permanecia relativamente estável, ele acessava reflexões e estados emocionais bastante profundos. Sem que isso fosse planejado, acabei ocupando um lugar de escuta. Passei boa parte do tempo ouvindo, acolhendo e, quando fazia sentido, compartilhando algumas percepções que surgiam naturalmente.​
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Foi curioso perceber essa inversão. Eu havia ido imaginando que viveria uma grande jornada interna, mas a experiência me colocou em uma posição de presença para o outro. Em alguns momentos ele mesmo comentou que eu parecia estar conduzindo ou ajudando a organizar os pensamentos que surgiam para ele. Isso aconteceu de forma muito espontânea.​
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Nossas conversas seguiram por temas profundos: propósito, espiritualidade, consciência, Deus, o sentido da existência e as formas como percebemos o divino em nossas vidas. Compartilhamos experiências muito pessoais e fomos construindo um diálogo bastante respeitoso e aberto.​
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Em determinado momento, diante da forma como eu estava conduzindo algumas conversas, ele comentou que eu parecia carregar algo muito especial espiritualmente, chegando até a fazer referências simbólicas bastante fortes. Recebi aquilo com surpresa e humildade. Não senti necessidade de assumir qualquer interpretação definitiva, mas compreendi que aquele comentário fazia parte da experiência que ele estava vivendo naquele momento e do significado que minhas palavras tiveram para ele.​
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Curiosamente, uma das maiores percepções que tive foi justamente o fato de os cogumelos não terem produzido em mim o efeito que eu imaginava. Não vivi visões intensas, não perdi a lucidez e não senti uma ruptura da consciência. Pelo contrário: permaneci extremamente presente durante todo o processo. E talvez esse tenha sido exatamente o aprendizado daquele dia. A experiência não precisa acontecer de uma única forma para ser significativa.​
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Saí desse encontro com uma sensação muito bonita de troca. Tenho a impressão de que ambos levamos algo importante daquela conversa. Talvez eu tenha oferecido algumas palavras que precisavam ser ouvidas. Talvez ele também tenha despertado em mim reflexões que continuam fazendo sentido até hoje.​
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O que mais ficou comigo foi a serenidade. Não foi uma experiência marcada por excessos, mas por presença. Às vezes esperamos grandes revelações e descobrimos que o verdadeiro aprendizado está em simplesmente estar ali, inteiro, disponível e aberto para aquilo que o momento tem a oferecer.​
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Esse reencontro reforçou algo que já acredito há muito tempo: algumas pessoas cruzam o nosso caminho exatamente quando precisam cruzar. Não sei explicar racionalmente por quê, mas sinto que aquele encontro aconteceu no tempo certo para nós dois. Independentemente das interpretações, foi uma experiência de acolhimento, respeito, escuta e conexão humana — e isso, por si só, já foi profundamente transformador."​



Meu Relato​


Francamente, tudo que eu disser vai empobrecer a profundidade dessa amiga em seu relato, recomendo até que nem leiam. Mas vamos lá... rs

Eu assino embaixo de tudo que ela disse, mas vou ser mais pragmático em minhas palavras para transmitir meus erros e acertos na experiência, assim como sentimentos. Um erro foi não ter cuidado tão bem para que o setting garantisse a música. Já acostumado com meu celular na 5G, dei o azar de serem dias em que a rede da minha operadora não estava funcionando na cidade do Rio de Janeiro. Então, apesar de eu ter preparado uma baita de uma playlist pro momento, não consegui acessar ela. Ocorre que eu tenho opção de baixar offline as músicas, mas não fiz. Como resultado, tivemos problemas em estabelecer um fundo musical pra toda a experiência. E isso foi muito chato, pois em dado momento o silêncio estabelecido me fez ouvir funcionários (era o primeiro quarto da sequência no prédio, então podia-se ouvir através das paredes) falarem sobre a gente, seja isso real ou não, me atrapalhou em certo momento quando as coisas estavam esquentando, e depois quando esquentaram não consegui relaxar totalmente e contribuiu pra eu não chegar ao orgasmo.

Outro aspecto que marquei bobeira foi não lembrar que em Motel, em dia frio, é bom levar um cobertor. Como vou explicar mais pra frente.

Bem, vamos então ao set. Eu estava muito animado, nosso encontro anos antes tinha sido interrompido por problemas de terceiros e algo tinha ficado por fazer. Eu tinha curtido muito a vibe dela e como ela parecia surfar tão naturalmente em 420 ug de LSD pela primeira vez na vida dela, e sabia que seria uma boa experiência a dois com outro psicodélico. Ela também já era ciente de que a primeira metade de uma onda pode ser totalmente avessa ao sexo, a não ser que fosse mescalina. Mas mesca exigia muito tempo, que ela não podia dispor por motivos dela, então decidimos que seria cogumelo mesmo.

Ah, ela hoje é 100% amiga, ok? Mas vou narrar as coisas como foram no dia com sexo.

Bem, chegamos no quarto, eu levei uma sacola enorme retornável de compras cheia de biscoitos, frutas, bebidas sem álcool, etc. Tomamos a dose, que era o equivalente em gramas frescas ao que eu tomava em gramas secas até então (2g secas equivalem a 20g frescas). Aquele era um pouco do chá do primeiro flush do meu retorno aos cultivos. Eu tinha lhe dito desde a semana anterior quando marcamos que demoraria 3 horas até os efeitos me favorecerem ao sexo, mas bem, assim que tomamos, começamos alguma putaria. Só que, como eu esperava, ela não foi tão longe assim, porque em 15 minutos eu começava a ficar tonto, zonzo demais pra seguir em frente. Fraqueza, incoerência de pensamentos. Melhor parar!

Ocorre que a dosagem, apesar de equivaler, tinha sido muito superior em efeitos ao que eu estava acostumado. Meu cérebro, desde que fritou por causa dos antipsicóticos que me induziam ao suicídio ("Oi, Eu voltei, seu Eu feliz" (xp 84, 86 e 87) , Cruzamento de Mescalina com Psilocibina (xp 88) , Aprendiz de Feiticeiro - 1ª Dose Heroica, 14g secas (xp 89)) tinha mudado a intensidade com a qual eu reagia à psilocibina. Esse foi outro erro que cometi. Nas experiências que eu tinha tido de Janeiro até Maio, eu já podia ter notado que o tempo total de efeitos tinha (1) subido de 6 para 8 horas, então eu estaria em condições pro sexo em cerca de 4 horas, e não de 3 horas; e (2) que os efeitos tinham se tornado bem mais infernais até começar a ficar mais gerenciável.

Até lhe disse, em certo momento, "imagina tentar fazer sexo com um elevador em queda, não dá mesmo", ao que ela compreendeu que teríamos que fazer mesmo da forma como tinha sido combinado, primeiro a trip louca e depois, quando acalma, o sexo delicioso ainda sob efeito, mas só com o lado bom dele.

Mas eu não estava preparado pra intensidade dos efeitos que se abateram sobre mim. Eu esperava algo próximo ao que eu tinha nas 2 gramas secas. Aquilo ali tava na casa dos 5 gramas secas! E detalhe: ela mesma, só no brilho. Eu que fui achando que ia guiar ela, acabei sendo guiado! A todo momento me reclinava sobre ela, me colocava em seu colo, perturbado por não poder oferecer muita coisa nem em termos de conversa, mas ao mesmo tempo aliviado de estar lá com alguém de inteira confiança, que não me julgaria por me ver daquela forma. Tive alucinações visuais como enxergar pessoas, prédios, mundo todo desabando, coisas se passando, confesso, efeitos que não tive desde então nem com dosagens maiores de frescos que beiraram os 50g.

Eu fechava os olhos e encostava a cabeça, sentia confiança, sentia segurança. Coitada... kkkkkk Não estava tão sob efeito assim, mal sentia, só sensações leves. Comecei a me sentir chato do mesmo jeito. Apesar de não me sentir julgado, poxa, devia ser muito chato pra ela ficar de babá porque os efeitos não tinham batido nela, pensava eu.

Aos poucos comecei a ter mais condições de diálogo, mas pouco. Nada era muito coerente. Tenho 11 anos de experiências de cogumelos, e todas naquela faixa de efeitos são introspectivas. Para experiências sociais, as doses são na faixa de no máximo 0,7g. Com ela, eu esperava uma doidera conjunta até ficarmos melhor pra transar, mas ela estava só na brisa, e eu alucinado. As conversas quando rolaram foram bem legais e profundas, bem existenciais de fato, no começo até a metade dos efeitos e depois no pós-sexo. Quando eu pude, a estimulei a deixar vazar de dentro dela questões pessoais, ou elas só vinham. E estar sob efeito me fez ser capaz de entender algumas coisas que ela já tinha tentado explicar dias antes sobre ela. Como eu disse... Ela às vezes parece viver sob enteogenia constante, um serzinho de Luz.

Mas fiquei relativamente bem, dada a segurança de saber que estava com uma pessoa muito boa e que já conhecia a psicodelia. Até que chegou na terceira hora... e eu ainda estava louco demais pra rolar um tesão consistente. Isso foi me deixando realmente mal, porque nosso tempo no motel não poderia passar de 6 horas, e começava a perder o período em que, como eu já conhecia meu corpo sob efeito, rolaria um sexo dos deuses.

Bem, o frio foi se intensificando, e sem sexo rolando, ela e eu fomos ficando cada vez mais com frio. Aquilo era incômodo, e daí o erro de não ter um cobertor.

Isso tudo (ela já sóbria na terceira hora, sem sexo, e mais questões pessoais dela que limitavam o tempo dela naquele dia) fizeram com que ela sentisse vontade de ir embora pouco antes das 4 horas da dosagem. Eu fiquei muito perturbado com isso, mas ao mesmo tempo, foi o momento em que finalmente os efeitos me deixaram fazer as coisas acontecerem.

E aconteceu! 🥳🥳🥳 Bem do jeito que devia ser, só que um pouco mais atrasado que o previsto. No fim, pude ver em seu rostinho aquele sorriso bobo e leve de uma mulher que gozou gostoso, mais de uma vez e de formas diferentes. Afinal, o objetivo do encontro não era ficar doido apenas, era ficar doido e transar. Pude matar boa parte da minha sede e senti uma satisfação plena em satisfazê-la. O cogumelo, contudo, somado às vozes dos funcionários do motel através da parede, não permitiu que eu chegasse lá, o que também não fez a menor diferença pra mim. Até depois tive que explicar pra ela que eu cheguei a ter o prazer e um ápice altíssimo, só não gozei porque a psilocibina me segurou, pra que não se preocupasse sobre isso. Sexualmente, foi maravilhoso.

  • Edit: psicodélicos pra sexo - não recomendo jamais psilocibina pra sexo em encontro, dos psicodélicos é o que mais joga contra. A minha lista, da qual você pode discordar (mas não debata sobre isso pra não sair do tema do fórum), de melhores psicodélicos pra sexo em ordem de preferência são 2C-B (sem palavras) e mescalina (assinatura física incrível), sempre se puder escolher. Depois, LSD, mas também pode ser confuso antes do meio do pico dos efeitos. O mdma tem muito mais a ver com intimidade do que com sexo pra mim, então fica depois dos que falei. Por último, o cogumelo é contrarrecomendado pra encontro de psicodelia a menos que aguarde até a metade do pico. Já a erva, que não uso mais, é inferior ao 2C-B e à mesca, mas também estimula muito, como todos sabem.

...

Agora a parte chata pra mim, que ela só vai saber quando ler isso aqui, mas creio que nossa amizade como é hoje em dia me permite ser honesto em meu relato, que foi ela mesma que insistiu pra eu fizesse. Mesmo com a satisfação sexual dada, ela quis adiantar a saída do motel antes de fecharmos as 6 horas da dosagem, faltando ali uns 30 minutos. Isso não era sobre mim, era sobre ela, era sobre as questões dela, da vida dela. Mas isso me deixou me sentindo meio com uma sensação emocional de rejeição. Eu afinal estava sob efeito, então qualquer coisa já me deixaria mal. E não consegui mais superar esse sentimento. Foi tudo sexo, ok, isso pra mim era super de boa, nunca tive intenções românticas, mas ali eu senti uma quebra de combinado e odiei o sentimento de rejeição que isso me causou. Repito, não a julgo pelo que sentiu, admiro a honestidade dela, mas não há como não sentir o que eu senti. E isso permanece em mim e me impede de ter intenções românticas, o que me ajuda a ter uma amizade pura com ela.

De volta ao dia... Eu ainda estava sob efeito considerável, de meio de desaceleração, ainda sem aterrissar. Era relativamente perigoso que eu dirigisse, eu não me sentia tão bem, mas não tinha como chamar nenhum transporte pra ela, porque ela não tinha créditos e eu não tinha sinal. Busquei alongar até dar as 6 horas. Comi. Bebi. Ajudei ela a falar de si. Assim foi chegando a sexta hora, e eu me senti mais tranquilo pra dirigir. Mas não estava em condições de dirigir. Não a culpo por nada, pois eu sempre, ao longo de anos, ficava 100% com 6 horas de efeito, e era o que a gente tinha planejado. Eu ainda não tinha entendido que agora a psilocibina demorava 8 horas até eu ficar 100% sóbrio. Eu podia dirigir, mas com uma incapacidade de reflexos e pensamento enormes. Detestei passar por esse momento, que teria passado de toda forma com o plano inicial de 6 horas. Apenas seguia, e como era madrugava, não tinha trânsito, graças a Deus. Eu mesmo não entendia porque ainda estava tão mal pra dirigir.

A Amizade no Após ​


Nos dias e semanas seguintes, eu busquei estabelecer com ela a relação de amizade que hoje temos. Acho que ela confundiu alguns gestos meus sob efeito, quando a buscava pra me sentir seguro, com alguma intenção apaixonada, ou talvez tenha confundido com algum interesse em relacionamento meu jeito de ser romântico-de-uma-semana quando busco sexo casual. Talvez eu tenha sido levemente cafajeste, sem necessidade, indicando maior interesse do que havia pra garantir o sexo (quando ela só queria mesmo o sexo e tava bem a fim sem eu precisar fazer isso)... Enfim, ela foi muito fofa se esforçando pra que eu não me magoasse, que ela não tava aberta pra ninguém (o que de fato era a verdade dela), etc.,, enquanto eu tentava explicar que o que eu queria eu já tinha tido, e que agora como a gente já tinha feito sexo, eu precisava de uma amiga gente boa, confiável e que não julga as pessoas, como ela, que, já tendo feito sexo comigo, abriria a possibilidade de uma amizade mais verdadeira, sem curiosidades nem desejos não realizados.

Pro meu eu, pra forma como sou e existo, não existe possibilidade de eu ser verdadeiramente amigo de uma mulher sem antes termos ido pra cama. Primeiro sexo, depois amizade. Senão, dá merda.

Devagar ela foi entendendo que eu queria mesmo a amizade, e fui me mostrando um bom amigo, com minha capacidade pisciana de ouvido. Ela entendeu e se soltou, e eu também entrei na vida dela como um amigo que ela precisava. Ambos nos reconhecemos fortemente assim hoje em dia.

É a única amizade que possuo nesse momento com a qual me sinto a vontade de me abrir, a única pessoa pra quem posso contar meus problemas, minhas vitórias, meus medos. A primeira pessoa em minha vida que de fato me ouve a partir de mim, não me julga, não me dá lição de moral, não coloca a sua experiência pessoal como parâmetro pra mim, não tenta me salvar. Posso falar de mulher, de homem, de raiva, de erros. É uma ótima amiga. A valorizo assim de uma forma que nunca fui capaz de entender como eu fui valorizado no passado, porque não tenho nada mal resolvido com ela. Posso falar de tudo sem a magoar. Não a peço que eu tenha o mesmo significado em sua vida, nem espero na verdade, porque felizmente a vida mantém ao seu lado pessoas que a amam de longa data.

Agradeço a Deus pela troca que temos, pois ela me conecta ao lado Humano em mim que se perdeu desde que adoeci por conta das medicações (e) da doença profissional que me aposentou, e que me fez romper laços. Uma amiga que me ajuda na caminhada de cura.
 
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