O que me dizem desta

Mark_de_Lima

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É o típico artigo que se poderia esperar de uma mídia tendenciosa. O cogumelo inibe a oxigenação do cérebro DURANTE os efeitos (o título do artigo parece querer sugerir que a atividade do cérebro é inibida de modo permanente). Este processo de inibição da oxigenação do cérebro é justamente o que permite que este enteógeno proporcione seus efeitos de valor inestimável e conduzam à expansão da consciência. A mescalina (um dos princípios ativos de cactos como o peiote e o san pedro), por exemplo, inibe o fornecimento de açúcar ao cérebro, e é isso o que resulta em seus efeitos tão preciosos e benéficos quanto os da psilocibina. Já a ayahuasca, por exemplo, inunda o cérebro com uma substância já naturalmente presente no corpo humano, o DMT.

Resumindo, artigo ridiculamente tendencioso. Para comparação, leia este artigo que diz basicamente a mesma informação científica, mas sem o aspecto tendencioso: Do Psychedelics Expand the Mind by Reducing Brain Activity?

Neste artigo (da Scientific American, uma publicação científica de tradição e renome), explica-se que os pscodélicos expandem a mente justamente por reduzirem a atividade cerebral DURANTE seus efeitos. Sem a parte do jornalismo tendencioso fica bem diferente, não é verdade? ;)
 

Kvasir

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Alguns estudiosos da mente humana, como Freud, acreditam que o cérbero gasta boa parte de sua energia filtrando os diversos estímulos que recebemos a cada momento. Como se o cérebro gastasse boa parte de sua energia em amortecer os choques que sofremos a cada instante. Algumas pessoas acreditam que os cogumelos podem impedir que o cérbero filtre bem o que acontece diminuindo suas atividades.

Magic Mushrooms Expand the Mind By Dampening Brain Activity | TIME.com
 

Abzû

Primórdia
Contribuidor
@Mark_de_Lima e @Kvasir Muito legal os posts de vocês, este tópico foi uma boa @tiagosout. Estou lendo o texto de Aldous Huxley - As portas da Percepção. E nas primeiras páginas ele relata exatamente este filtro que foi mencionado pelos amigos. Estou gostando muito da forma poética que o autor está relatando fatos de sua própria experiência.
 

Kvasir

Hifa
Membro Ativo
@Mark_de_Lima e @Kvasir Muito legal os posts de vocês, este tópico foi uma boa @tiagosout. Estou lendo o texto de Aldous Huxley - As portas da Percepção. E nas primeiras páginas ele relata exatamente este filtro que foi mencionado pelos amigos. Estou gostando muito da forma poética que o autor está relatando fatos de sua própria experiência.
Tem um pensador contemporâneo a Huxley que também explora essa ideia do choque, Walter Benjamin. Ele analisa como o inicio da vida moderna e o advento da vida em grandes massas e de grandes centros urbanos mudaram a nossa percepção do mundo e como mudaram nossas formas de narrativa. É bastante interessante, ele afirma freudianamente que com o advento da vida em massa e das grandes cidades nós somos levados a sofrer choques constantes muito mais intensamente que antes do capitalismo e suas invenções tecnológicas. O nosso cérebro acaba se acostumando com esses choques pq ele é treinado para isso. Uma evidência disso seria como no caso da invenção do cinema quando numa das primeiras sessões cinematográficas as pessoas saíram correndo da sala ao verem o trem projetado na tela achando que ele iria se colidir com o publico. Hoje isso soa ridículo, mas foi um choque. Atualmente nem com cenas de tortura e filmes de terror pesado conseguimos sentir o choque de tão acostumados. Eles precisam inventar coques cada vez mais intensos para nos atingir. Walter Benjamin também experimentou alucinógenos e outras drogas, como a mescalina e o ópio, assim como o Huxley. Ele ate escreveu alguns textos e relatos sobre a experiência dele com essas drogas, só não ficou tão conhecido como o Huxley. O livro pode ser encontrado em português: Imagens do pensamento, Sobre o Haxixe e outras Drogas.
Aqui neste ensaio sobre Baudelaire Benjamin fala um pouco sobre esse choque que Freud descreve e como ele esta associado à nossa maneira de interagir com a realidade, fazendo uma diferenciação entre vivência e experiência e ligando isso às mudanças históricas e como elas afetam nossa percepção. Esse arranjo teórico todo conversa bastante com Huxley! É muito interessante, caso quiser dar uma olhada:
 

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