E-Book Michael Pollan - Como Mudar Sua Mente - PDF

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Eleito pelo The New York Times como um dos dez melhores livros de 2018: The 10 Best Books of 2018
Páginas: 193.

Como Mudar Sua Mente: o que a nova ciência das substâncias psicodélicas pode nos ensinar sobre consciência, morte, vícios, depressão e transcendência.
“Seria possível que uma única experiência psicodélica — algo que se resume a tomar uma pílula ou ingerir um pedaço de papel — pudesse provocar um rompimento tão significativo numa visão de mundo desse tipo? Alterar a percepção de alguém a respeito da própria mortalidade? Mudar a mente de uma pessoa de forma duradoura?”

Nos anos 1940, quando o LSD foi descoberto, pesquisadores, cientistas e médicos acreditavam que a sociedade se preparava para uma iminente revolução no campo da psicologia. A substância alucinógena teria o potencial de revelar os mistérios do inconsciente, bem como oferecer avanços no tratamento de doenças mentais. Poucas décadas depois, o LSD se popularizou como droga recreativa, mas a intensa repressão ao movimento de contracultura fez com que as pesquisas com a substância fossem suspensas.

Após se debruçar sobre a história social dos alimentos em suas obras anteriores, o jornalista Michael Pollan parte em busca de uma compreensão aprofundada da psique humana e de como as substâncias psicodélicas poderiam auxiliar tratamentos médicos. Como mudar sua mente conta a história do renascimento das pesquisas com esses compostos depois de anos de coibição e esquecimento. Pollan se dedicou a variadas experiências com alucinógenos e notou que eles também seriam capazes de melhorar a vida de pessoas saudáveis.

Em uma impressionante jornada de caráter tanto científico quanto pessoal, Pollan mergulha nos mais diversos estados da consciência e apresenta os progressos que essas substâncias trazem para os estudos mais recentes da neurociência, revelando que os benefícios terapêuticos das substâncias psicodélicas são indissociáveis das experiências de transcendência proporcionadas por elas.



MICHAEL POLLAN publicou outros sete livros, entre eles O dilema do onívoro, Regras da comida, Em defesa da comida e Cozinhar, que deu origem à série Cooked da Netflix. É colaborador da The New York Times Magazine e professor de jornalismo na Universidade da Califórnia em Berkeley. Em 2010, foi apontado pela revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo.
 

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Só pra destacar uma das partes que eu mais gosto do livro: "Coda: indo conhecer minha rede neural de modo padrão", na qual o Pollan descreve seu encontro com o psiquiatra e neuroscientista Brewer, que estuda o cérebro de meditadores.

"Brewer me convidou a visitar seu laboratório no Centro de Mindfulness [atenção plena] da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachussets em Worcester para fazer testes em minha própria rede de modo padrão. O laboratório dele desenvolveu uma ferramenta de retorno neural que permite aos pesquisadores (e a seus voluntários) observar em tempo real a atividade em uma das principais estruturas dessa rede: o córtex cingulado posterior"

[...]

eu disse a Brewer que queria tentar um exercício mental, mas que só contaria mais tarde o que era. Fechei os olhos e tentei evocar as cenas das minhas viagens psicodélicas. O que veio primeiro à mente foi a imagem de uma paisagem pastoral, uma suave composição com campos, uma floresta e um lago, diretamente acima do qual havia uma espécie de moldura retangular de aço gigante. A estrutura, que tinha alguns andares de altura, mas era oca, lembrava uma torre de linhas de transmissão elétrica ou algo que uma criança construiria com um kit Erector — um dos brinquedos favoritos da minha infância. De qualquer forma, pela lógica estranha da experiência psicodélica, estava claro para mim naquele momento que a estrutura representava meu ego, e que a paisagem sobre a qual ela flutuava era, presumo, o resto de mim.

A descrição faz com que a estrutura pareça ameaçadora, flutuando sobre a imagem como um óvni, mas na verdade o tom emocional da imagem era na maior parte benigno. A estrutura se revelara vazia e supérflua e perdera o poder que tinha sobre o solo — sobre mim. A cena me deu uma espécie de efeito de visão global: eis o seu ego, robusto, cinza, vazio e voando livre, como uma torre sem amarras. Imagine como essa cena seria mais bonita se ele não estivesse no caminho. A frase “brincadeira de criança” ficava voltando: a estrutura era só um brinquedo que uma criança poderia montar e desmontar à vontade. Durante a viagem, ela continuou pairando, lançando uma sombra intrincada sobre a cena, mas agora, na minha lembrança, eu podia vê-la se afastando, me deixando… em paz.

Quem sabe que tipo de sinais elétricos estavam vazando da minha rede neural de modo padrão durante esse devaneio, ou o que a imagem simbolizava. Você leu este capítulo: obviamente, tenho pensado bastante no ego e no mal-estar que ele gera. Aqui estava parte desse pensamento convertido em algo visível. Eu tinha conseguido me desligar do meu ego, pelo menos na imaginação, algo que nunca pensara ser possível antes dos psicodélicos. Somos idênticos a nossos egos? O que sobra de nós sem ele? A lição tanto dos psicodélicos quanto da meditação é a mesma: Não! para a primeira pergunta e Mais do que o suficiente para a segunda. Incluindo essa encantadora paisagem da mente, que se tornou ainda mais encantadora quando deixei aquela ridícula estrutura de aço flutuar para longe, levando com ela suas sombras.

Um bipe indicou o fim da fase. A voz de Brewer surgiu na caixa de som: “No que diabos você estava pensando?” Aparentemente, eu havia caído bem abaixo da linha-base. Contei a ele, em termos gerais. Ele pareceu animado com a ideia de que a mera lembrança de uma experiência psicodélica podia de alguma forma replicar o que acontece no cérebro durante a coisa real. Talvez tenha sido isso que aconteceu. Ou talvez tenha sido o conteúdo específico da imagem, e o mero pensamento de dar adeus a meu ego, vendo-o ir embora como um balão de ar quente, que conseguiu silenciar minha rede de modo padrão.

Brewer começou rapidamente a formular hipóteses. O que é tudo que a ciência pode nos oferecer a essa altura: palpites, teorias, tantos outros experimentos para tentar. Temos muitas pistas, mais agora do que antes do renascimento da ciência psicodélica, mas continuamos longe de entender o que acontece exatamente com a consciência quando a alteramos, seja com uma molécula ou com meditação. Contudo, olhando as barras no gráfico diante de mim, esses hieróglifos crus do pensamento psicodélico, senti estar diante de uma fronteira escancarada, apertando os olhos para decifrar algo maravilhoso."
 

AndréAlves

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Só pra destacar uma das partes que eu mais gosto do livro: "Coda: indo conhecer minha rede neural de modo padrão", na qual o Pollan descreve seu encontro com o psiquiatra e neuroscientista Brewer, que estuda o cérebro de meditadores.

"Brewer me convidou a visitar seu laboratório no Centro de Mindfulness [atenção plena] da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachussets em Worcester para fazer testes em minha própria rede de modo padrão. O laboratório dele desenvolveu uma ferramenta de retorno neural que permite aos pesquisadores (e a seus voluntários) observar em tempo real a atividade em uma das principais estruturas dessa rede: o córtex cingulado posterior"

[...]

eu disse a Brewer que queria tentar um exercício mental, mas que só contaria mais tarde o que era. Fechei os olhos e tentei evocar as cenas das minhas viagens psicodélicas. O que veio primeiro à mente foi a imagem de uma paisagem pastoral, uma suave composição com campos, uma floresta e um lago, diretamente acima do qual havia uma espécie de moldura retangular de aço gigante. A estrutura, que tinha alguns andares de altura, mas era oca, lembrava uma torre de linhas de transmissão elétrica ou algo que uma criança construiria com um kit Erector — um dos brinquedos favoritos da minha infância. De qualquer forma, pela lógica estranha da experiência psicodélica, estava claro para mim naquele momento que a estrutura representava meu ego, e que a paisagem sobre a qual ela flutuava era, presumo, o resto de mim.

A descrição faz com que a estrutura pareça ameaçadora, flutuando sobre a imagem como um óvni, mas na verdade o tom emocional da imagem era na maior parte benigno. A estrutura se revelara vazia e supérflua e perdera o poder que tinha sobre o solo — sobre mim. A cena me deu uma espécie de efeito de visão global: eis o seu ego, robusto, cinza, vazio e voando livre, como uma torre sem amarras. Imagine como essa cena seria mais bonita se ele não estivesse no caminho. A frase “brincadeira de criança” ficava voltando: a estrutura era só um brinquedo que uma criança poderia montar e desmontar à vontade. Durante a viagem, ela continuou pairando, lançando uma sombra intrincada sobre a cena, mas agora, na minha lembrança, eu podia vê-la se afastando, me deixando… em paz.

Quem sabe que tipo de sinais elétricos estavam vazando da minha rede neural de modo padrão durante esse devaneio, ou o que a imagem simbolizava. Você leu este capítulo: obviamente, tenho pensado bastante no ego e no mal-estar que ele gera. Aqui estava parte desse pensamento convertido em algo visível. Eu tinha conseguido me desligar do meu ego, pelo menos na imaginação, algo que nunca pensara ser possível antes dos psicodélicos. Somos idênticos a nossos egos? O que sobra de nós sem ele? A lição tanto dos psicodélicos quanto da meditação é a mesma: Não! para a primeira pergunta e Mais do que o suficiente para a segunda. Incluindo essa encantadora paisagem da mente, que se tornou ainda mais encantadora quando deixei aquela ridícula estrutura de aço flutuar para longe, levando com ela suas sombras.

Um bipe indicou o fim da fase. A voz de Brewer surgiu na caixa de som: “No que diabos você estava pensando?” Aparentemente, eu havia caído bem abaixo da linha-base. Contei a ele, em termos gerais. Ele pareceu animado com a ideia de que a mera lembrança de uma experiência psicodélica podia de alguma forma replicar o que acontece no cérebro durante a coisa real. Talvez tenha sido isso que aconteceu. Ou talvez tenha sido o conteúdo específico da imagem, e o mero pensamento de dar adeus a meu ego, vendo-o ir embora como um balão de ar quente, que conseguiu silenciar minha rede de modo padrão.

Brewer começou rapidamente a formular hipóteses. O que é tudo que a ciência pode nos oferecer a essa altura: palpites, teorias, tantos outros experimentos para tentar. Temos muitas pistas, mais agora do que antes do renascimento da ciência psicodélica, mas continuamos longe de entender o que acontece exatamente com a consciência quando a alteramos, seja com uma molécula ou com meditação. Contudo, olhando as barras no gráfico diante de mim, esses hieróglifos crus do pensamento psicodélico, senti estar diante de uma fronteira escancarada, apertando os olhos para decifrar algo maravilhoso."


Show bro!!!
 
Superior