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"MIMIMI DE CU É ROLA!" Calma lá, Coringa... (xp 94, e 94b com Mescalina)

Status
Não está aberto para novas respostas.

ExPoro

Enteogenista Apaixonado pela Vida
Cultivador confiável
14/04/2015
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1
94
ATENÇÃO 1 - Este relato possui gatilhos para pessoas que sofrem as mesmas perseguições por seu gênero ou orientação.

ATENÇÃO 2 - Recomendo que não leia o relato caso seja reacionário ou até conservador, pois as respostas ao relato foram desativadas pois isso aqui NÃO É UM DEBATE, é um relato sobre a MINHA VIDA e fatos relevantes de forma PESSOAL sobre mim, que passam pela política.
O objetivo é contar minha história e pensamentos até a superação do ódio, e não debater nem convencer ninguém de nada.

Antes de entrar no relato, quero que vejam como encaro essa situação que vou narrar quando estou com minha bioquímica boa (Bissexualidade e Poliamor):

Com 39 anos a gente chora 1 hora, 2 horas... mas logo supera devagar. É humilhante. É esmagador que alguém tenha que esconder a própria orientação, a própria preferência. É desumano. E o que nos resta a fazer com essas pessoas que têm preconceito é... nos aproximarmos, sorrirmos e convivermos, para que vejam que a realidade é muito diferente dos receios e possam normalizar e perder preconceitos ou ao menos perder receios bobos do machismo. Eu particularmente consigo seguir esse rumo porque não sinto vergonha... mas acho adequado, hoje homofobia é crime, lembrem-se.

Escrevi isso em 2022. Agora aos eventos de 2026:

Experiência 94

Lá em Abril, enquanto minha filha de 8 anos assistia a um desses canais de animação infantil, um personagem dizia, em tom de provocação e ofensa a outros personagens "isso é coisa de tchola". Ali ela estava aprendendo, sem nem saber o que é homossexual ou o que são gêneros, que "tcholas" são coisas negativas. Assim como na minha infância era normal falar "isso é coisa de preto" ou "isso é coisa de crente", que também se ouvia muito no Brasil católico do século passado.

A fúria que aquilo me causou... Ela mesma já sabia que eu sou bissexual, mas eu tinha sido simples explicando pra ela, nos termos dela. Já o que ela aprendia ali era que "tcholas" são nefastos, ruins, desonestos, burros, negativos, antes mesmo de entender que "tcholas" são meramente gays. A própria linguagem lhe ensinava a ter raiva, menosprezo por homossexuais. Assim como eu também tinha aprendido ao longo de toda a minha infância com expressões como "isso é coisa de veado" ou "veado tem mais é que morrer" e tantas outras. Tive que ensina-la por algumas horas o que são gays, lésbicas, etc., e depois explicar tudo que estava sendo dito a ela, e como era muito errado aquilo. Foram as horas mais revoltantes de minha vida, e tudo que eu queria era espancar até a morte um homofóbico desses.

O que eu vou narrar aqui agora não é debate político, e sim a minha vida, como eu vivi seguidas violências por 40 anos sem nem entender a razão, pois apesar de eu ser bissexual, minha ampla preferência por mulheres não me permitia entender que eu o era. Mas, meu jeito já era o suficiente pra sofrer perseguições e agressões desde a minha infância; sendo a primeira delas praticada pelo meu próprio padrasto que me bateu porque eu agi de uma forma "não menino" a um momento de felicidade quando recebi uma revistinha lá pelos meus 8 anos.

...

Essa questão toda foi me enfurecendo mais e mais com o passar dos dias. A vontade que eu tinha era de pegar e dar um tiro na porra da cabeça do primeiro reacionário que passasse na minha frente covarde filha da puta que pregue contra o ensino de gêneros para crianças e adolescentes, que não forma nem cria gays, mas apenas permite que não-héteros saibam que existem, que são normais e saudáveis, e que os héteros aprendam a respeitá-los.

E foi nessa energia extremamente agressiva que eu fui tomar cogumelos no dia 24 de Abril deste ano de 2026.

Fiz a dosagem normal de 2 gramas secas, provavelmente no fim da tarde. Já tocava Pink Floyd, e eu já começava a cantar. Mas a energia que eu tava... Bem, ela não me deixou deitar, não... Em uma rara vez, eu não fiquei prostrado pela psilocibina. O ódio que subia em meu âmago contra toda a violência que sofri por "pessoas bondosas com cristo" ou quaisquer valores bizarros de ódio aos gays...

Já comecei a gritar a plenos pulmões pra que qualquer machão ouvisse "MIMIMI DE CU É ROLA, PORRA! A VONTADE QUE EU TENHO É DE PEGAR A MINHA .40 E DAR UM TIRO DA CARA DE CADA UM DE VOCÊS SEUS CRETINOS FILHOS DA PUTA DE MERDA"... foram décadas de ciência, ensino, estudos, luta contra a porra da obscuridade religiosa que sai da seara da relação fiel-Deus para entrar na ciência, no conhecimento do mundo e das coisas, que agora eu via se desmanchar, em um mundo que caminha cada vez mais próximo para o que vimos nos tempos do nazi-fascismo, em que gays foram (para o deleite dos reacionários de seus tempos) mortos aos milhares em campos de concentrações.

Comecei a observar, nos últimos anos, com o aumento da máquina de propaganda de ódio da direita, amigos e familiares andarem pra trás em tolerância, comecei a perder amigos para um ódio de base religiosa sem qualquer fundamento, e quando não religiosa, para pessoas que atribuem o problema do mundo a homens que dão o cu ou mulheres que chupam bucetas. Não só eu sofria a violência e mal-trato de sempre mundo afora (mas agora sabendo porque), mas também até as pessoas próximas a mim se tornavam agressivas.

Ao tomar esse cogumelo, eu não conseguia mais me acalmar, nem ser alguém melhor, não...

"Não, Fulano (meu nome real), você não usa mais cogumelos para tentar ser alguém melhor... No momento, você só consegue não se matar. São 11 anos que você tá tomando cogumelo pra engolir tudo do mundo, pra engolir os colegas do trabalho que te perseguiram e adoeceram, pra perdoar o médico que fazia parte do esquema e fraudou sua aposentadoria te colocando na miséria, pra perdoar parente que faz isso e aquilo, pra perdoar amigo que trai, pra perdoar amigo que agride, pra..."

A fúria era enorme, gigantesca mesmo. Não era um debate político! Era a porra da minha vida! Era o fato de ter sofrido tantas agressões e perseguições - inclusive a que me adoeceu no trabalho - por não parecer hétero para os demais homens, me adoecendo, me tirando o sustendo, me incapacitando, e finalmente me enlouquecendo há alguns anos atrás. E o fato de ter me sido negada a educação de gênero da infância e adolescência não fez com que eu fosse menos bissexual, só fez com que eu não soubesse porque eu era agredido como "veado" mundo afora, mesmo pegando mulher! Eis que, apesar de minha preferência serem as mulheres, meu ethos é 100% bissexual - o que pra mulheres não muda nada, só veem um homem que se derem mole vai comê-las, enquanto pros homens já desperta logo um sinal de "ele não é hétero" ou "esquisito".

Comecei a espancar a porra do armário da minha casa com muita, muita violência. Em certa medida, eu desejava que algum machão aparecesse nesse momento na porta da minha casa, a fim de entender que "veado" é homem. Bati com força, como se não tivesse amanhã... até quase quebrar os dedos. Quando fui ver, alguns minutos depois, minha mão estava inchando de forma intensa. Eu jurei que teria de ir pro hospital, mas antes enfiei gelo em cima, com um plástico, sem pano. Foram 5 horas com o gelo na mão, até o fim da trip, agora bem mais calmo e arrependido de sentir tanta raiva.

Isso fez com que eu me acalmasse, mas começasse a entender que meus limites tinham sido todo alcançados. Foram 40 anos de violências por não ser hétero, mesmo ficando só com mulher por décadas.

"Afinal, o que são aqueles que se opõe ao ensino de gênero nas escolas? Ah sim, são aqueles que querem espancar seus filhos gays, que querem excluí-los, castiga-los, fazerem se sentir mal por serem quem são, com base em uma doutrina religiosa ou puro machismo"... e pensar nisso me enchia de ódio, de revolta, de indignação... "Se pelo menos eu soubesse o que sou desde novo, não teria estranhado quando sentia atração por um coleguinha na adolescência, porque na época só podia ser gay ou hétero, na década de 90 ninguém sabia que tinha bissexual... Quantas coisas me privei... Só aprendi a ir atrás das mulheres que realmente curtem o que sou depois de descobrir o que sou, até mesmo pra pegar mulher me atrapalharam, já que eu jamais serei um super-hétero, mas sou um bissexual lindo. Fora isso... Hoje em dia quando tô na frente de um sujeito que ao me ver agir como feminino em momentos de felicidade, ou que vê minha munheca caída... eu pelo menos já sei o que é, sei que não é um problema comigo. Posso manter minha postura bissexual, não preciso engrossar minha voz, não preciso fazer postura de machão, posso falar do meu jeito, posso agir como masculino e feminino quando eu quiser, hoje em dia, que sei quem sou, posso ser livre. E tudo que os opositores do ensino de gênero fazem é negar aos não-héteros a dignidade de saberem que existem, que são o que são, e que há outros como eles, que são todos normais, saudáveis, e que não precisam mudar em nada".

Em algum momento, em frente ao banheiro, ainda refleti olhando pro espelho: "o mundo quer exigir de mim tanta paciência infinita, perante violências constantes, por motivos puramente preconceituosos, tá, e eu sempre engoli, eu sempre trabalhei em mim... mas e agora, agora que eu tô psiquiatricamente doente? Agora que eu tô com uma doença psicótica violenta profunda que me aposentou, somada a uma depressão crônica que terminou de me aleijar, em que se eu matar alguém sequer serei considerado culpado?.. Como que eu vou me controlar se alguém me provocar? Simplesmente, não vou. Eu estou usando cogumelos não mais para ser alguém melhor com os outros, mas simplesmente pra não me matar, e não matar os outros".

...

Mas... Calma lá, Coringa! Vingança não é justiça. A vitória dos direitos dos glbtqia+ não veio pelo tiro, mas pela educação, pelo estudo, pela ciência. E justamente o que está sendo atacado agora, mediante violência também: a educação, o estudo do tema, e a ciência produzida. Mas... Não, se os gays matassem por sua causa, após milênios de violência, seriam simplesmente tomados como errados: "vejam como são animais, assim são os gays". E devagar eu fui tentando engolir aquilo tudo, mas ainda sem sucesso em me acalmar.

Francamente, naquele momento eu me vi num beco sem saída com os cogumelos, de verdade. A minha doença psicótica violenta tinha aflorado no mês anterior depois de 9 anos, a mesma que me aposentou. De quebra, ainda tinha motivos legítimos pra querer estourar os miolos de cada homofóbico dessa Terra, que querem falar "isso é coisa de tchola" pra ensinar ódio aos gays pela linguagem, mas negam que a linguagem ensine preconceitos; e de quebra ainda querem evitar o ensino sobre gêneros e orientações sexuais, e pelo contrário, desfazer todo o progresso, perseguir cientistas e professores, e restabelecer formas de pensar que embasavam sentenças de morte por homossexualidade no século passado.

O tal pêndulo? Cara... "A porra do pêndulo antes matava gays, queimava, torturava, tirava direitos, tinha execução pública de costas. Agora tudo que fazem é educar e explicar que nascer gay é natural, que ser gay não tem problema, que existem pessoas com individualidades mais complexas, que nascem com cérebros invertidos e querem adequar o físico ao mental, etc. QUER VER O PÊNDULO PORRA! QUER IGUALAR A PORRA DO PÊNDULO SEUS FILHOS DA PUTA ENTÃO TOMA TIRO NA PORRA DA SUA CABEÇA SEU DESGRAÇADO BOLSONAZISTA DE MERDA"

E assim a coisa ia, sem evoluir, ódio, raiva, rancor... Tudo com razão. Eu sou agredido desde novo, sem nem saber o que eram gêneros, por causa do meu gênero. "E esses filhos da puta dizem que querem doutrinar crianças a serem gays?"

E vinha a voz do cogumelo...

"É, Fulano, é repugnante, é odioso", ou seja, não me acalmava.

O cogumelo parecia não apresentar pra mim, ao menos nessa dosagem, uma resposta válida, ou pelo menos um estímulo espiritual capaz de me tirar desse ciclo de ódio e rancor, que não me levaria a nada, ainda que compreensível de ser sentido.

Mas Coringa não é herói. Vingança, violência não é resposta válida para tornar o mundo um lugar melhor, mas apenas pra aliviar sentimentos mal resolvidos, e por fim tornar o mundo um lugar ainda pior. Lembrem-se que no filme do Coringa (2019) as pessoas se sentem felizes ao verem o pai do Batman morrer. Devemos ter muito cuidado com nossas próprias narrativas de vítimas, ainda que sejam legítimas e verdadeiras.

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A mudança emocional só viria na experiência seguinte, que não foi de cogumelo. Eu estava sem os cogus, e ainda não tinham chegado os que tinha comprado. Eu tinha 16 gramas de casca de San Pedro secas, e resolvi então dosar a mescalina da forma certa, por meio de chá, não mais ingerindo in natura. 15 dias depois então...

Exp 94b com Mescalina que Conclui esta de Cogumelo

Bem, eu dosei e por 8 horas seguidas os efeitos foram se construindo até chegar ao ápice, onde fiquei por não sei quanto tempo. O tempo total da experiência foram 16 horas, até eu deitar.

Eu tinha esperanças de que a mescalina pudesse trabalhar onde o cogumelo não tinha conseguido por um motivo bem simples: a assinatura mais feliz que a mescalina tem, mais energética, mais positiva.

Finalmente fui visitado por entidades indígenas norte-americanas, e fiquei conversando com elas muito tempo, várias coisas.

Fiquei provocando a energia da mescalina falando "aha você não me derruba como o cogumelo, você não é de nada"... bem, até que depois de 6-8 horas eu fui meio que derrubado, apesar de sempre levantar de novo pra dançar como se não tivesse amanhã.

Não vou descrever o que aconteceu em detalhes por não ser uma experiência de cogumelos, mas... Acho que se eu tivesse uma plantação grande de cactos autossustentável, eu migraria de medicina pra mescalina. Isso porque o cogumelo é muito dolorido, apesar de eficaz; enquanto a mescalina é super divertida, e igualmente eficaz!

Eu já tava traumatizado pelas 4 horas de gelo na mão que tinham sido a experiência de cogumelo anterior, então toda hora eu conseguia emergir de mim mesmo quando vinham sentimentos de ódio e gritava "VAI LÁ SEU BURRO BATE NO ARMÁRIO DE NOVO PRA IR PRA PORRA DO HOSPITAL, IMBECIL" ou então falava pras forças dentro de mim "hoje eu não quero show, não quero escândalo, não quero ódio".

Em algum momento, o índio principal que me acompanhou desde o início, em algum momento sua alma refletiu com a minha, ao lembrar de toda a sua etnia ter sido exterminada pelos mesmos homens que hoje querem que pessoas como eu (não-héteros) morram, em nome de Cristo, da civilização, da boa moral, da família, e, hoje em dia, da nação.

Nessa hora eu pude sentir todo o ódio espiritual daquele Ser, e eu que pude meio que acalmá-lo.

Assim, a experiência com esses índios foi um aprofundamento em toda a destruição e perseguição que sofreram, junto com toda a destruição e perseguição que eu sofri e ainda sofro.

"Calma que eu tô chegando na festa", dizia eu a cada vez que estava em pé, me referindo à chegada ao ápice, que parecia não chegar nunca... Momento em que eu viria a me calar e interiorizar de vez.

Meu quarto se enchia de índios norte-americanos e até de caboclos brasileiros também, mas a festa mesmo era deles lá do norte.

Eu dizia "caraaaalhooooooo eu tô muuuuuuuuuito longe e ainda assim meu corpo não cai, eu continuo pulando, dançando, não para, não paaaaaarooooo"

E o índio dizia "sim, amigo, a gente tomava isso também pra ir pra guerra".

Meus sentimentos de ódio contra a perseguição homofóbica planetária iam se desfazendo entre diálogos e conversas, entre elas o ensinamento do índio sobre ser livre, que afinal é meu desejo, ser livre para ser bissexual sem sofrer perseguição. Ele me disse: "Fulano, dinheiro é liberdade". Eu "o quê cê disse?", meio bebum no jeito de falar. "Dinheiro é liberdade". E comecei a gritar "MAS QUE PORRA QUE VOCÊ VEM LÁ DOS STATES PRA ENSINAR ISSO? ISSO??? SÉRIO? QUE MERDA!", e zoava com ele a beça. Ele no entanto ia rebatendo e dando vários exemplos de que "dinheiro é liberdade", e eu zoava "ah por isso que vocês gostam tanto de cassino neh kkkkkkkkk", e eu dizia sabendo do racismo dessa afirmação, mas ele via a minha intenção de só provocá-lo e ria também.

Esses diálogos iam quebrando as conexões mentais que eu tinha estabelecido nas últimas semanas, que alimentavam meu ódio existencial a quem me odeia.

Em algum momento, em uma das quedas que eu dava na cama de alguns minutos, antes de pular dela e sair dançando igual um doido... em algum momento, nessas quedas, eu ia muito longe, eu saía do meu corpo, era intenso, eu já não mais tirava onda "ah o cogumelo me derruba, o cogumelo vai na linguagem, você mescalina só sabe me fazer pular e pular, mas não tá tirando a minha linguagem de miiiiiim"...

Bem, numa dessas idas, foi quando teve o grande TCHAM cognitivo que varreu o Coringa roxo de dentro de mim...

Tudo que eu vivia, tudo que eu sentia, tudo que faziam contra mim, se tornava palpável, os conceitos de fazer mal também se misturavam aos conceitos de sofrer mal, do aparentemente (mas não) eterno ciclo de causar dor e sofrer dor. De repente surgiu uma índia lá do norte das américas, uma índia muito muito muito velha, que simplesmente olhou praquilo tudo que saía de mim e se expandia pelo espaço e fez um barulho com as narinas "hum", com uma significação muito profunda de alguém que já tinha saído desse ciclo, e que não via ninguém mais como vítima nem como algoz, mas respeitava o sofrimento de todos que viviam. Me vi, em termos muito profundos e além dos julgamentos, igualado aos que me perseguem, sendo eu mesmo também perseguidor de outros.

E, ao retornar ao meu corpo, o peso de todas as maldades sofridas por 40 anos voltaram ao grau "normal" de sempre, e não mais algo que me impedia de sequer respirar sem sentir ódio.

O pós-efeito das 16g foi maravilhoso. Por mais de 2 semanas, digo até um mês, fui tomado por uma redução absoluta da minha ansiedade. Algo que, de fato, é o ponto mais fraco do cogumelo quando comparado a mescalina, LSA ou LSD, pois essas substâncias nos deixam zen por vários dias depois, enquanto o cogumelo não com esse realce pelo menos.

A experiência de mescalina só foi possível para me curar porque antes eu tinha tido a experiência com os cogumelos que tinha evidenciado meus sentimentos e meus limites, inclusive com os cogumelos. Não haveria cura, sem antes uma experiência que só me prometia o não-suicídio.

E, bem... no geral é como me sinto com as medicinas sagradas, sabe. Não consigo mais ser melhor, mesmo. Estou adoecido demais para ser muito melhor do que um bicho que não pode ser cutucado. De fato, fico feliz que os cogumelos me ajudem a não me matar, sustentando a minha bioquímica. E jamais terei condições de tomar mescalina a cada 15 dias, pois ela exige 1 dia inteiro de experiência e mais outro dia inteiro de descanso. Mas, neste momento da minha vida, começo a aprender o poder de outras medicinas sagradas.

O cogumelo, enfim, expôs a ferida e afirmou "eu não resolvo isso"; e a mescalina conseguiu, através de um método de trabalho que eu ainda não entendi direito, desfazer. O método da linguagem não funcionava, eu precisava de algo mais energético, mais feliz, menos sério. Talvez seja isso. Mas acho que 10g de cogu também teriam resolvido, só não sei se eu teria mente apta pra tal dose naquele momento. Enfim, não é que o cogumelo não conseguiria; é que o trabalho ficou bem feito como ficou feito.

O que quero dizer é que o cogumelo me mandou tomar a mescalina para conseguir me tratar, mas só lembrei disso aqui no fim do texto. Mas foi bem isso mesmo. "Vai lá, toma a mescalina toda que você tem, uma dose bem alta, tô mandando" em minha intuição quando vi que não chegariam os cogumelos a tempo. Então... do lado das medicinas não há competição, só mútua ajuda e respeito.

E então repito o local em que espero estar novamente (Bissexualidade e Poliamor), no texto de 4 anos atrás:

Com 39 anos a gente chora 1 hora, 2 horas... mas logo supera devagar. É humilhante. É esmagador que alguém tenha que esconder a própria orientação, a própria preferência. É desumano. E o que nos resta a fazer com essas pessoas que têm preconceito é... nos aproximarmos, sorrirmos e convivermos, para que vejam que a realidade é muito diferente dos receios e possam normalizar e perder preconceitos ou ao menos perder receios bobos do machismo. Eu particularmente consigo seguir esse rumo porque não sinto vergonha... mas acho adequado, hoje homofobia é crime, lembrem-se.

Sem tiro, sem violência. Com sorrisos e abraços. Vencer o ódio com amor. Vencer o preconceito com presença. O resto é com a política, a minha parte é essa. Educar sempre que possível. Aproximar-se sempre.
 
Tópico fechado a pedido do autor.

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