- 14/04/2015
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Experiência 84
A experiência 84 eu esqueci de relatar e é isso, não tenho mais a menor lembrança dela kkk deve ter sido em 2021 ou começo de 2022.Vamos falar então do meu retorno aos cogumelos, depois de quase 4 anos distante, com apenas uma experiência nesse ínterim, que foi esta de Outubro de 2023 (nº 86), e mais duas experiências neste começo de 2026 (nº 87-88). Esta última foi um cruzamento com mescalina, e por isso terá um tópico próprio.
Experiência 86 (10/23) - Da Iluminação ao Surto
Resumindo uma história de 3 anos em apenas um parágrafo: tive uma Iluminação espontânea do que os cristãos chamam de Espírito Santo um fenômeno que teve resultados milagrosos sobre meu corpo e espírito, com domínio sobre sentimentos, previsões de eventos, leituras de pensamentos, curas fisiológicas de três doenças que precisavam de intervenção cirúrgica, etc., no fim de 2022 e comecinho de 2023. Em algum momento durante o ano de 2023, isso foi progredindo de um fenômeno espiritual para lentamente um surto esquizoafetivo messiânico. Mas, antes de tudo degringolar, eu tomei cogumelo.Eu jurava que os cogumelos iam fazer eu escutar as vozes mais altas novamente, como eram no começo do ano. Eu me desesperava na medida em que a Energia se afastava de mim e com o passar dos meses meus Poderes (na verdade, Poderes de todos, apenas basta que o corpo se submeta à alma) iam sumindo. Mas, assim... Nada demais a experiência. Ela não realçou em nada nenhum aspecto nem espiritual nem de surto daquele meu momento mental geral. Quando eu fumava maconha, por outro lado, tudo ficava mais forte. Devagar a maconha ia me detonando a caminho do surto, ok. Mas foi interessante notar que a relação entre cogumelo e o eventual surto que eu tive é inexistente.
Isso me permitiu, quase 2 anos depois, usar o cogumelo de novo, para me tratar do trauma que foi me tratar do citado surto.
Experiência 87 (3/1/26) - "Oi, eu voltei, seu Eu feliz"
A DEPRESSÃO CRÔNICA INDUZIDA POR MEDICAÇÃOAs medicações pesadas que tomei alteraram profundamente minha bioquímica. Eu passei a entender como funcionam as mentes de depressivos crônicos, e porque não podemos exigir deles que não se matem. O pesadelo mental de uma tortura bioquímica constante é um inferno que me traumatizou mais que qualquer outro evento em 41 anos de vida com muitos sofrimentos extremos. Eu não consigo colocar em palavras como é ser posto em uma mesa de tortura psiquiátrica com medicações que agridem o cérebro. Mas ok, contiveram o surto esquizoafetivo, mas as consequências...
Mesmo um ano após eu ter parado os remédios, minha mente não era a mesma. Eu podia novamente respirar, não parecia que a vida era um moedor de carne da hora de botar o pé pra fora até voltar. Mas com o passar desse ano de 2025 que terminou, eu fui notando que eu não voltava ao normal. Eu me ouvia repetindo fórmulas e frases que sempre repudiei minha vida toda:
"Vai tudo dar errado"
"Eu sou um lixo, tudo que fiz me levou a esse momento, eu errei nos amigos, nos hábitos, na vida"
"Se eu fui perseguido e adoecido e levado a isso de forma injusta, eu no entanto mereci porque isso ocorreu comigo e não com os outros"
Formulações de aceitação de um monstro eram cada vez maiores, pra respirar, pra sobreviver. Eu pela primeira vez na vida parei de ver vontade de ir estar com meus filhos, de ensinar a eles a serem felizes, a acreditarem no amor. Eu me continha e quase chorava ao me ver assim. A importância que é ensinar aos filhos a felicidade, já que a vida pode trazer tantas dificuldades.
Tudo é ruim, eu sou ruim, meus pais foram ruins, meus avôs foram ruins... eu era uma vítima merecedora por existir e ser como sou? Não, um profundo complexo filosófico e reflexivo de uma vida toda me seguravam acima da camada da autoflagelação. Mesmo assim, o cinismo sobre meus próprios defeitos, que precisavam emergir a cada esquina e pensamento, crescia e me devorava a esperança em ser feliz no futuro.
Sem fôlego, sem respirar... só me restava uma esperança: se a porra da medicação psiquiátrica que conteve meu surto teve como sequelas um dano profundo na minha bioquimica me tornando um depressivo crônico dolorido a caminho do suicídio, então por que não usar o cogumelo novamente, como fiz em 2015 ao conhecê-lo, para curar minha bioquímica e voltar a ser uma pessoa normal?
É importante ressaltar aqui... eu não sou um depressivo crônico endógeno, eu fui induzido pelas medicações antipsicóticas, então eu tenho uma chance de cura efetiva, creio eu. Já aqueles que nascem, creio que com o cogumelo em doses profundas consigam ter alívios dos sintomas por até meses a cada imersão, mas não sei se há perspectiva de cura.
Eu, devido a ter sido induzido por medicação, portanto medicação da natureza (enteogenia) também pode curar.
O PLANO PERFEITO
Me lembrei da diversas vezes em que o efeito da psilocibina veio tão forte que tudo que eu sentia era simplesmente varrido de mim e eu era tomado por uma nova condição mental libertadora.
Eu olhava pro meu corpo e só sentia tensão. Eu olhava pro meu eu e só via desespero. Era pra eu ter pensado: "cara vai se foder nada consegue tirar você disso, sua depressão tá tão grave que até seus músculos estão revirados", mas não... Minha experiência me demonstrava...
Se você nunca tomou cogumelos, ou nenhum psicodélicos, e nunca sofreu um restamp, uma ressignificação profunda, uma varrida de bioquímica, um reset, uma perda de ego, uma morte e um renascer... bem, talvez não tenha entendido... ainda.
"Bem, se a porra do problema é a porra do meu cérebro, que eu tô aqui cheio de disposição pra melhorar mas não consigo, então deixa eu jogar psilocibina nele de novo pra ele relembrar como é inundar minha mente de felicidade".
Sim! Era isso que eu sentia! Falta de serotonina! Não dá pra descrever, mas era tão forte, que até a pele era tensa o tempo todo, e nenhuma alegria era de fato feliz.
Médicos ficariam arrepiados: "nãããão podeeeeeee, você já teve surto". Pois é! Quantos pacientes psiquiátricos se fodem por não tomarem cogumelos... imagino que muitos. Microdose é condenação a alopatia. É respiro como antidepressivo, apenas com menores efeitos colaterais. Cura cura cura cura CURA SÓ VEM COM IMERSÕES PROFUNDAS DE PSILOCIBINA QUE GEREM UMA DESCARGA TÃO PODEROSA EM SEU CÉREBRO QUE ELE SEJA CAPAZ DE REFAZER A PORRA DA BIOQUÍMICA.
É isso aí babe, hora de ir pro inferno e depois voltar pro céu. Nada melhor pra concertar sequelas da psiquiatria do que a enteogenia profunda. Que cada célula do meu corpo relembre "nossa! É isso ser feliz!"
O RELATO E RESULTADO
Tomei então no dia 3 de Janeiro, um sábado, cogumelos da strain recém-domesticada pelo @BlueMushroom, a strain Blue, que o irmão enviou pra mim. Dos 5 gramas, tomei 2,5 g, já visando a repetição da dose em 2 semanas. Afinal, um dano tão profundo e prolongado demandaria mais de uma experiência. Sabe-se lá quanto tempo até cura total, mas por enquanto eu ia ter um bom alívio.
Comi os cogumelos secos. Dois chapelões gigantes e um caule grandão.
Os efeitos vieram como de costume, devagar e me deixando um tanto desconfortável.
Aos poucos eu chorava, mentalizava o objetivo da experiência: "quero voltar a ser uma pessoa positiva, a ver as coisas boas", não sei dizer direito, eu resumia bem em "quero acertar minha bioquímica, quero voltar a sentir felicidade". E assim fui indo na música de Pink Floyd como sempre.
Meu medidor, com uma ansiedade lá nas alturas, mesmo sob efeitos da decolagem, era a minha pele, era o meu corpo, era uma tensão que estava sempre atrás do meu pescoço, não sei dizer. Enquanto eu não sentisse fe-li-ci-da-de induzida pela psilocibina, eu ainda podia sentir aquele peso bioquímico dos antipsicóticos de mais de um ano antes sobre meu corpo.
Mas devagar a felicidade foi se restabelecendo, entre pensamentos de preocupação:
"E se você pensar isso e aquilo? Você não quer pensar isso e aquilo?", perguntava meu eu acusador.
"Não importa o que eu pensar, porque se eu estiver sentindo felicidade, minha reação será diferente - não importa o que pense, no que pense, padrões, pensamentos que quero fugir, tudo isso vai mudar porque minha reação vai mudar quando eu for capaz de enxergar tudo de novo com uma bioquímica novamente equilibrada para sentir felicidade", respondia eu.
E assim fui burilando o foco da minha mente. Comecei a revisitar diversos temas da minha vida, de mágoas, de objetivos, de relações, de traumas, de ódio, de culpar os outros, de vitimismo, e tema após tema tudo ia sendo rebatido por um viés positivo, por um perdão, por um amor, por uma superação.
Aos poucos fui sentindo felicidade, mas ainda preocupado - "estarei meu eu bioquímico adoecido ainda aqui?"
Em algum momento, horas passando, relaxando com Pink Floyd, em frente ao PC já, lá pro fim do pico, eu finalmente disse a mim mesmo:
"OLÁ MAURÍCIO, EU VOLTEI - SEU EU FELIZ, EU VOLTEI, EU TÔ DE VOLTA, NÃO PRECISA TER MAIS MEDO, PODE RELAXAR"
E eu chorei, porque pela primeira vez em quase 2 anos eu fui capaz de novamente sentir felicidade, positividade, leveza, aceitação. Era como se meu espírito estivesse capado por uma camada densa de um cérebro praticamente estragado! Mas agora novamente pude entrar em contato com o Deus em mim, com a Enteogenia Manifesta.
Me pergunto... quantas pessoas, sem nunca tentarem a psilocibina a sério (imersões profundas, sem microdoses), no fim nunca terão alívio do que eu comecei a sentir alívio agora.
A terapia de choque funcionou, enfim!
Pensamentos, sentimentos, posições sobre a vida, sobre as pessoas, etc., tudo tava mais leve. Mas eu ainda podia sentir muitos padrões estabelecidos no último ano voltando, de temas e sugestões de temas pra se pensar. Mas como minha bioquímica tava diferente, eu realmente reagia diferente a esses padrões! Kkkkk Deu certo? Sim. Mas tinha um problema... Esses padrões vindo toda hora, me incomodavam. O trabalho tava feito, mas tinha sido longe do que imaginei quando planejei: uma experiência que me arranque de meu corpo, me remoa e me traga de volta refeito.
Eu viria então a tentar isso em minha experiência seguinte, que já fiz também, cruzando mescalina e cogumelo, justamente para tentar dar o punch suficiente para aprofundar mais ainda o tratamento. E será o próximo relato (Cruzamento de Mescalina com Psilocibina (xp 88)).
Enfim, não tenho palavras pra dizer como parece que voltei a respirar, tirei quilos e quilos das costas, voltei a ver a luz e não as sombras, como estou muito, muito melhor. Acredito que conseguirei chegar ao ponto de cura com o trabalho prolongado no tempo.
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